E há lugares que apenas frequentamos. E há lugares que nos formam. A Paróquia São João Batista é um desses lugares. Ao celebrar seus noventa anos de história, não comemoramos apenas a idade de uma comunidade. Celebramos noventa anos de Evangelho vivido, de fé partilhada, de vidas transformadas e de uma Igreja que escolheu permanecer no meio do povo.
Hoje, ao olhar para trás, meu coração se enche de gratidão. Gratidão, antes de tudo, aos pioneiros: aos sacerdotes palotinos e aos inúmeros leigos e leigas que sonharam esta comunidade, ergueram suas paredes e, sobretudo, construíram uma Igreja viva, feita de pessoas, de oração e de serviço.
Com alegria e um legítimo orgulho, posso dizer: "Sou da São João!"
Há trinta e quatro anos esta paróquia é parte da minha história e da história da minha família. Aqui aprendi que evangelizar é muito mais do que falar de Jesus; é colocar a própria vida a serviço do Reino de Deus.
Quantas experiências cabem em três décadas! Limpar a igreja antes das celebrações, preparar a catequese, proclamar a Palavra como leitor, tocar nas missas, pregar retiros e encontros, formar pais e padrinhos, acompanhar casais no Curso de Noivos, servir o ECC, estudar e ensinar o Catecismo da Igreja Católica, apresentar os documentos da Igreja, refletir sobre os textos-base da Campanha da Fraternidade, conduzir retiros para Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, promover formações para os leigos da Fé e Política, preparar pequenas encenações para ajudar as crianças a compreenderem o Evangelho, organizar teatros com os jovens durante a Semana Santa, caminhar nas procissões anunciando Cristo pelas ruas, animar comunidades, participar dos conselhos pastorais, trabalhar nas festas do mês de maio...
Poderia continuar enumerando tantos outros serviços. Mas, olhando hoje, percebo que nenhum deles foi um peso. Todos foram um privilégio. Servir à Igreja nunca me empobreceu; ao contrário, fez de mim uma pessoa melhor.
Ao longo desses anos, tive a graça de conviver com cerca de nove párocos. Cada um tinha seu jeito, sua personalidade, seus dons e desafios. Nenhum era igual ao outro. Mas todos tinham algo em comum: eram homens de Deus. Sacerdotes palotinos que acreditavam na força do laicato e abriam espaço para que cada batizado pudesse colocar seus dons a serviço da comunidade. Pastorearam nosso povo com fé, esperança e caridade. A todos, minha sincera gratidão.
Quando penso na Paróquia São João Batista, não vejo apenas um templo. Vejo um lugar onde crianças foram batizadas, jovens descobriram sua vocação, casais iniciaram suas famílias, idosos encontraram consolo e tantos irmãos despediram-se desta vida sustentados pela esperança da ressurreição.
A Igreja esteve presente em nosso bairro quando havia motivos para sorrir e também quando as lágrimas pareciam não ter fim. Esteve nas casas, nas ruas, nas capelas, nos salões, nas festas, nas missões, nas celebrações simples e nas grandes solenidades. Sempre anunciando que Deus caminha conosco.
Noventa anos não pertencem apenas ao passado. São uma responsabilidade para o futuro. Cada geração recebeu a fé como um dom e tem o compromisso de transmiti-la à geração seguinte. Agora cabe a nós manter acesa essa chama que tantos, antes de nós, conservaram com sacrifício, oração e amor.
Minha gratidão não nasce apenas das lembranças. Nasce da certeza de que Deus escreveu uma parte importante da minha história dentro desta comunidade. Tudo o que pude oferecer foi pequeno diante de tudo o que recebi.
Parabéns, Paróquia São João Batista, pelos seus noventa anos de evangelização. Que São João Batista continue apontando para Cristo, como sempre fez: "É preciso que Ele cresça."
E que, muitos anos depois de nós, outras pessoas possam olhar para esta mesma comunidade e dizer, com o mesmo brilho nos olhos e a mesma alegria no coração:
"Também eu sou da São João!"