domingo, 3 de março de 2013

PEDAGOGIA HUMANISTA - Parte I


CAPÍTULO IV

PEDAGOGIA HUMANISTA

O capítulo que iniciamos e os que o antedeceram despontam como uma possibilidade de orientar posicionamentos que visam quebrar paradigmas do pensamento tradicional do que seja o ato de educar.

Em Célestin Freinet, teórico tomado como base de uma proposta pedagógica humana, o ser humano aprende fazendo e faz aprendendo, no espaço em que vive, através das técnicas descritas no capítulo terceiro. Tal entendimento acha-se em consonância com a compreensão do homem como sujeito de seu aprender e isso se dá pelo tato experimental do que aprende com o que quer aprender e, sobretudo, que o aprender e experimentar se processam de forma cooperativa, conjunta.  Tais dimensões balizam condutas educacionais e filosofias da educação como geradoras de espaços de reflexões e práticas, nos quais os alunos de qualquer nível de escolarização, possam abrigar essas possibilidades de ser com os outros, junto às coisas e consigo mesmo.

Esse capítulo reflete a possibilidade de uma proposta pedagógica humana para o século XXI e tem na premissa apresentada por Hannah Arendt, no seu livro Entre o passado e o futuro, publicado em 1954, “[...]a essência da educação é a natalidade, o fato de que seres humanos nascem para o mundo” (2000, p.223) o principio básico para entender o que nessa monografia se diz por proposta pedagógica humana para o século XXI. Entenda-se como proposta pedagógica humana a educação como prática de inserção das pessoas num dado contexto cultural e histórico.

Pedagogia Humanista


CAPÍTULO IV  /  PEDAGOGIA HUMANISTA

O capítulo que iniciamos e os que o antedeceram despontam como uma possibilidade de orientar posicionamentos que visam quebrar paradigmas do pensamento tradicional do que seja o ato de educar.

Em Célestin Freinet, teórico tomado como base de uma proposta pedagógica humana, o ser humano aprende fazendo e faz aprendendo, no espaço em que vive, através das técnicas descritas no capítulo terceiro. Tal entendimento acha-se em consonância com a compreensão do homem como sujeito de seu aprender e isso se dá pelo tato experimental do que aprende com o que quer aprender e, sobretudo, que o aprender e experimentar se processam de forma cooperativa, conjunta.  Tais dimensões balizam condutas educacionais e filosofias da educação como geradoras de espaços de reflexões e práticas, nos quais os alunos de qualquer nível de escolarização, possam abrigar essas possibilidades de ser com os outros, junto às coisas e consigo mesmo.

Esse capítulo reflete a possibilidade de uma proposta pedagógica humana para o século XXI e tem na premissa apresentada por Hannah Arendt, no seu livro Entre o passado e o futuro, publicado em 1954, “[...]a essência da educação é a natalidade, o fato de que seres humanos nascem para o mundo” (2000, p.223) o principio básico para entender o que nessa monografia se diz por proposta pedagógica humana para o século XXI. Entenda-se como proposta pedagógica humana a educação como prática de inserção das pessoas num dado contexto cultural e histórico.

A natalidade a que se refere Arendt é a que brota do conflito vivido em sociedade, uma vez que esta é uma colcha de retalho de diferentes culturas, e é onde se dá o existir humano. A concepção de uma pedagogia humana, aqui trabalhada, caracteriza-se como a possibilidade de, pela educação, fazer o homem parte do todo, que prima como um ser político e para tal requer uma ética, princípios e valores que norteiem sua reflexão e ação. Essa perspectiva, valorativa de ação e reflexão questiona sem sombra de dúvidas, as práticas e políticas educacionais adotadas no Brasil, descritas nos recortes históricos do capítulo primeiro deste trabalho.

Essa monografia não tem como objetivo analisar os diferentes períodos da educação, mas apontar um caminho pedagógico que construa o homem mais humano; mesmo que perifericamente podemos dizer que até o atual momento, a educação no Brasil viveu e vive uma constante busca, busca de caminhos, busca de soluções, busca de identidade. A busca é sinônimo de crise e a crise é condição para alçar novas conquistas ou, como diz Arendt, a natalidade.

Educar humanamente é deixar nascer caminhos que superem os limites impostos pelo social, pelo econômico e pelo político de maneira que a arte de educar trilhe um caminho constante de construção e desconstrução, assim como o humano é, idéia que ecoa na literatura de Guimarães Rosa ao conceituar o humano: "Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão" (ROSA, 1986, p.21).

O século XXI exige um movimento constante de construção de paradigmas e estes não podem incorporar regras estáticas como no passado próximo que engessou a educação pelos dualismos vividos – razão/imaginação, utilitarismo/lazer, conceptismo/cultismo,      ciências humanas/ciências exatas, Dionísio/Prometeu, Oriente/Ocidente, paranóia/metanóia, corpo/alma.

Em nosso país como em todos os cantos, o cartesianismo (séc. XVII - René Descartes), como o positivismo (séc XVIII - Augusto Comte) contribuíram com suas filosofias racionalistas, com a supervalorização do progresso material, da ordem e da disciplina desencadeando no século XIX a construção de um homem extremamente preocupado com a funcionalidade, com o utilitarismo, o burocrático e o tecnocrático. Essa filosofia educacional colocou o homem num pedestal seguro, porém negou-lhe a humanidade e o ser social que é.

A negação do que é o homem, de sua capacidade intuitiva, ontológica e imaginativa dá o ponto de partida de Freinet. Como vimos no capitulo dois, Célestin Freinet propõe como base fundamental da pedagogia a atividade experimentada pela criança dentro de seu espaço de vida. É pelos numerosos tateamentos que ela aprende a contar, somar, narrar, comparar, analisar, sintetizar...

A herança do século XVII é a de não perder tempo. Isto é, não perder dinheiro. O Brasil, da ordem e progresso, assume essa mesma filosofia e crava na história da educação alicerces doutrinários e moralistas. Prática evidenciada, por exemplo, na escola nos textos didáticos como afirma AVERBUCK referindo-se à arte e a poesia: “[...] numa organização selada pelo utilitarismo cada criança deve aprender a não perder seu tempo, nem tomar o de seus professores [...] a poesia e a arte, em geral, participam dessas áreas não-lucrativas onde se inserem as atividades prazerosas e lúdicas, excluídas do programa de vida de uma sociedade voltada para o ganho” (1988. p. 66).

Uma ação pedagógica humana não é a da desordem e da indisciplina. Em Freinet, a pedagogia humana é uma ação e reflexão que passa pela experiência, pela cooperação e pelo aprendizado. A atitude de ordenar, de separar, de engavetar e de rotular eternamente as idéias, afetos e sonhos, apenas para os manter com aparente segurança e domínio da realidade, não leva a nenhum crescimento porque impede ao ser humano sua natural abertura ao surgimento do novo. Freinet, ao propor a utilização do meio como eixo central do aprendizado, possibilitou que os alunos se sentissem motivados e agentes do processo. Isso fez com que eles criassem significados, desenvolvessem a crítica, a colaboração e valores sociais.

A educação no Brasil e em muitas partes do planeta, através da escola, nega o humano e reduz o seu potencial criativo como afirma Freinet (1998, p. 9) “[...] persegue os indivíduos obstinados em subir pelos caminhos que não considera normais”.

O pensamento racionalista que divide, subdivide, agrupa, reagrupa, fragmenta, ausculta, analisa, pesa, mede e avalia oferece uma educação em migalhas, “migalhas de pão espremidas e enroladas” (FREINET, 1998, p. 31) e na mesma obra citada, a pedagogia humana aqui defendida, Freinet, o pedagogo do bom senso, sobrenaturalmente profetiza:


“Migalhas de leituras, caídas de uma obra que ignoramos e que tem gosto de pão que ficou ressecando nas gavetas e nos sacos.
Migalhas de história, umas bolorentas, outras mal cozidas, e cujo amálgama é um problema insolúvel.
Migalhas de matemática e migalhas de ciências, como peças de máquinas, sinais e números que uma explosão tivesse dispersado e que nos esforçamos para montar, como um quebra-cabeça.
Migalhas de moral, como gavetas que mudamos de lugar, no complexo de uma vida de infinitas combinações.
Migalhas de arte [...]
Migalhas de aula, migalhas de horas de trabalho, migalhas de pátio de recreio [...]
Migalhas de homens!” (op. cit., p. 31)

Assim como a história da Educação no Brasil, as práticas pedagógicas nos diferentes tempos foram fragmentadas e reproduziram os interesses políticos dos governantes. Estes assumiram o controle do ato de educar, fizeram, pois da educação um instrumento de manipulação a partir dos interesses próprios em vistas dos próximos pleitos eleitorais, ou pior, em vista de interesses militares e antidemocráticos, como no período Governamental Militar vivido no Brasil. Frente a esses desmandos e a fragmentação da educação há que se perguntar:

“[...] se essa ‘ciência da escada’, compartimentos obscuros do saber, do sentir e do sonhar, degrau por degrau, com o mesmo ritmo e a mesma distância niveladora de toda individualidade, não seria uma falsa ciência e se não haveria caminhos mais rápidos e mais salutares, em que se avançasse por saltos e longas passadas. Se não haveria, segundo a imagem de Vitor Hugo, uma pedagogia das águias que não sobem pelas escadas” (ibidem, ibidem, grifo do autor).

Por longos séculos, a educação esteve engessada e engessou gerações que hoje mergulhadas num mundo globalizado não compreendem o que acontece, um mundo capaz de fazer que todos os saberes penetrem em todos os lugares e um mundo onde a lógica do consumo destrói a cultura. Na era da comunicação, a palavra permanece, mas esvaziada de qualquer idéia de formação, de abertura para o mundo e de cuidado da alma “[...] Já não se trata de transformar os homens em sujeitos autônomos, mas de satisfazer seus desejos imediatos, de diverti-los ao menor preço possível” (FINKIELKRAU, 1988 p. 128).

No livro O valor de educar, temos o que poderia encerrar essa reflexão sobre a herança histórica da educação no Brasil, herança de uma proposta que tira o protagonismo do homem, tornando-o um sujeito passivo frente ao mundo que o cerca e, sobretudo, fazendo da educação um instrumento de manipulação em favor de uma minoria mandante na sociedade em detrimento do coletivo. O autor SAVATER citando Russel e Foucault exprime o que significou uma educação centrada no dualismo medieval, no racionalismo e positivismo “Há mais de seis décadas Bertrand Russel advertiu que ‘tem sido costume da educação favorecer o Estado, a própria religião, o sexo masculino e os ricos’. E recentemente Michel de Foucault mostrou as engrenagens segundo as quais todo saber e também sua transmissão estabelecida mantêm uma vinculação com o poder, ou melhor, com os vários poderes difundidos que atuam normalizadora e disciplinarmente no campo social” (SAVATER, 1988, p. 64).

O século XXI desabrocha no contexto em que as coisas se destroem, a anarquia pura anda à solta pelo mundo, espalha-se a maré de tons sanguinolentos, e por toda parte a cerimônia da inocência se afoga, os melhores carecem de toda convicção, enquanto os piores estão cheios de apaixonante intensidade. Frente a esse quadro da humanidade perguntamos: o que fazer?

Recorrendo ao grande educador brasileiro Paulo Freire (1996 p. 126-127), temos: “Se a educação não é a chave das transformações sociais, não é também simplesmente reprodutora da ideologia dominante. O que quero dizer é que a educação nem é uma força imbatível a serviço da transformação da sociedade, porque assim eu queira, nem tampouco é a perpetuação do ‘status quo’ porque o dominante decrete. O educador e a educadora críticos não podem pensar que, a partir do curso que coordenam ou do seminário que lideram, podem transformar o país. Mas podem demonstrar que é possível mudar. E isto reforça nele ou nela a importância de sua tarefa político-pedagógico”.

Podemos afirmar então, que a tarefa político-pedagógico do educador/educadora de Freire é em Freinet (1989, p. 280) a capacidade “para continuar na escuta misteriosa da vida” ou seja, respeitar o intuitivo do aluno. “Este sentido intuitivo não tem senão um inconveniente para os demagogos, o de não ser mensurável com o padrão material, indigente e falso da escola”.


Esse sentido intuitivo que nos conecta à escuta misteriosa da vida é também o que nos impulsiona a acreditar numa proposta educativa humana que desperte o ser humano que  todos temos dentro de nós. Trata-se, afinal, de aprender a viver como seres humanos, de aprender a amar e ser livres, de despertar uma nova consciência encaminhada para a transformação de uma sociedade humana e racional, na qual os homens sejam capazes de determinar livremente qual é o sentido de suas vidas, como querem viver.

A superação de uma educação produtivista e utilitarista, do homem maquinizado encontra uma ruptura na percepção globalizante de Freinet (1985 p.104)  sobre a educação e a totalidade do ser humano, quando afirma “ [...] As crianças têm necessidade de pão, do pão do corpo e do pão do espírito, mas necessitam ainda mais do seu olhar, da sua voz, do seu pensamento e da sua  promessa. Precisam sentir que encontraram, em você e na sua escola, a ressonância de falar com alguém que as escute, de escrever a alguém que as leia ou as compreenda, de produzir alguma cosia de útil e belo que é a expressão de tudo o que trazem nelas de generoso e de superior”. Com isso a pedagogia freinetiana transformou as dificuldades em desafios e criou um novo cenário que potencializou os alunos para a auto-aprendizagem. O diferencial de Freinet foi valorizar a função do meio de forma a abrir os canais de comunicação através da socialização dos produtos da aprendizagem transformando o aluno em comunicador permitindo, assim ao aluno, a descoberta da projeção social de sua palavra quando comunicada.

A proposta de uma pedagogia humanista é entre tantas visões uma prática social de educar e é por ela que estamos caminhando. Há, pois nessa perspectiva, novos relacionamentos ou modos mais consistentes de nos relacionarmos com as pessoas e com o mundo. A pedagogia de Freinet representa um modo peculiar de ver e de realizar a prática educativa na escola, contraposta à “pedagogia tradicional”. Diferentes visões decorrem da leitura dessa teoria, numa perspectiva liberal, a pedagogia de Freinet, enfatiza o desenvolvimento da liberdade e da criatividade pessoal. Na perspectiva marxista reforçaria a dimensão do trabalho como princípio educativo. Nessa monografia o enfoque é o caráter revolucionário da proposta pedagógica de Freinet, que chamamos de Pedagogia Humana, no sentido já descrito de uma educação que interfira na vida pessoal e, em conseqüência, no espaço de vida desse aluno.

Uma educação humana em Freinet é desenvolver plenamente no aluno o potencial que possui, aprimorando suas características, tendo como concepção o bem estar e a dignidade do aluno como ser humano. A trajetória de vida de Célestin Freinet, como já vimos nos capítulos anteriores, testemunha essa dimensão: seu envolvimento político e as perseguições sofridas desencadearam, por exemplo, a criação de cooperativas por onde ensinava a solidariedade dentro da escola. Experiência coroada como uma educação democrática, onde todos tinham voz para opinar, construía-se assim o significado de justiça e, acima de tudo, ensinava os alunos a serem mais humanos. Com essa postura ganha crédito e amplia seus horizontes, através de uma educação preocupada em aperfeiçoar e desenvolver as potencialidades de cada um, como um ser livre e crítico apropriando-se da sua vida humana por completo, assimilando a cultura em que vive e a cidadania.

Para Freinet, educar humanamente é, sobretudo, aprimorar-se da cultura e da cidadania, dimensões norteadas na Lei de Diretrizes de Base da Educação Nacional no Título I, Artigo 1° e parágrafos 1° e 2°:

Art. 1°.A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
§ 1º. Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.
§ 2º. A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.

O século nascente exige, pois, que a prática educativa seja humana, democrática, pluralista, aberta e crítica e, a exemplo das técnicas aplicadas por Freinet, descritas no capítulo terceiro dessa monografia, seja sensível e atenta às diferenças e necessidades culturais e até mesmo individuais do aluno. A prática adotada por Freinet propõe a libertação dos alunos, libertação da ignorância, do preconceito, do capricho, da alienação e da falsa consciência de sua pertença ao mundo. Na proposta freinetiana, a visão humana de educar, aqui dissertada, leva em conta a autenticidade pessoal, a auto-realização e o ambiente democrático que é construído no espaço escolar e no espaço em que vive o aluno.

Uma proposta humana de educar conta, sobretudo, com o respeito à natureza interior do aluno, assim fez Freinet e criou meios para que tal natureza desabrochasse de forma saudável e plena. Em sua natureza interior, o aluno é livre e pensante, por isso a educação deve respeito ao que é o aluno e não obrigá-lo a aceitar verdades alheias, mas sim dar a ele a opção de escolha, dando-lhe oportunidades de criar sua própria identidade e traçar os seus projetos de vida.

A dimensão política da pedagogia de Freinet engendra para o século XXI o desafio de trabalhar o cotidiano do aluno, para isso o educador deve ter uma visão emancipada de todos os problemas sócio-culturais, transmitindo e criando oportunidades para que os alunos estejam capacitados criticamente, tendo consciência e autocontrole de suas próprias vidas, assim poderiam interferir no espaço social em que vivem. Nesse contexto, a escola passa a ser um espaço democrático com o objetivo de ensinar os alunos a respeito do que é viver em uma sociedade justa e humana independente da raça, classe, sexo ou idade. Para tanto, da prática freinetiana de educar concluímos que a escola precisa ser um espaço de confiança, de diálogo, de respeito, de tolerância, de zelo, de liberdade, de compromisso e responsabilidade.

Vivamos com se tudo dependesse de nós, porém assistidos pela graça de Deus e nossos frutos sejam frutos de Deus, de bondade.


EVANGELHO DO 3º DOMINGO DA QUARESMA -  Lucas 13, 1-9

 Curioso o texto do evangelho de hoje. Curioso no sentido de comparar atuais galileus com os antepassados, e ambos no mesmo nível de acolhimento de Deus.  Por isso, a história da vinha que deve ser cortada por não dar frutos e ocupar a terra inutilmente é para que pensemos em nós. Em contraposição à lógica de que o que não produz não presta, o evangelho sinaliza a possibilidade de oportunidade para adubar a vide para que ela produza, porém se isso não ocorrer sua eliminação é pertinente. Coloquemo-nos no lugar da vide que não produz e sintamo-nos prestes a ser cortados e jogados fora. Quem deseja isso? Não desejamos não produzir frutos, mas a fragilidade humana nos limita e pode nos tornar infrutíferos. Como Moisés devemos responder, ao Deus que nos fala: “Eis-me aqui!” (Ex 3, 1-8. 13-15), e nossa busca deve ser  pela constante presença e vida em Deus e como afirma Paulo 1 Cor 10,1-6.10-12 “a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles a cobiçaram”. Vivamos  com se tudo dependesse de nós, porém assistidos pela graça de Deus e nossos frutos sejam frutos de Deus, de bondade.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Segundo Domingo da Quaresma

O evangelho deste domingo é o de Lucas cap. 9, versículos 28b ao 36, onde temos a narrativa da transfiguração de Jesus. É um evangelho que Jesus está catequizando seus discípulos, particularmente Pedro, Tiago e João. A cena acontece no monte, lugar de manifestação de Deus. Reluzente, Jesus conversa com Moisés e Elias. Moisés é a Aliança Antiga e, Elias profeta para denunciar e anunciar a fidelidade à Aliança. O próprio Jesus é centro da cena e protagoniza a plenitude dos tempos. Jesus catequiza sobre sua morte, o que gera medo "sono = dormiam". Pedro, solicito, propõe a construção de tendas, como que se o mestre estivesse delirando ao falar de sua morte e necessitasse de repouso. Uma nuvem os toma totalmente, impedindo-os de enxergarem-se. E, nesse quadro de cegueira se ouve uma voz: "Este é meu Filho amado, ouvi-o". Assim, nós diante da cegueira humana às realidades de Deus em nossa vida, somos convidados a acolher a voz do Filho de Deus amado. É no ouvir o Filho Amado que nossa cegueira, medo, dor, sono serão superados. Pela Palavra amadurecemos e envolvidos pela nuvem de Deus somos capazes de não nos ver na dor, no sofrimento e, nos encontramos na provação com a mesma atitude de Abraão (Gen 15, 5-12. 17-18), a atitude de Fé e mesmo que fossemos capazes de contar as estrelas do céu, não teríamos o poder de Deus sobre ela e sobre nós; ouvir o Filho amado é assumir com Paulo (Fil 3,17-4,1) a identidade de "cidadãos dos céus" e nossa certeza vem da anciosa esperança de que em Jesus seremos transformados, não nos deixando abater, não nos entregando a negatividade e a tristeza e, veremos sempre o lado bom das pessoas e dos acontecimentos.

J. A. Galiani

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O Espírito Santo nos livra de todo mal.


EVANGELHO DE LUCAS 4, 1 -13
Estamos diante de um texto que nos garante presença de uma força permanente. Numa sociedade que vive “o coisa ruim” o tempo todo, em que as pessoas são pelos “pastores”, “igrejas” e “líderes” ludibriados pela busca de cura, de milagre, de solução dos problemas, a Fé no poder de Deus não pode se render à voz do “demônio”. Jesus demonstra exatamente isto. Ele não se rende aos desafios e soluções fáceis apresentadas entre as águas do Jordão e o deserto. Assim, também é nossa vida, hora estamos no bom dia, da saúde, da prosperidade e, hora na aridez do deserto em que tudo dá errado. O que garantiu a força de Jesus foi o Espírito Santo: “cheio do Espírito Santo ... foi levado ... o demônio apartou-se dele”. Não devemos nos render ao Poder Político, nem testar o Poder Divino sob o comando do “coisa ruim”. Ao poder político nossa resposta é a generosidade e o serviço. Ao poder divino nossa atitude é de temor e testemunho. Cheios do Espírito Santo poderemos como Jesus enfrentar da abundância da vida que brota das águas à infertilidade da aridez do deserto que nos mergulha no vazio do existir. O texto do evangelho de Lucas nos proporciona uma reflexão e atitudes que repudiem o poder pelo poder e nos compromete com escolhas que valorizam o que é espiritual em detrimento do material. Nossa certeza está na mão poderosa e vigor de nosso Deus que “Conduziu-nos a está terra que mana leite e mel” (Dt 26,4-10). Esta confissão de que “Jesus é o Senhor” é a garantia de nossa vitória e, por ela nos “chega a salvação” (Rm 10,8-13).

J.A. Galiani

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A eleição de um Papa é sobretudo o exercício de um discernimento espiritual eclesial.


Caro amigo, querida amiga.
No momento em que escrevo, os meios de comunicação noticiam com grande surpresa o anúncio da renúncia do nosso amado Papa Bento XVI. Não tive tempo sequer de ler o comunicado oficial. Certamente, a partir de agora, começarão a surgir as já costumeiras especulações sobre a eleição do novo Papa: as velhas notícias sobre lutas internas no Colégio Cardinalício, as repetidas teorias de conspiração, de acordos e de negociações entre as tendências progressistas e tradicionalistas. Sei que tentar afirmar que tudo isso é a mais triste conjectura sem base na realidade equivale a um “pregar no deserto”. Por isso, partilho com vocês uma experiência pessoal na tentativa de oferecer outro ponto de partida para entender o que é a eleição de um Papa. Em 2010, participei da Assembleia Geral da Sociedade do Apostolado Católico (padres e irmãs palotinos) em Roma. Foram 25 dias de trabalhos e de deliberações. Essa Assembleia tinha como uma das tarefas principais a eleição do novo Superior da nossa Congregação. Era a primeira vez que tomava parte de uma eleição desse tipo, por isso estava bastante inseguro. Não conhecia todos os membros da Assembleia, não tinha recebido nenhuma lista de candidatos, não havia ninguém que se apresentava para postular o cargo. Como escolher? Quem escolher? Enquanto a Assembleia seguia os seus trabalhos, minha inquietação aumentava. Quando chegou o momento de iniciar o processo de eleição, começamos um retiro. Confesso que achei que um retiro não era a melhor forma de começar uma eleição. Achava que seria mais proveitoso se pudéssemos fazer reuniões por grupos para tentarmos definir uma lista de candidatos ao cargo. O retiro exige silêncio e oração. Seria esse o momento mais adequado para um retiro? O pregador do retiro então nos exortou a confiar nessa dinâmica. A escolha de um superior não deveria seguir a mesma lógica das eleições políticas que todos nós conhecemos. Ele nos desafiou a fazer da eleição do nosso futuro superior um exercício de discernimento espiritual comunitário e eclesial. A nossa eleição deveria ser guiada pelo Espírito Santo e por isso não poderia seguir as mesmas práticas das campanhas políticas: formação de grupos de apoio, propaganda de programa de governo, alianças, negociações de interesses partidários. Fiquei surpreso com a simplicidade das regras que devíamos seguir. Ei-las. 1. Ninguém podia se apresentar como candidato. 2. Ninguém podia fazer campanha em favor ou contra alguém. 3. Era proibido formar grupos de apoio. 4. Os eleitores podiam quebrar o silêncio para fazer suas consultas. 4. Nessas consultas devíamos procurar alguém que conhecesse bem o eventual candidato e perguntar sua opinião sobre a idoneidade dele. 5. Quando alguém fosse indagado sobre um eventual candidato, deveria responder objetivamente e em base ao seu conhecimento pessoal, descrevendo as qualidades que o habilitavam a assumir o cargo ou a falta delas. Durante o retiro notei que todos os eleitores rezaram muito. Na capela, durante todo o tempo, os eleitores se revezavam na adoração ao Santíssimo. Como o lugar que estávamos tinha outras capelas, aproveitei também para visitá-las. Em todas elas havia gente rezando. Fiz algumas consultas e fui também consultado. Tais consultas eram sempre precedidas e seguidas de oração. Percebi que os eleitores se preocupavam em buscar o conhecimento da vontade de Deus. O critério de escolha, portanto, não era o da conveniência dos interesses ou da ideologia política. No dia seguinte, o primeiro escrutínio abriu os trabalhos do dia. Depois da missa, da oração da manhã e da invocação ao Espírito Santo, os eleitores caminharam, um a um, para depositar seu voto na urna. O silêncio da Assembleia estendia o clima de oração do dia anterior para dentro da primeira sessão de votação. Estavam previstas outras sessões de votação, uma vez que só podia ser eleito para superior o membro que alcançasse a maioria absoluta. Quando foram apurados os votos, veio a surpresa: tínhamos um superior na primeira sessão de votação! A presidência da Assembleia teve que apressar os preparativos para a cerimônia de posse do novo superior, uma vez que não esperava uma eleição tão rápida. Até hoje tenho viva a memória dessa experiência de discernimento espiritual. Ela é para mim uma prova de que para eleger um papa o mais decisivo é a busca da vontade de Deus na oração. Cada dia me convenço mais de que a forma de nossa eleição foi acertada. Acompanhando o trabalho do Superior que nós elegemos, percebo que, de fato, era ele a pessoa querida por Deus para guiar a nossa congregação. Caro irmão, querida irmã, existe uma alternativa! A eleição de um Papa é sobretudo o exercício de um discernimento espiritual eclesial. Por isso, gostaria de convidá-lo(la) a participar desde já da eleição do próximo papa rezando muito. Essa é a forma mais eficaz, participativa e decisiva da eleição na Igreja. Convido também a rezarmos juntos pelo Papa Bento XVI. Deus o abençoe por todo o bem que ele fez e continuará fazendo para nossa Igreja.

Dom Julio Endi Akamine - Região Episcopal LAPA - Arquidiocese de São Paulo, post no Facebook 11/02/13.

Cinco cardeais brasileiros devem participar de eleição do próximo papa


Cinco cardeais brasileiros devem participar de eleição do próximo papa
Cinco cardeais brasileiros deverão participar do conclave que se reunirá para eleger o sucessor do papa Bento 16.

Segundo a última lista do Vaticano, atualizada há duas semanas, há um total de 119 cardeais aptos a votar no conclave.

Para poder votar na escolha do papa, o cardeal precisa ter menos de 80 anos.

O Brasil tem um total de nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas cinco deles já ultrapassaram a idade limite.

Os cardeais brasileiros que poderão votar são dom Cláudio Hummes, de 78 anos, ex-arcebispo de São Paulo e atual prefeito emérito da Congregação para o Clero, dom Geraldo Majella Agnelo, de 79, arcebispo emérito de Salvador, dom Odilo Scherer, de 63, arcebispo de São Paulo, dom Raymundo Damasceno Assis, de 76, arcebispo de Aparecida, e dom João Braz de Aviz, de 64, arcebispo de Brasília.

Dom Eusébio Scheid, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, está fora do conclave por ter completado 80 anos em dezembro. Também já ultrapassaram a idade limite os cardeais dom Paulo Evaristo Arns, de 91 anos, ex-arcebispo de São Paulo, dom Serafim Fernandes de Araújo, de 88, ex-arcebispo emérito de Belo Horizonte, e dom José Freire Falcão, de 87, ex-arcebispo de Brasília.

A lista de eleitores no conclave tem cardeais de cerca de sete dezenas de países diferentes. Os cardeais italianos são os de maior número.


SEM NEGAR A GRATIDÃO. ALEGRE ESTÁ O CORAÇÃO!


SEM NEGAR A GRATIDÃO.
ALEGRE ESTÁ O CORAÇÃO.

O amor a Cristo e a sua Igreja faz superar toda reação. Minha história é de amor a Igreja e a Jesus Cristo, porém por escolhas feitas, na Igreja de Cristo sofri impiedosamente punições, restrições, discriminações. Mas o AMOR é maior e, apesar de ser pelas normas da Igreja, deixado de lado, encontrei em bispos, padres, religiosos e muitos leigos o apoio e incentivo para o testemunho de minha fé, para o serviço na Igreja e o amor a Cristo e seu evangelho.
Ouvir que Bento XVI renunciou ao Pontificado suscita um sentimento de alegria na esperança de um período novo na Igreja. Muitos teólogos tiveram pelo Papa Bento XVI uma censura na reflexão e ação evangélica, sendo impedidos do exercício da reflexão e de uma ação cristã que privilegia não o poder hierárquico, mas o poder RÉGIO, PROFÉTICO E SACERDOTAL que todos pelo Batismo fomos agraciados por Deus.  Quem não se lembra da mão de ferro do Cardeal Ratzinger ao tratar e lidar com a Teologia da Libertação? Muitos sonhos foram destruídos, muitas comunidades decepcionadas, retrocesso na caminhada da Igreja com a emancipação de movimentos reacionários, arcaicos que reforçam o poder hierárquico da Igreja e fazem dos Batizados objetos nas mãos do Clero. Com o Cardeal Ratzinger as sacristias voltaram a ser o lugar do ministro e, o espaço de celebração da VIDA em nossas vidas ganhou a subjetividade, a manifestação impessoal de uma única pessoa, o padre, que não prega o evangelho, que não organiza a comunidade, que faz o que quer da liturgia fazendo responsável por ela um leigo que não pensa; que não sabe; que não desobedece, mas reproduz o que ele quer. Quem não sofre com uma experiência litúrgica onde um canta e os outros batem palmas; quem não sofre com hinos bem executados por “fardados” cuja ação cristã está no hábito que usam? Quem não sofre com a ausência Pastoral dos sacerdotes, na mídia e nas comunidades?  Quem não sofre com celebrações shows em resposta aos cultos televisivos de curas e milagres que não levam a comprometimento político, social e religioso?
Não podemos negar que o Bento XVI em suas encíclicas foi um bom homem de Deus, sobretudo na encíclica, DEUS CARITAS EST, temos um tratado belo, temos uma manifestação de Deus e, uma provocação imensurável para que todos os cristãos vivam o Evangelho de Cristo.
Há muito que se louvar e agradecer, pelo que Bento XVI fez pela Igreja de Cristo, Entre todos os motivos de louvores e agradecimentos a Deus é de se destacar este:
“no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado. Por isso, sendo muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao Ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado por meio dos Cardeais em 19 de abril de 2005”.
Sabemos da força política de Bento XVI nos bastidores do Vaticano, e que a nova eleição Papal estará sob sua forte influência, porém na força da Oração glorifiquemos a Deus pelo que Bento XVI fez diante da Igreja, e supliquemos que pela ação da Trindade Santa o novo Papa, venha com vigor APOSTÓLICO e abra novos horizontes para uma humanidade sedenta de compaixão, de acolhimento, de compreensão do olhar e amor de Deus. Que o novo Papa tenha o olhar de Cristo para na diversidade de escolhas que o mundo atual proporciona aos homens e mulheres e na pluralidade se ocupe com a escolha de Cristo para que todos sem distinção e discriminação sejam sob um só Pastor e tenham vida em plenitude. 

Papa Bento XVI renuncia ao Pontificado.


PAPA BENTO XVI
renuncia ao PONTIFICADO 
dia 28 de fevereiro de 2013.

Papa Bento XVI tomou a decisão de deixar o Pontificado. No primeiro momento uma sensação de vazio, uma lacuna como se uma parte da gente tivesse sido tirada. Logo adiante da programação da TV, mais uma chamada dizendo que a renuncia do Papa é de sua própria vontade pela idade, e pela falta de força física e mental. Sensação de conforto: realmente 85 anos de vida exige uma decisão racional e coerente com toda a sua história como Cardeal responsável pela Doutrina e Fé católica. Uma terceira sensação é a de agradecimento ao Papa e a Deus. Ao Papa pela sua dedicação à frente da Igreja, pela sua mão de ferro no trato e decisões tomadas com todos: bispos, padres, diáconos, ministros e leigos. Agradecimento a Deus por suscitar na sua Igreja pela ação do Espírito Santo um novo tempo, uma nova hora com uma cabeça nova que não deixe a fidelidade à Cristo, mas que saiba conduzir a Igreja nesse momento histórico que vive as sociedades, para que a Igreja de Cristo se torne realmente Igreja de Cristo e, como Ele inaugure um novo tempo e os mergulhados na exclusão, os segregados de dentro da própria Igreja:  casais divorciados e sacerdotes que deixaram o ministério para constituir família possam viver sua fé dentro da Igreja sem restrições na vivência dos sacramentos. Que o novo Papa venha para reintegrar a todos na Igreja de Cristo e ser um sinal de luz para os povos, sobretudo para os mais pobres. Que a nova cabeça tenha o olhar de Cristo e não o olhar das normas construídas na História da Igreja, sem negar a doutrina, a nova cabeça precisa agir com o Evangelho nas mãos, nos pés, nos olhos, no coração, na cabeça e na AÇÃO.
Obrigado Bento XVI!
Novo PAPA que prime no seu Pontificado a CARIDADE!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Evangelho de Lucas 5, 1-11


EVANGELHO DE LUCAS 5, 1-11.

A leitura desse trecho de Lucas sempre me remeteu a pensar na vocação de Pedro pelo episódio da pesca milagrosa, mas hoje o texto me despertou para “o povo se comprimia em redor dele para ouvir a Palavra de Deus”.  Fica na leitura do evangelho de Lucas 5, 1-11 o desafio de acolher a Palavra de Deus. É preciso abertura para pela Palavra saber o que fazer e como proceder. Da figura de Pedro e sua vocação aprendemos a ter o coração aberto, persistir na prática do bem e nunca desanimar.