Há exatamente um ano, 03/07/2025, minha mãe, Clélia Thereza Ciambroni Galiani, fez sua Páscoa. A palavra "Páscoa" é bonita porque não fala apenas de partida; fala de passagem. Para nós, que ficamos, permanece a saudade. Para quem viveu na fé, permanece a esperança de um encontro definitivo com Deus.
Ao longo deste primeiro ano, muitas vezes senti que a ausência física nunca consegue vencer a força das lembranças. Elas aparecem nos gestos mais simples, nas palavras que ela costumava dizer, nos valores que nos transmitiu e na maneira como nos ensinou a viver. O tempo não apaga uma mãe. Apenas transforma sua presença. Ela deixa de ser vista pelos olhos e passa a ser encontrada no coração.
Antes, porém, de recordar as mulheres da Bíblia, é importante dizer que não escrevo estas linhas para santificar minha mãe ou colocá-la num pedestal. Ela foi uma mulher de carne e osso, marcada, como todos nós, pelas limitações da condição humana. Teve virtudes admiráveis, mas também conheceu suas fragilidades, seus pecados, suas quedas e suas misérias. Em sua história também houve noites escuras, momentos de dor, dúvidas, conflitos e trevas. Como todos nós, precisou aprender, pedir perdão, recomeçar e confiar na misericórdia de Deus. Afinal, Deus não escreve sua história apenas com pessoas perfeitas, porque elas não existem. Ele realiza sua obra por meio de homens e mulheres que, entre acertos e erros, permitem que sua graça os transforme. É desse modo que me recordo de minha mãe: não como alguém sem defeitos, mas como uma mulher que procurou viver, lutar, recomeçar e amar dentro das possibilidades e dos limites de sua humanidade.
Quando penso em minha mãe, vejo nela um pouco das grandes mulheres da Bíblia. Como Maria, mãe de Jesus, viveu a humildade e fez de sua vida um constante "sim" ao amor, à família e à vontade de Deus. Sem alarde, mostrou que a grandeza está no serviço e na capacidade de cuidar.
Como Rute, foi fiel. Fiel à família, aos amigos, aos compromissos assumidos e aos princípios que jamais negociou. Sua lealdade era um porto seguro para todos os que conviviam com ela.
Também carregava a coragem de Ester. Nem sempre as batalhas eram visíveis, mas ela enfrentou com dignidade as dificuldades que a vida lhe apresentou. Sua força nunca foi feita de palavras grandiosas, mas da serenidade de quem confia em Deus.
Havia nela a sabedoria de Débora. Quantas decisões foram iluminadas por seus conselhos! Quantas vezes sua experiência ajudou a encontrar caminhos quando tudo parecia confuso! Sua palavra era firme, mas sempre acompanhada pelo carinho de quem desejava apenas o bem.
Como Ana, conhecia o poder da oração. Muitas das bênçãos que recebemos certamente passaram por suas preces silenciosas, feitas com o coração de mãe que nunca deixa de confiar na providência divina.
E como Marta, dedicou-se incansavelmente ao cuidado da casa, da família e de todos que precisavam de acolhida. Mas também tinha algo de Maria de Betânia: sabia que o amor vale mais do que qualquer riqueza e que a verdadeira felicidade nasce de um coração que sabe escutar e amar.
Hoje compreendo que essas mulheres bíblicas não pertencem apenas às páginas da Sagrada Escritura. Elas continuam vivendo na história de tantas mulheres simples e extraordinárias, como minha mãe. Em Clélia, elas encontraram um novo rosto. Um rosto marcado pela ternura, pela firmeza, pela fé e pelo amor, mas também pela luta diária para vencer suas limitações. Talvez seja justamente isso que torna seu testemunho tão belo: Deus não agiu apesar de sua fragilidade, mas através dela. Sua vida recorda que a graça de Deus não elimina nossa humanidade; ela a transforma e a conduz.
Neste primeiro aniversário de sua Páscoa, a saudade continua presente, mas já não caminha sozinha. Ela vem acompanhada da gratidão. Gratidão pelo dom de sua vida, pelos ensinamentos que deixou, pelo amor que distribuiu sem medidas, pelos perdões que concedeu e recebeu, pelas vezes em que caiu e se levantou, e pelo exemplo que continua iluminando nossos passos.
Tenho saudade de sua voz, de seu sorriso, de sua presença. Mas, acima de tudo, agradeço a Deus pelo privilégio de ter sido seu filho. O amor de uma mãe não termina com a morte. Ele atravessa o tempo, vence o silêncio e permanece vivo naqueles que aprenderam, por meio dela, o verdadeiro significado da palavra amor.
Que Deus a tenha acolhido no abraço eterno reservado aos seus filhos e filhas. E que um dia, pela infinita misericórdia do Senhor, possamos nos reencontrar, quando toda saudade dará lugar à alegria sem fim. Até lá, sua vida continuará sendo um evangelho vivido no cotidiano, escrito não com a perfeição dos impecáveis, mas com a beleza de quem nunca desistiu de amar.
Obrigado, mãe, por ter sido a mulher que Deus escolheu para me dar a vida. Obrigado por tudo o que foi, pelo bem que realizou, pelas marcas que deixou em nossa família e até pelas fragilidades que me ensinaram que todos somos necessitados da graça. Seu nome, Clélia Thereza Ciambroni Galiani, permanecerá para sempre gravado não apenas em nossa memória, mas em nossa maneira de viver, amar e acreditar. Que o Senhor, rico em misericórdia, lhe conceda o descanso eterno e faça resplandecer sobre ela a luz que não tem fim.
José Antonio Galiani
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