quinta-feira, 4 de junho de 2026

Edgar Morin: Um Legado Vivo para a Educação do Presente

Redação
Edgar Morin: Um Legado Vivo para a Educação do Presente
A humanidade se despede de um dos mais influentes pensadores da contemporaneidade.
 Edgar Morin deixa uma contribuição intelectual que ultrapassa fronteiras geográficas, ideológicas e acadêmicas, oferecendo à educação uma visão profundamente humana, crítica e integradora. Sua partida convida educadores, gestores, estudantes e toda a sociedade a revisitar sua obra e reconhecer a atualidade de suas reflexões para os desafios que a educação enfrenta hoje.
Quando escreveu Os Sete Saberes Necessários à Educação, Morin não estava apenas projetando um horizonte distante. Seus apontamentos revelaram necessidades urgentes que continuam presentes nas escolas, universidades e espaços formativos do nosso tempo. Mais do que uma proposta para o futuro, seus sete saberes constituem um chamado para transformar a educação no presente.
Morin nos alerta para as cegueiras do conhecimento, lembrando que o erro, a desinformação e as ilusões fazem parte da condição humana. Em uma era marcada pela circulação acelerada de informações, pelas redes sociais e pela inteligência artificial, torna-se ainda mais necessário desenvolver o pensamento crítico, a capacidade de análise e o discernimento ético.
Ao defender um conhecimento pertinente, o pensador francês criticou a excessiva fragmentação dos saberes. A realidade é complexa e os grandes desafios contemporâneos — ambientais, sociais, econômicos, tecnológicos e culturais — exigem uma compreensão integrada. A educação atual é chamada a promover conexões entre disciplinas e experiências, ajudando os estudantes a compreenderem o mundo em sua totalidade.
Outro aspecto fundamental de seu pensamento é a necessidade de ensinar a condição humana. Em uma sociedade frequentemente marcada pelo individualismo e pela intolerância, educar significa ajudar cada pessoa a compreender sua própria humanidade e reconhecer a dignidade do outro. A formação integral continua sendo uma das missões mais nobres da educação.
A consciência de uma identidade terrena também se mostra cada vez mais necessária. As mudanças climáticas, os fluxos migratórios, as crises sanitárias e os conflitos internacionais demonstram que os destinos dos povos estão interligados. Somos habitantes de uma mesma casa comum e precisamos aprender a viver com responsabilidade planetária.
Morin também nos ensina a enfrentar as incertezas. O mundo contemporâneo é marcado por rápidas transformações e por cenários imprevisíveis. Educar hoje exige preparar as novas gerações não apenas para responder perguntas conhecidas, mas também para enfrentar problemas inéditos, desenvolvendo criatividade, resiliência e capacidade de adaptação.
Da mesma forma, permanece atual a urgência de ensinar a compreensão. Em um contexto de polarizações, discursos de ódio e dificuldades de diálogo, a educação deve promover a empatia, a escuta e o respeito mútuo. Compreender o outro não significa concordar com tudo, mas reconhecer sua humanidade e sua dignidade.
Por fim, a ética do gênero humano ocupa lugar central em seu legado. Morin nos convida a construir uma ética baseada na solidariedade, na responsabilidade e no compromisso com o bem comum. Trata-se de uma ética que reconhece a interdependência entre os seres humanos e a necessidade de uma convivência fundada na justiça e na fraternidade.
Ao recordar a trajetória de Edgar Morin, celebramos não apenas um intelectual brilhante, mas um humanista que acreditou profundamente na capacidade da educação de transformar pessoas e sociedades. Seu legado permanece vivo em cada educador que busca formar cidadãos críticos, em cada estudante que aprende a pensar de forma complexa e em cada comunidade educativa comprometida com a construção de um mundo mais humano.
Sua voz silencia, mas suas ideias continuam ecoando nas salas de aula, nos centros de pesquisa e nos espaços de reflexão. Edgar Morin nos deixa uma herança preciosa: a certeza de que educar é um ato de esperança, de responsabilidade e de compromisso com a humanidade. Seu pensamento permanece como um convite permanente para que a educação seja, antes de tudo, um caminho de humanização.

CORPUS CHRISTI: O PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU PARA A VIDA DO MUNDO

A Solenidade de Corpus Christi convida a Igreja a contemplar com profunda fé o mistério da presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Contudo, reduzir esta celebração apenas aos atos de culto, procissões e adoração seria empobrecer a riqueza do Sacramento que o próprio Cristo nos deixou. A Eucaristia é, ao mesmo tempo, presença, comunhão, missão e compromisso com a vida.

No Evangelho de São João, Jesus afirma: "Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo" (Jo 6,51). Essas palavras revelam que a Eucaristia não existe apenas para ser adorada, mas para ser acolhida e vivida. O Corpo de Cristo é dado para a vida do mundo, para que toda a humanidade encontre nele a fonte da verdadeira vida.

O Magistério da Igreja ensina que a Eucaristia é "fonte e ápice de toda a vida cristã" (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, n. 11). Fonte, porque dela brota toda a graça necessária para a missão da Igreja; ápice, porque para ela convergem todas as ações e atividades do povo de Deus. Toda autêntica espiritualidade cristã nasce da Eucaristia e conduz à Eucaristia.

São João Paulo II, na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, recorda que "a Igreja vive da Eucaristia" (n. 1). A comunidade cristã encontra nesse sacramento sua identidade mais profunda. Ao recebermos o Corpo de Cristo, tornamo-nos Corpo de Cristo no mundo, chamados a prolongar sua presença por meio de gestos concretos de amor, justiça, solidariedade e serviço.

O Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, destaca que a Eucaristia possui uma dimensão social inseparável: "A união com Cristo é também união com todos aqueles aos quais Ele se entrega" (n. 14). Não é possível participar da mesa do Senhor e permanecer indiferente diante do sofrimento dos irmãos. A comunhão eucarística exige compromisso com os pobres, os excluídos, os doentes e todos aqueles cuja dignidade humana é ferida.

O Papa Francisco, por sua vez, recorda que a Eucaristia "não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos" (Evangelii Gaudium, n. 47). Alimentados por esse pão, somos enviados ao encontro das periferias existenciais para testemunhar a misericórdia de Deus.

Já São Paulo ensina: "O pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo" (1Cor 10,16-17). A Eucaristia constrói a fraternidade. Ela derruba barreiras, supera divisões e forma uma comunidade onde todos são chamados a reconhecer-se irmãos.

Por isso, Corpus Christi não é apenas a celebração do Cristo presente na hóstia consagrada, mas também do Cristo presente na história, que continua oferecendo sua vida pela salvação do mundo. Cada procissão deve conduzir a uma caminhada concreta de caridade; cada momento de adoração deve gerar compromisso com a transformação da realidade; cada comunhão recebida deve tornar-nos mais semelhantes a Jesus, pão repartido para a vida dos irmãos.
Celebrar Corpus Christi é reconhecer que o Senhor continua descendo ao encontro da humanidade. Ele se faz alimento para sustentar os cansados, esperança para os desanimados, força para os fracos e amor para aqueles que se sentem abandonados. Quem se alimenta do Pão Vivo é chamado a tornar-se também pão repartido, sinal do Reino de Deus no meio do mundo.

Assim, a Eucaristia não encerra a missão da Igreja dentro dos templos. Ao contrário, ela a impulsiona para as ruas, para as casas, para os ambientes de trabalho e para todos os lugares onde a vida humana precisa ser promovida e defendida. O Cristo que adoramos no altar é o mesmo Cristo que nos espera nos irmãos, especialmente nos mais necessitados. A verdadeira adoração eucarística culmina numa vida oferecida em amor, à imagem daquele que disse: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10).
Na mesma perspectiva, o Papa Leão XIV recordou que a Eucaristia nos educa para a partilha e para a solidariedade. Refletindo sobre a multiplicação dos pães, afirmou: "É assim que Jesus sacia a fome da multidão: faz o que Deus faz e ensina-nos a fazer o mesmo." E acrescentou que, especialmente em nosso tempo, marcado por tantas desigualdades, "somos chamados a partilhar o nosso pão, a multiplicar a esperança e a proclamar a vinda do Reino de Deus." Dessa forma, a Eucaristia não pode permanecer restrita ao espaço litúrgico; ela deve transformar-se em compromisso concreto com a vida, a dignidade humana e a construção da fraternidade

Galiani, José A.