sábado, 16 de julho de 2011

Dom Julio Endi Akamine, por José Elias Fadul, Pe. Provincial dos Palotinos

As figuras de Dom Julio Endi Akamine, SAC

Com o passar do tempo, a gente percebe que não aprende muitas coisas novas. Mas, é possível aprender coisas velhas. Algumas são milenares. Eu soube, recentemente, que o japonês raciocina por imagens. Isso lhe confere uma maneira muito própria de encarar a vida.

Dom Julio é prova disso. Ele pensa por imagem e sua mãe pensa por imagem. Não fosse assim, o novo bispo, ao fazer seu agradecimento no final da celebração de ordenação, não teria citado, dentre os inúmeros conselhos que sua mãe lhe deu, a imagem da árvore, que se mantém nítida em nossa mente: “Filho, não se esqueça! Quanto mais você sobe numa árvore, mais fino fica o galho e mais forte fica o vento”. Também, ao fazer a primeira pregação na apresentação em sua Região Episcopal Lapa, usou a imagem da atual competição de futebol dizendo: “a primeira pregação do bispo tem de ser como a final da Copa América entre Brasil e Argentina... tem de se jogar tudo”.

A belíssima liturgia de ordenação, com suas inúmeras imagens culturais, não escondeu o mais importante, o senso do sagrado. Por sinal, tudo o que foi oferecido favoreceu o essencial do sacramento. Como cantamos no ofertório: “de todos esses bens, escolhemos o pão, escolhemos o vinho, para o sacrifício”.

Em nome de nossa Comunidade Provincial, quero louvar a Deus agradecendo a confirmação de sua Palavra na Sociedade do Apostolado Católico: “A semente caiu em terra boa e deu fruto” (Sl.64/ 65). Dom Julio Endi Akamine, SAC é a confirmação de que a Família Palotina é terra boa, que a Paróquia Santa Marina é terra boa, que a Arquidiocese de São Paulo é terra boa.


Meu amigo e irmão, Julio “semente”, Julio “ponte”, Deus já havia lhe dado a virtude de unir e aproximar as pessoas. Esse seu testemunho foi marcante em nossa comunidade. Agora o será mais ainda para toda a Igreja. Com sua maneira própria de ser e sem se cansar de fazer o bem, viva seus melhores dias no serviço de seu Ministério Episcopal na Igreja de São Paulo.

São Paulo, 10 de julho de 2011.
Pe. José Elias Fadul, SAC

UMA EXPERIENCIA INDESCRITÍVEL peregrinos de mary ward em S. João do Piauí

UMA EXPERIENCIA INDESCRITÍVEL




Do aeroporto de Petrolina ao campo de missão em um ônibus partimos com a expectativa de chegarmos em Lagoa do Barro, São João do Piuai e Paes Landin. A estrada é uma pista de mão dupla com pouca sinalização, porém com asfalto bom; a visão da região é bela; a caatinga com suas características próprias encantam e desencantam. No encanto está o seco das plantas com alguns arbustos verdes, com o xexéu e outros cactos, além dos montes e pedras exuberantes. Logo adiante um grupo de cabra e cabritos pastando e curiosamente onde há sinal de plantação existe um cercado, diferentemente do sul do país em que os animais ficam confinados para não atacarem a plantação, aqui é o oposto os animais ficam soltos e as plantações ficam presas; rodamos, rodamos e parecia não ter fim talvez essa sensação devido ao cansaço de um dia de serviço somado à viagem que ainda estava iniciando. Tão logo chegamos em Lagoa do Barro fomos acolhidos pelo padre e membros da comunidade que nos ofereceram um farto e delicioso café. Um grupo de missionários aí ficou e seguimos viagem... estrada “sem fim” até que avistamos S. João do Piauí e ao lado da Igreja um grupo enorme de paroquianos com faixas e muita animação acolheram-nos, fomos para a Igreja quando lideres e o padre nos deram as boas vindas. O outro grupo de missionário retornou ao ônibus e partiram para Paes Landin, o terceiro município a ser visitado pelos missionários.









Retiro catequistas no Piauí: Oração alimento cristão para testemunho da Palavra

No dia 3 de julho fiz 2 palestras no Retiro para os Catequistas da Paróquia S. João Batista em São João do Piauí. O tema do retiro foi: Oração alimento cristão para testemunho da Palavra



Inspirado pelo tema eu falei na primeira palestra da Oração na vida cristã. O ponto de partida foi o mandato de Jesus de onde dois ou mais estiverem reunidos em nome d´Ele, Ele estará. Falamos do poder da oração, “peçam o que quiserem e Eu vos concederei”... falamos da importância da oração comunitária, sobretudo da Eucaristia. Na parte da tarde trabalhei três grandes personagens da Bíblia, para motivar o catequista a dar testemunho da Biblia. O primeiro foi Judas, o segundo Pedro e o terceiro Paulo. Todos homens de muita garra e convicção, porém assumiram posturas diferentes diante de Jesus. Judas recebeu de Jesus tudo o que o Pai quis, e traiu Jesus. Pedro foi fiel servidor, mas na hora H negou-o. Paulo o perseguidor! Caiu do cavalo e tornou-se o grande anunciador de Jesus. Provoquei os catequistas a pensarem em sua missão e como estão respondendo aos apelos de Jesus. Depois da primeira palestra a irmã Cleide orientou a oração pessoal com o texto bíblico sobre os frutos do Espírito e, depois da segunda palestra orientou a oração com o texto sobre ser sal e luz da terra. Teminamos o retiro com uma dinâmica feita pela missionária Maria de Lourdes, em que cada catequista assumiu sua tarefa de ser LUZ DO MUNDO!



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Desarmar e amar: para além do sim e do não

Desarmar e amar: para além do sim e do não


Volta à mídia a discussão sobre o desarmamento da população brasileira. Na verdade o assunto nunca deixou de ser intensamente discutido em fóruns como a Internet, em conversas informais, entre amigos, no ambiente de trabalho e escolas.

A questão é polêmica. Todos os dias, ao abrir minha caixa postal encontro diversas mensagens, e-mails, com opiniões de todos os tons e níveis possíveis e imagináveis.

Fica difícil, num primeiro momento, formar uma opinião sensata sobre o assunto, uma vez que ele, em geral, é discutido de forma passional, emocional, com pouco equilíbrio e isenção. Há dúvidas, também, nas pesquisas, estatísticas e números que são apresentados pelas diferentes correntes. Fica no ar a sensação de manipulação, de desconfiança, de pouca credibilidade.

Mas, teimoso que sou, tento, nesta nova investida, relativizar a forma e ir além, avaliando o conteúdo, os argumentos. E aí, um impasse: há posições razoáveis dos dois lados.

Os que são contra o desarmamento alegam, em primeiro lugar, o direito constitucional e inalienável à legítima defesa. Criticam também, e com razão, a pouca eficácia do aparato policial oficial no combate à criminalidade. Lembram que quem vai ser desarmado é o cidadão de bem, arma de bandido não tem nota fiscal nem vai ser devolvida, e que eles, os bandidos, podem sentir-se mais à vontade ainda sabendo que, do lado de lá, há uma vítima indefesa. Citam casos específicos em que as pessoas precisariam das armas como proteção, como no caso de ex-policiais e moradores de locais isolados, como sítios e fazendas. São argumentos plausíveis.

Os que são pelo desarmamento apresentam também razões de peso. A campanha de entrega de armas desenvolvida pelo Governo Federal trouxe uma redução significativa no número de homicídios. Menos armas na mão da população, menos mortes, menos violência.

Citam os inúmeros casos de acidentes domésticos, em especial com crianças. Mostram que o cidadão comum, em geral, está despreparado para usar a arma em defesa própria e acaba sendo vítima do bandido, que conta sempre com o fator surpresa a seu favor. Acentuam também que a posse de uma arma pode transformar simples discussões de trânsito ou bate boca entre vizinhos em tragédias irreversíveis. Registram os lucros imensos que estão por trás da indústria armamentista mundial, que teme que uma legislação que restrinja a posse de armas, se aprovada no Brasil, possa levar outros países a buscar o mesmo caminho.

Dados e argumentos também irretocáveis.

Diante de tal equilíbrio de forças, tenho a impressão de que a maioria da população acaba optando pelos argumentos emocionais. “Pensa” com medo, raiva ou ambos. O que não é bom.

Para dificultar ainda mais, em função da crise de credibilidade e caráter que vivemos, o debate corre o risco de transformar-se em espaço e momento de protesto contra o governo, os políticos, “eles”, vistos como uma espécie de entidade externa à realidade do povo. O que não deixa de ser verdade, uma vez que o mundo político parece cada vez mais divorciado do cotidiano do brasileiro comum.

O que fazer, o que pensar?

Lembro do que dizia o poeta: “o coração tem razões que a própria razão desconhece...” Fui ouvir, então, meu coração. E ele me disse...

Nossas escolhas falam muito de nós mesmos. Decidimos com tudo o que somos. Das coisas mais simples, como a roupa para ir a uma festa ou ao trabalho, até o presidente (ou presidenta) da República ou o síndico do condomínio, nossas escolhas revelam muito da nossa alma. A boca (e os gestos) fala(m) do que está cheio o coração... diz a Bíblia.

Se em meu coração mora o medo, a raiva, a insegurança, a mágoa, o rancor, o sentimento de vingança, minhas escolhas refletirão isso. Se tenho, arraigados em mim, preconceito e discriminação, minhas opções, meus gestos serão um retrato desses sentimentos. E os sentimentos à flor da pele levam a escolhas imediatas, geralmente passionais e explosivas.

O contrário também é verdadeiro. Se em meu coração habita o desejo de paz, de justiça, para lá se dirigirão as minhas escolhas. Se compreendo que o homem não nasceu para ser ‘o lobo do homem’, mas sim seu irmão, vou buscar construir fraternidade em mim e à minha volta. Decisões que vem do interior mais profundo tem mais chance de se traduzir em escolhas equilibradas, ponderadas.

Mas aí, outro grande problema. Meu coração, assim como a vida, é capaz de abrigar tanto o medo quanto a paz. Nele há espaço para raiva e ternura, desejos de vingança e sede de perdão. Meu coração é humano, assim como tudo o que sou e nele, o Bem e o Mal costumam estar lado a lado...

Então, é preciso ir ainda mais fundo... Perceber que posso até sentir raiva, medo, desejo de vingança, mas não posso consentir que estes sentimentos ocupem meu coração, minha vida. Posso exercer minha liberdade, minha consciência e ir além, em busca do Mais, decisivo, essencial.

Novamente um texto bíblico vem iluminar minha busca:

E Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Homem e Mulher Ele os criou. E viu que tudo era muito bom...”

Imagem e semelhança... bondade original que nos torna parecidos com o Criador. É lá que somos mais verdadeiros. É lá que mora o melhor de nós. Lá está a resposta que eu procurava.

E as pistas continuam: “Felizes os que constroem a paz. Eles serão chamados filhos de Deus...”, diz Jesus em sua Boa Nova.

Somos semelhantes a Deus porque somos capazes de amar. E o amor, mesmo do nosso jeito frágil e limitado, pacifica nossos sentimentos, palavras e gestos. São as escolhas feitas por amor que mais nos realizam, que mais nos trazem a experiência da felicidade que buscamos em tudo e em todos.

E para amar é preciso se desarmar...

Pareço ingênuo, utópico? Pode ser, mas é nessa direção que caminha o meu coração, a minha vida.

Para além de todos os argumentos, números e estatísticas, verdadeiros ou não, convincentes ou não, no mais profundo do meu coração, onde mora o desejo do amor maior, do amor que transbordando de si mesmo criou a cada um de nós, há uma pessoa desarmada.

É ao encontro dessa pessoa que quero caminhar. Nela, repito, mora o melhor de mim, o melhor de nós.

Ficam de lado as razões e os argumentos, tão válidos que acabam por anular-se entre si. Decido na profundidade de mim mesmo, esse território sagrado de liberdade onde até Deus, para entrar, pede licença. E eu digo: seja bem vindo!

E não deixo por menos, sou pelo desarmamento geral e irrestrito. Desarmar a alma, o espírito, as mãos, o coração, o corpo. Desarmar a vida. E amar a vida!

Autor: Eduardo Machado


http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=18513&cod_canal=87

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Programa parcial das missões em S. João do Piaui.

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DA MISSÃO PEREGRINOS DE MARY WARD

PRIMEIRO DIA – 01/07/2011 - sexta-feira

Acolhida – na igreja matriz – animação sobre a responsabilidade dos jovens: Edson, Adão e Antonio Junior.
Após a acolhida uma pequena oração dirigida pelas Irmãs: Terezinha, Socorro, Veraní, com a ajuda das jovens Bruna e Taiz.

Dia 01/07/ 2011 – Às 15 horas – reunião na Igreja São Batista com os representantes das comunidades da Paróquia e os missionários de São Paulo – cada comunidade pode trazer 3 ou 4 pessoas para Participar desta reunião que será muito importante a sua presença.
Palavras de Boas vindas e Benção aos Missionários – Padre Alaércio (O Padre ungirá os peregrinos com um óleo bento e entregará a cada peregrino uma garrafinha de água benta, para ser utilizada nas casas que serão visitadas).

Missa – apresentação dos Peregrinos de Mary Ward

SEGUNDO DIA – 02/07/20111- sábado

Manhã – visitas:
A partir das 8h - comunidades: Juazeirinho e Vila Foca
8h às 9h – Oficinas com crianças da catequese – C. Genésio Arrais

Tarde – oficinas:
14h às 17h – Jovens – Salão Paroquial
15h às 17h - Crianças da Catequese – C. Salomão Carvalho

Noite – show
19/30 – show com a Banda Aguias da Missão – Praça de Eventos

TERCEIRO DIA – 03/07/2011- domingo
Manhã  8h às 17h - Retiro com as Catequistas – Chácara do Elias
8h às 10h – Infância Missionária e coroinhas – CCMW

Tarde
Integrarão com as catequistas na Chácara do Elias

QUARTO DIA – 04/07/2011 - segunda-feira
Manhã – crianças
Tarde - Jovens
Trabalho nas escolas:
U.E. Dirceu Arcoverde
U.E. Salomão Carvalho

Noite – oficinas - 19h30 - liturgia

QUINTO DIA – 05/07/2011- terça-feira
SEXTO DIA – 06/07/2011- quarta-feira
SETIMO DIA - 07/0/02011 - quinta-feira
OITAVO DIA – 08/07/2011 – sexta-feira
NONO DIA 09/07/2011 – sábado
Manhã – Oficinas
8h – com mulheres – Capela Nossa Senhora Aparecida
Tarde – oficinas
15h – com crianças da catequese e coroinhas
Noite 19h – Missa festiva – preparada junto com a comunidade (equipe responsável)

(Obs.: as visitas serão feitas durante todo o dia) Comunidades a serem visitadas durante a Missão:

Santa Maria – Projeto de irrigação
Marrecas
Lisboa
Capim Grosso
Alto da Jurema
Marmeleiro
Centro
Barro Vermelho

DECIMO DIA – 10/07/2011 – domingo
DECIMO PRIMEIRO DIA – 11/07/2011 - segunda-feira
DECIMO – SEGNDO DIA – 12/07/2011 - terça-feira

sexta-feira, 17 de junho de 2011

QUANDO A MORTE NOS SURPREENDE COM SUA "VISITA" FICAMOS SEM SABER O QUE PENSAR

AULA DE PSICOLOGIA APLICADA A ENFERMAGEM - II

Filme DEPARTURES = A PARTIDA, leia a crítica abaixo e depois faça seu comentário:


CRÍTICA http://www.cranik.com/apartida.html  (acesso 30/10/10) - A PARTIDA:


A morte é sempre um tema caro ao cinema. Por mais que procuremos entendê-la, quando ela nos surpreende com a sua "visita" ficamos sem saber o que pensar. Afinal a morte acaba com todas as certezas que supúnhamos ter. O japonês "A Partida" (2008) questiona a morte por outro ângulo, a do preparador de cadáveres.

Daigo (Masahiro Motoki) é um violoncelista que vendo a orquestra onde tocava se desmanchar resolve voltar para sua casa e arrumar outro emprego, recomeçar. Eis que arruma um emprego de preparador de defuntos. Quando a pessoa morre, seus familiares contratam o serviços de Daigo e seu patrão, para deixar o morto mais bonito e mas bem arrumado para a passagem de mundos que a morte propicia.

É muito metafórica e simbólica a morte no filme de Yojiro Takita. O diretor abocanhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, pois além da morte seu filme traça paralelos com outros temas como a relação que desenvolvemos com a comida, e porque não com as pessoas mortas , o preconceito com quem trabalha nesse ramo e a necessidade de todo mundo de rever a própria vida, a partir da morte. Talvez essa seja a maior função para os que ficam, rever padrões, atitudes, escolhas.

O filme proporciona ao personagem esse mergulho nos reais significados da vida e vai oferecendo ao expectador uma sensação semelhante. Tudo com muita sutileza e sensibilidade para que se tenha tempo de digerir o ocorrido. Não é choroso o tratamento dado ao tema, é emocional, portanto mais profundo. O filme não deixa de ser uma experiência compartilhada entre Daigo e o público.

Ao se conectar com a morte, Daigo enfrenta o preconceito da mulher, fica só e se dedica a uma profissão desprezada por muitos. As imagens que Takita oferece de Daigo tocando seu violoncelo tendo como fundo a paisagem japonesa reflete como a própria arte do protagonista foi "contaminada" por essa experiência.

A sensação é que a morte é algo belo e que merece ser reverenciada. Afinal não há o que fazer quando ela ocorre. E se a morte é uma passagem de mundos - como defende algumas religiões - porque não preparar o ente querido para que este chegue a outro lugar melhor? A morte revela a matéria dispensável que é nosso corpo.

O diretor não se furta de certa ironia nas cenas onde questiona a relação que estabelecemos com os animais que comemos nas refeições, criando uma associação bizarra - e pertinente – de que também somos como vermes, pronto a devorar um "corpo" morto. Afinal, vacas, bois, galinhas, porcos, frangos e aves em geral servem de alimentos - nutritivos - para os vivos. No Japão onde se come carne crua, imagina o impacto da metáfora? Que serve também para qualquer apreciador de carne.

Por aqui, o corpo também é aparentemente arrumado, maquiado e preparado para que no funeral esteja mais apresentado. O que o filme mostra é uma tradição (o que se supõe pelo filme) japonesa que parece tornar mais bonita e menos impactante a morte, ao propor aos familiares verem o corpo do ente querido manipulado e preparado, supõe-se que o impacto talvez seja menos doloroso.

Simbólico, por vezes engraçado, sensível e emocionante, "A Partida" proporciona diferentes “mergulhos” no conturbado universo da morte. Daigo descobre em sua vida as pequenas mortes inevitáveis no percurso de sua trajetória e a necessidade de renascimento que nos é proporcionado a cada virada de rumo na nossa vida. Oportunidades essas geralmente desperdiçadas, dado a nossa sempre ineficiente disposição a encarar a morte com olhos generosos.


Ficha Técnica -Ano: Japão/2008 - Direção: Yojiro Takita - atores: Masahiro Motoki , Tsutomu Yamazaki , Ryoko Hirosue , Kazuko Yoshiyuki , Kimiko Yo - Duração: 130 min.

OS ESTÁGIOS DA DOR DA MORTE

“Os 5 Estágios da Dor da Morte - A reação psíquica determinada pela experiência com a morte foi descrita por Elisabeth Kubler-Ross como tendo cinco estágios (Berkowitz, 2001):

Primeiro Estágio: negação e isolamento
A Negação e o Isolamento são mecanismos de defesas temporários do Ego contra a dor psíquica diante da morte. A intensidade e duração desses mecanismos de defesa dependem de como a própria pessoa que sofre e as outras pessoas ao seu redor são capazes de lidar com essa dor. Em geral, a Negação e o Isolamento não persistem por muito tempo.

Segundo Estágio: raiva
Por causa da raiva, que surge devido à impossibilidade do Ego manter a Negação e o Isolamento, os relacionamentos se tornam problemáticos e todo o ambiente é hostilizado pela revolta de quem sabe que vai morrer. Junto com a raiva, também surgem sentimentos de revolta, inveja e ressentimento.

Nessa fase, a dor psíquica do enfrentamento da morte se manifesta por atitudes agressivas e de revolta; - porque comigo? A revolta pode assumir proporções quase paranóides; “com tanta gente ruim pra morrer porque eu, eu que sempre fiz o bem, sempre trabalhei e fui honesto”...

Transformar a dor psíquica em agressão é, mais ou menos, o que acontece em crianças com depressão. É importante, nesse estágio, haver compreensão dos demais sobre a angústia transformada em raiva na pessoa que sente interrompidas suas atividades de vida pela doença ou pela morte.

Terceiro Estágio: barganha
Havendo deixado de lado a Negação e o Isolamento, “percebendo” que a raiva também não resolveu, a pessoa entra no terceiro estágio; a barganha. A maioria dessas barganhas é feita com Deus e, normalmente, mantidas em segredo.

Como dificilmente a pessoa tem alguma coisa a oferecer a Deus, além de sua vida, e como Este parece estar tomando-a, quer a pessoa queira ou não, as barganhas assumem mais as características de súplicas.

A pessoa implora que Deus aceite sua “oferta” em troca da vida, como por exemplo, sua promessa de uma vida dedicada à igreja, aos pobres, à caridade ... Na realidade, a barganha é uma tentativa de adiamento. Nessa fase o paciente se mantém sereno, reflexivo e dócil (não se pode barganhar com Deus, ao mesmo tempo em que se hostiliza pessoas).

Quarto Estágio: depressão
A Depressão aparece quando o paciente toma consciência de sua debilidade física, quando já não consegue negar suas condições de doente, quando as perspectivas da morte são claramente sentidas. Evidentemente, trata-se de uma atitude evolutiva; negar não adiantou, agredir e se revoltar também não, fazer barganhas não resolveu. Surge então um sentimento de grande perda. É o sofrimento e a dor psíquica de quem percebe a realidade nua e crua, como ela é realmente, é a consciência plena de que nascemos e morremos sozinhos. Aqui a depressão assume um quadro clínico mais típico e característico; desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro, etc.

Quinto Estágio: aceitação
Nesse estágio o paciente já não experimenta o desespero e nem nega sua realidade. Esse é um momento de repouso e serenidade antes da longa viagem.

É claro que interessa, à psiquiatria e à medicina melhorar a qualidade da morte (como sempre tentou fazer em relação à qualidade da vida), que o paciente alcance esse estágio de aceitação em paz, com dignidade e bem estar emocional. Assim ocorrendo, o processo até a morte pôde ser experimentado em clima de serenidade por parte do paciente e, pelo lado dos que ficam, de conforto, compreensão e colaboração para com o paciente.”


Sua leitura e reflexão podem sem ampliadas consultando a fonte do recorte acima, veja: Ballone GJ - Lidando com a Morte - in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, 2010 - disponível em http://sites.uol.com.br/gballone/voce/postrauma.html

domingo, 5 de junho de 2011

Um ano de contagem!

A todos que visitam meu blog, muito obrigado!

Estaremos completando um ano de contagem dos visitantes e está dando uma média de 30 visitas por dia. Parabéns a você que visita meu blog!

Abreijos e apareça sempre,


Galiani

O Português são dois. Ou vários

Olá gestores e educadores,


Na semana passada, o livro didático “Por uma Vida Melhor” virou motivo de polêmica nacional ao incluir frases com erros de concordância em uma das lições presentes na publicação, trecho este que aborda as diferenças entre a norma culta e a falada. O texto abaixo, escrito pela professora de Português e doutoranda em Letras pela Universidade Mackenzie-SP, Carmen Valle, afirma que a discussão não deve ser a respeito da comparação feita pelo livro e sim a respeito do método de ensino das escolas atualmente. E você, o que pensa sobre isso? Será que o livro está certo em abordar estas diferenças? Veja mais detalhes no texto a seguir, produzido especialmente para os leitores do Jornal Virtual.

Boa leitura!

O Português são dois. Ou vários

Uma enorme e complexa polêmica foi criada em torno do livro Por uma Vida Melhor, distribuído pelo MEC. A importância desse debate, no entanto, está na oportunidade de clarear questões linguísticas e pedagógicas capazes de promover uma mudança positiva no ensino de língua. E não nas críticas aferradas.

É sabido que a universalização do ensino trouxe aos bancos escolares as classes populares que antes não tinham acesso à educação. Quem frequentou a escola pública dos anos 70 deve se lembrar de que a escola era para a elite e era a elite que ensinava nessas escolas. Naquela época, vínhamos de casa já falantes da norma padrão. O cenário, hoje, é outro; e os atores vêm de famílias compostas por, muitas vezes, nenhum ente alfabetizado. É obrigação da escola ensinar a norma padrão? Indubitavelmente, continua sendo. O fato é que Drummond estava certíssimo: “O português são dois: o outro, mistério.” É nessa constatação que nós, professores de português e linguistas, nos baseamos para defender a ideia de que há várias línguas portuguesas, ou brasileiras, habitando o mesmo espaço.

Para um aluno que chega à escola, falante de uma variante linguística de ordem diastrática (nível social), e que faz uso, para se comunicar, de frases como “nóis pega os peixe”, é improdutivo exigir que compreenda e apreenda as regras da gramática normativa de uma hora para a outra. Parece simples, “Você fala errado! Não importa que seus amigos e sua família se entendam nessa língua. O certo é ‘nós pegamos os peixes’”. Isso não funciona. Basta verificar a atuação pífia de nossos alunos nos instrumentos de avaliação. Esses alunos integram o imaginário coletivo de que a educação é a única ponte possível para se chegar à tão sonhada e necessária mobilidade social. E, de fato, deveria ser.

É compreensível que o olhar daqueles que não enfrentam o dia a dia da sala de aula e tomam por base os resultados vergonhosos do Brasil, em exames como o PISA, seja mesmo de indignação. Mas a questão é bem outra.

A verdade é que o aluno precisa, sim, saber que a variante de que ele faz uso não é “errada”, que essa língua de que ele se utiliza, sistematizada e interiorizada por seu grupo social, é válida. Mas é apenas uma das tantas modalidades linguísticas que um país deste tamanho possui. A norma padrão também era uma variante e foi escolhida como padrão por ser a variante linguística do grupo que gozava de melhor condição socioeconômica. Coexistiam as variantes e ainda coexistem. Não há necessidade de eliminar uma para que a outra seja única. É um olhar míope sobre nossa realidade linguística.

Enfim, ensinar, de início, norma padrão a alunos cuja biografia linguística abarca outra variante é o mesmo que, grosso modo, ensinar as regras da língua francesa a falantes de espanhol. Ninguém entende ninguém. E o resultado é o que temos, o fracasso do ensino da língua. O conceito está corretíssimo. Equivocado é o caminho percorrido. A norma padrão, cujo ensino é, sim, obrigação da escola, deve ser o ponto de chegada e não de partida. Essa é a grande questão. O ensino da língua deve partir da observação e do entendimento da variante do aluno para a reflexão e a apreensão das normas da língua padrão.

Esse livro não é o absurdo que parece ser. Absurdo é cortar a voz de um povo e classificá-lo como melhor ou pior pela variante que usa. Absurdo é o professor, que professa diariamente nos mais diversos rincões deste país, não ter formação e valorização necessárias para a reinvenção de suas práticas pedagógicas e dos caminhos a serem percorridos para o ensino efetivo da língua. Isso, sim, é um crime!

Texto de Carmen Valle, professora mestre de Português e doutoranda em Letras pela Universidade Mackenzie-SP. E-mail: clbvalle@uol.com.br

Acesse o link e veja a revista virtual:

http://www.profissaomestre.com.br/swf/2010/revista_pm.html