quinta-feira, 9 de julho de 2026

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

A cena durou poucos segundos. Bastaria um piscar de olhos para perdê-la. Mas há cenas que, mesmo rápidas, permanecem para sempre gravadas na consciência.

Um homem sua filha e entradi caminhavam pela calçada. Nas mãos, sacolas plásticas denunciavam que voltavam das compras. 

Uma criança. Pequena. Silenciosa. Apenas caminhava.

Nada indicava perigo. Nenhuma discussão. Nenhum choro. Nenhuma desobediência aparente.

De repente, sem aviso, o homem ergueu a perna e desferiu um chute violento na criança. O pequeno corpo foi lançado ao chão como se não tivesse valor algum. Não era um brinquedo que caía. Era uma vida.

O mundo não parou.

Os carros continuaram passando. Algumas pessoas olharam rapidamente. Outras fingiram não ver. Um cidadão fez a intervenção.

Foi impossível não pensar: assim caminha a humanidade.

Uma humanidade que perdeu a capacidade de se indignar. Que naturaliza a brutalidade. Que chama de "educação" aquilo que é agressão. Que acredita que a força substitui o amor e que o medo educa melhor do que o carinho.

O chute não atingiu apenas uma criança. Atingiu todos nós. Feriu a esperança de que as novas gerações cresçam cercadas de cuidado. Feriu a própria dignidade humana.

Enquanto crianças forem tratadas como objetos sobre os quais os adultos descarregam suas frustrações, nossa civilização continuará doente. Nenhum progresso tecnológico, nenhuma riqueza, nenhum discurso religioso ou político poderá esconder essa vergonha.

Uma sociedade é medida pela forma como trata seus pequenos, seus frágeis e seus indefesos. Quando um adulto levanta o pé contra uma criança, é toda a humanidade que cai junto.

E talvez o mais assustador não seja o chute.

Seja o silêncio.

Porque o silêncio dos que veem, dos que justificam e dos que se acostumaram é o terreno onde a violência cria raízes.

Assim caminha a humanidade... e, se não aprendermos a proteger nossas crianças, caminharemos cada vez mais depressa para o abismo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário