domingo, 4 de setembro de 2016

Feliz Aniversário Ana Lúcia

SETEMBRO É UM MÊS DIFERENTE,
SUA DIFERENÇA DOS OUTROS MESES
ESTÁ NO FATO DE TRAZER A ALEGRIA
DAS FLORES DA PRIMAVERA.
 

 A diferença se dá por muitos motivos
entre os motivos um é especial
o seu nascimento Ana Lucia!

Foi no dia 4 que Deus concedeu à sua família
a alegria do seu nascimento.



Quanta surpresa, quanta alegria, quanta preocupação.
Nascia uma vida
Nascia uma menina
Nascia uma moça
Nascia uma jovem
Nascia uma mulher.

O tempo passa e a diferença
vai se acentuando!
O próprio tempo é diferente
e transforma tudo em diferença.

A vida que nasce,
A menina que cresce,
A moça que se descobre,
A jovem que que se assume
A mulher que Ama.

Quantas primaveras,
quantas flores,
quanto amor!

Existir é uma condição para quem ama,
quem ama é diferente,
quem ama se transforma,
quem ama é feliz,
quem ama sofre,
quem ama morre.

Celebrar 50 anos de idade
é mais uma primavera
com flores de alegria
pela vida,
pela menina,
pela moça,
pela jovem,
pela mulher!

Celebrar a vida aos 50 anos
é morrer para o que passou,
é viver pelo que é presente,
é querer pelo que ainda virá pela frente.

Celebrar a vida aos 50 anos
é trazer o passado para o presente
é fazer do presente o futuro
é o futuro no presente passado e futuro
de sonhos que se realizaram
de sonhos que irão se realizar.

Celebrar 50 anos é
celebrar a vida como Dom,
celebrar os sofrimentos como experiências positivas,
celebrar as alegrias como alicerce
é celebrar a Vida
Vinda de Deus
Vinda da Família
Vinda dos Amigos
Vinda de todos os que te amam,
entre tantos e tantas
celebrar tua Vida é uma profissão de fé:
EU amo você,
Tu amas eu,
Ele Ama nós,
Nós Amamos Ele,
Vós Amais sem limites,
Eles Amam você e eu,
se assim não for
não é amor!


Feliz Aniversário!
Deus te abençoe!
Que o meu amor por você,
te faça feliz!



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

21 dicas para criar uma boa estratégia em sala de aula

21 dicas para criar uma boa estratégia em sala de aula

Ser professor é uma tarefa que exige muito preparo. Por isso, é necessário estudar, fazer estágios, ter diploma universitário, fazer magistério e cumprir os mais vários requisitos antes de entrar em uma sala de aula. Mesmo assim, muitos professores se sentem mal preparados para dar aula, já que a teoria nem sempre cobre todas as necessidades da prática.
Por isso, temos aqui algumas que vão ajudá-lo a montar uma boa estratégia em sala de aula. O segredo está na boa relação com os alunos, em enxergá-los como seres humanos e em ajudá-los a melhorar seus potenciais. Confira!
  1. Mostre que há vários caminhos para se chegar a um mesmo objetivo. Não dê fórmulas prontas e diga que é o único jeito. Estimule-os a criar sempre novas soluções!
  2. Proponha atividades que façam sentido para os alunos. Entenda os objetivos deles e faça atividades que vão ajudá-los nisso.
  3. Faça com que o aluno veja suas notas como pequenas conquistas. As notas não devem ser o prêmio final, mas sim etapas para chegar ao prêmio maior: o conhecimento.
  4. Utilize vários recursos diferentes.Para essa geração, não há nada mais chato do que um professor que está sempre falando e escrevendo no quadro. Seja multimídia!
  5. Mantenha o diálogo aberto. Deixe que os alunos discutam com você, promova debates, escute e converse.
  6. Foque mais em competências do que em informações. Não dê informações para os seus alunos: mostre a eles como elas funcionam no dia-a-dia.
  7. Não se esqueça da prática. Em vez de passar páginas e páginas de teoria, ensine os alunos a aplicar aquilo que aprenderam.
  8. Crie uma relação de honestidade com os seus alunos. Mentir para o professor é algo comum e você só vai evitar isso se também for sincero com eles.
  9. Ajude-os a criar um espírito de equipe. Auxilie seus alunos a criarem grupos e ajudarem uns aos outros.
  10. Esteja sempre atento. Observe, escute e entenda como suas aulas estão afetando seus alunos. Pode parecer fácil, mas os professores costumam deixar isso de lado no dia-a-dia.
  11.  Reconheça os esforços dos alunos. Mesmo quando a tarefa não dá tão certo, reconheça quando seus alunos se esforçaram e tentaram.
  12. Incentive-os a fazer mais amigos. Não deixe que eles se fechem em um só grupinho. Estimule-os a conhecer todos os colegas.
  13. Respeite a individualidade de cada um. Cada aluno tem uma personalidade, uma história e um estilo de aprendizagem que deve ser levado em conta.
  14. Preze pela igualdade. Não trate seus alunos de modo diferente e mostre que é uma pessoa justa. Cobre o mesmo de todos.
  15. Dê um tempo para o descanso. Às vezes, você tem muita coisa para ensinar e pouco tempo. Mas é essencial não deixá-los esgotados com o conteúdo. Faça pausas.
  16. Dê um bom exemplo. Se você quer ser respeitado, ouvido e admirado, tem que fazer o mesmo por eles.
  17. Mostre que você não sabe tudo.Alunos costumam ver o professor como o detentor de todo o saber. Mostre que você também tem lacunas e que eles podem ensiná-lo muito.
  18. Haja como um líder e incentive a liderança. Distribua tarefas, peça que uns ajudem os outros e os estimule a fazer o mesmo.
  19. Tenha uma boa rotatividade de temas. Ficar muitas aulas no mesmo tema pode deixar os alunos cansados e diminuir a atenção.
  20. Reconheça os acertos de seus alunos. Elogios são sempre válidos. Mas jamais elogie um aluno desmerecendo os outros.
  21. Tenha paciência. Às vezes, você vai ter que explicar uma matéria quatro, cinco, seis vezes. Faz parte do seu trabalho!
Seguindo essas dicas, você vai poder preparar uma boa aula e ficar em harmonia com seus alunos. Faça um bom trabalho!

http://mundobrink.com/blog/2016/07/21-dicas-para-criar-uma-boa-estrategia-em-sala-de-aula/?utm_source=Confirma%C3%A7%C3%A3o+de+Assinatura+de+Emails+Canais+de+Vendas&utm_campaign=f37636c07e-RSS_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_711dfde1dd-f37636c07e-43813321 (acesso 22 de agosto de 2016)



terça-feira, 2 de agosto de 2016

É TEMPO DE RECOMEÇAR

É tempo de RECOMEÇAR
Meninas e meninos,
Recomeçaremos as atividades educativas em nossos colégios, estudantes e educadores, retornam das férias e, certamente todos dispostos a RECOMEÇAR, mesmo que seja para fazer qualquer coisa, porém não estamos para qualquer coisa, aliás estar para “coisa” é superficial, periférico e banal; para humanos que acreditam que pela “educação” podem mudar o mundo, não é possível recomeçar sem sonhos, sem objetivos, sem utopias.
Bem vindos, bem vindas! Vamos RECOMEÇAR no verdadeiro sentido do verbo intransitivo evocado. É tempo de COMEÇAR A SER, não ignoramos o que fomos e ou fizemos, mas olhamos para o hoje e agora e, COMEÇAMOS A SER. O EDUCADOR é exatamente isto, humano, que no recomeço PRODUZ-SE NOVAMENTE.
RECOMEÇAR após as férias é abrir-se às inúmeras possibilidades e, entre elas esta, A DE PRODUZIR-SE NOVAMENTE.
Deixe-se envolver pela fé na vida, pela fé em Deus, pela rotina diária, pelos tropeços, pelas decepções, pelas alegrias, pelas conquistas, pelo sorriso, pela esperança, pela caridade, pela misericórdia e pela certeza de que RECOMEÇANDO irás contribuir para que você e os que com você RECOMEÇAM CONSTRUAM-SE e TORNEM-SE NOVA+MENTE.
Bom semestre letivo a todos!
Professor Galiani.

01/08/2016

segunda-feira, 14 de março de 2016

Raio X do 6º ano do Ensino Fundamental

RAIO X
Não é de hoje que no 6º ano de Ensino Fundamental temos uma radiografia nítida de uma realidade que se vê sempre como nova, no grupo de professores que iniciam com esses meninos e meninas a segunda fase do Ensino Fundamental. Os alunos são outros, os desafios semelhantes e os professores os mesmos, consequentemente a radiografia não poderia dar outro diagnóstico senão este, o 6º ano é:
- “avoados”
- “negligentes”
- “apresentam muitas dificuldades, mas não fazem as lições...”
- gostam apenas de “brincar”
- são muito “dependentes” ... é para copiar à lápis ou caneta ......
- são “indisciplinados”, etc.
O que será que aconteceu, disseram que eram alunos muito bons, estudavam, se respeitavam, faziam silêncio durante as aulas, respeitavam os colegas e a professora. Ouve-se com frequência “não é possível este menino (a) não é mais o mesmo”.
Realmente temos uma radiografia do 6º ano que nos dá um diagnóstico e exige um fazer pedagógico sincronizado entre os professores e destes para com os meninos e meninas do 6º ano. Isto sem falar da força da família (mãe) sobre os filhos e tentativas de determinar nossa ação pedagógica.
Toda radiografia quando bem-feita possibilita um diagnóstico nos mínimos detalhes, consequentemente a intervenção “medicamentosa” será eficiente e eficaz. Tudo dependerá do fazer pedagógico e gerenciamento da sala de aula.
RAIO X do 6º ano: São alunos vindos de uma série, cujo professor era uma única professora, com talvez alguns outros professores de Ed. Física, Arte, Informática. Nesse quadro “pedagógico” a professora mantinha a rotina, “pelo olhar, seu aluno já a conhecia”, assegurando assim um maior controle sobre os alunos.
Seria a quantidade de professores no 6º ano o fator patológico? Esta diversidade dá um paradigma para estes alunos que não correspondem com o que cada professor deseja. Sentem se livres, soltos e fazem de cada aula uma única aula, porém em cada uma dessas aulas a postura pode ser única. No 6º ano a rotina é quebrada pela troca constante do professor, em uma manhã ele pode ter até 7 professores, cada um com seu estilo de dar aulas, com o conteúdo específico de sua disciplina; para este aluno do 6º ano, um professor não sabe o que aconteceu na aula do outro, o que faz com que este menino e menina “use” sua esperteza e faça de todas as aulas o que eles quiserem: pedem para ir tomar água, sentam-se em lugar que não o seu, falam o tempo todo, iniciam uma atividade e na aula seguinte não querem parar de realizá-las. Fazem aviões, bolas e outros de papel . . . jogam nos colegas, no chão... Se levantam para jogar algo no lixo o tempo todo. Falam com as mãos, por isso precisam tocar, bater, empurrar o colega. “Parece” que tem formigas ou tachinhas na cadeira.
Há na compreensão do aluno do 6º ano uma “desorganização” do professor, da aula, da sala e da escola. Isso é prato cheio para que façam o que quiserem. Eles vivem a “liberdade” de não mais terem a professora como mãe, nessa dinâmica vive-se uma crise, um distanciamento e anonimato. Esta crise, distanciamento e anonimato é seu porto seguro, nessa dinâmica sente-se protegido e faz como bem entende promovendo um “tsunami” no início do Fundamental II.
Seria o professor o responsável por este distanciamento e consequentemente por este diagnóstico comum em turmas de 6º ano, que todo ano abalam nosso furor pedagógico? Há outros fatores diagnosticados que precisam ser refletidos e evocam uma ação por parte do colegiado dos educadores para que ocorra uma transição tranquila entre um seguimento e outro.
Entre diferentes fatores podemos dizer da “descontinuidade do Processo de Ensino”, todos devemos nos ocupar em contribuir para que esta transição ocorra de forma mais natural possível, pois sempre há descompasso entre a rotina e procedimentos com o 5º ano e com o 6º ano e, isto provoca um retardamento na interação com esta nova realidade e consequentemente um comprometimento do aprendizado. Surge uma outra fala comprometedora desse processo: “chegam ao 6º ano sem nenhuma base de aprendizado, ou com uma base deficiente”.
O que acontece? O professor investe em sua disciplina e nas exigências para que cumpra seu plano e o menino e menina corresponda ao que propõe. Não há um acompanhamento devido para que esta transição ocorra, simplesmente cada professor dá sua aula e cobra respostas e, o aluno que estude e faça o que é pedido.  As diferentes metodologias não contribuem com a compreensão dos conteúdos; os critérios de avaliação, produção e execução das tarefas também são múltiplos proporcionando uma sensação de confusão nos estudantes. Não que os educadores sejam os únicos responsáveis por tamanha confusão numa turma de 6º ano, mas há aspectos que precisam de uma imediata providência, basta olhar a lousa, as ideias, informações e registros misturados, uma lousa para universitário com um monte de coisas escritas interligadas por setas, riscos, círculos, misturadas com anotações da aula anterior etc.... encontramos lousas com indicações de páginas e exercícios a serem feitos, porém de que matéria? Nosso raciocínio “adulto” tem claro e obvio que é da matéria que eu estou dando, porém ele, o estudante pode ainda não ter assimilado a sua voz à disciplina que ministra, muito menos aos comandos que dá. Por isso pode estar na sua aula, te ouvindo, mas não se deu conta do conteúdo que você está dando e muitas vezes não consegue estudar este conteúdo em sintonia com o que você deu na aula anterior, certamente na memória dele está a aula de Ed. Física, na aula de matemática e ou na anterior à sua. Esta confusão é percebida com maior clareza quando eles têm trabalho escolar para fazer e entregar. Os critérios e procedimentos em cada disciplina seguem princípios únicos, mas são diferentes na sua forma, na sua orientação e até na avaliação, passando inclusive pela visão pedagógica pessoal do professor.
Ao recebermos no 6º ano os alunos do 5º temos orquestrado mantras entoados por nós e pelos pais: “no 6º ano você vai ter de ser mais responsável”, “vai ter de estudar mais”, “agora começa o estudo sério”. Estas falas reforçam neles a ideia de que até então nada valeu e que agora o que era organização, dedicação, responsabilidade é confusão, é desorganização e isto, consequentemente é o que dizem que é sério, mas na prática pela diversidade de professor, disciplina, metodologia, critérios de avaliação e acordos estabelecidos é “liberdade”: faço o que quero!
Na verdade, é preciso que reconheçamos que essa crise – desordem apresentada por um 6º ano é um processo de maturação fortemente marcado pelo lúdico e num contexto de diversidade de aulas e metodologias dos diferentes professores próprios do Fundamental II eles extrapolam no reino de possibilidades.
Com tantas possibilidades se perdem na responsabilidade e dão lugar à “indisciplina” e esta, por sua vez ganha dimensões aparentemente incontroláveis sustentadas por mudanças psicológicas e físicas. Os estudantes do 6º estão saindo do que Piaget chama de operatório-concreto, ou seja, estão entrando num processo que exige maior abstração e subjetividade.
As dimensões físicas, mudanças, marcam fortemente este estudante. O interesse por atividades em grupo, pelo sexo oposto, a preocupação com a aparência, o corte do “cordão umbilical” para mostrar que “já pode”, que “já é” desencadeio um turbilhão de sentimentos e atitudes que contribuem significativamente com a “indisciplina” potencializando um 6º ano insuportável, onde não se consegue dar aula, onde não querem nada com nada, onde não fazem as lições e “não param quietos”.
A família e a escola constroem nos estudantes a expectativa de que no 6º ano deixarão de ser tratados como “crianças” e terão mais autonomia e independência. Na família são mais autônomos para os sabores do alimentar-se, para os horários de dormir, no horário de brincar com os colegas, no uso de celulares e games; alguns vão só à escola, arrumam a própria mochila para as aulas do dia seguinte, não são cobrados pelos pais das lições, das avaliações e quando perguntados sobre estas desconversam e se afastam dos pais, o que para estes é algo permitido uma vez que seu filho “já cresceu”. Estes elementos dão uma falsa ideia de liberdade e os meninos e meninas não se sentem mais “vigiados”, o que lhes dá o direito de não mais assumir seus compromissos escolares na escola e em casa.
Este quadro mostra numa mesma realidade de 6º ano a construção diferente de estudantes, aqueles que conseguem administrar os conflitos nascidos e crescem e, aqueles que se rendem à “desordem” organizada e demoram em alcançar a maturidade, estes na maioria das turmas “livres” na mente e “escravos” nas cobranças dos professores fazem do 6º ano a pior das salas.
Diante do RAIO X apresentado, encaminhamentos são necessários. Seguem três sugestões:
1.       ÚNICA LINGUAGEM: professores definirem um padrão de rotinas quanto as tarefas, lição de casa, trabalhos, metodologia da aula, avaliações, regras e acordos além de clareza no estabelecimento das consequências para a quebra das regras e acordos.
2.       COMPARTILHAR PRÁTICAS DE ENSINO/METODOLOGIAS: na medida do possível uma troca de informações sobre as práticas adotadas, os caminhos percorridos e vivências aplicadas. O uso do lúdico e do concreto em doses e momentos certos para que façam a transição para este novo segmento que é Fundamental II.
3.       No campo estrutural da instituição cabe oportunizar aos alunos do 5º ano vivências e interação com o 6º ano, de forma que construam uma expectativa positiva; oriente e aproxime as educadoras do 5º ano das práticas e forma de ser no Fundamental II diminuindo assim a distância nesse momento significativo de mudanças.
Para fazer pensar e agir proponho um recorte de meu TCC na graduação em Pedagogia:
“Educar humanamente é deixar nascer caminhos que superem os limites impostos pelo social, pelo econômico e pelo político de maneira que a arte de educar trilhe um caminho constante de construção e desconstrução, assim como o humano é, ideia que ecoa na literatura de Guimarães Rosa ao conceituar o humano: “Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão” (p.48. TCC graduação em pedagogia – CEUCLAR 2008).

Sugestão para leitura:
NOVAES, Maria Helena. Psicologia escolar. Rio de Janeiro: Vozes, 1970. P. 163-178.

domingo, 15 de novembro de 2015

O professor na Educação a Distância

O Papel do professor na Educação a Distância
Resumo
Refletiremos sobre o professor no processo ‘ensinar’ com a tecnologia e mediação da Internet. O método pesquisa foi uma profunda análise bibliográfica. O tema proposto se justifica em contraposição à ideia de que na Educação a Distância o professor não tem mais “lugar”. Apresentaremos a educação mediada pela tecnologia e nesse processo o professor é fundamental. A EaD não exclui, nem tão pouco subestima o professor, mas dá a ele um diferencial; ele deixa de ser o “transmissor” e torna-se mediador de situações de aprendizagem. Na EaD ele é o pesquisador, o criador e motivador de estudantes que na hora, no local e quando desejam interagem na sala de aula virtual, mediatos por textos didáticos e ferramentas desta sala, bem como com intertextos disponibilizados pela Internet; isso dá ao professor autonomia e, o que lhe é essencial: torna o estudante autônomo e autodidata em seu processo de formação acadêmica.
Palavras-chave: Educação a Distância, professor, mediador, aluno, autonomia.

Introdução
A configuração do pensamento e conhecimento humano pelos filósofos gregos e as respostas mitológicas às buscas humanas não se esgotam nos tempos idos, nem nos tempos dogmáticos da Idade Média movida pelo crescimento do cristianismo, muito menos pelo racionalismo da idade moderna. A construção do conhecimento determinada pela expansão do capitalismo em sociedades definidas pela indústria cultural centradas em um saber fixo e definido pela classe dominante se auto destrói e faz emergir uma nova forma de aprender e ensinar.
As novas tecnologias, mediadas pela Internet, fazem surgir novas configurações de escola, de professor, de aluno e de sala de aula. O acesso irrestrito e imediato às informações, aos conceitos e teorias trazem um novo impulso para quem deseja aprender. Não há mais alguém que estudou e sabe para ensinar, mas o acesso pela internet, tornou todos e qualquer um, membro produtor do saber. Guardando as devidas proporções do “CtrlC” / “CrtlV” e, referindo-se aos que são autores e não copiadores de conhecimento, o tema do papel do professor na Educação a Distância emerge como desafio sempre reflexivo de uma figura essencial no processo ensino aprendizagem.
A superação da concepção de um professor que está a serviço de um conhecimento definido e engessado pelo poder dominante está na compreensão de seu papel social e humanizador exercido através de novas Tics.
A sociedade da tecnologia não só descontrói conceitos e valores, como impõe novas necessidades para as sociedades e seus membros. O que dependia de tempos longos de acesso e construção de novas reflexões pelos livros e bibliotecas, hoje se dá num clique e, em um endereço eletrônico o universo está nas mãos.  Tal característica tecnológica da sociedade faz surgir um novo modo de conhecer, de dar respostas e soluções às buscas humanas. Nesse cenário o processo ensino aprendizagem faz buscar e construir uma nova identidade do professor, ele não é mais o que sabe para ensinar, senão um pesquisador que aprende ensinando a pesquisar e a aprender.
Ao mesmo tempo que a EaD se caracteriza pela autonomia acadêmica de quem dela se utiliza, faz dos sujeitos no processo do aprender, professor e aluno, cocriadores num processo reflexivo e dialógico tornando o conhecimento patrimônio universal, irrestrito e não manipulado em favor de poucos que se julgam cultos.
Assim nos propomos a refletir a partir de referências bibliográficas concepções em que o professor não é o que ensina os “sem luz”; nos propomos ler e refletir no processo ensino aprendizagem mediado pela Educação a Distância o papel do professor, sua presença na educação e as configurações desse ícone pelas exigências das novas tecnologias e sua importância social em todo e qualquer processo ensino aprendizagem.

Educação a Distância

A experiência humana se dá pela troca, pela partilha, pela imposição, pela aceitação e assimilação de um sobre o outro. O relacionamento entre humanos é o caminho de conhecer, entender, interpretar e agir na relação consigo e com o universo que o cerca. Esta relação é mediada por elementos, por ideias ou realidades que estabelecem vínculos.
Entre o continente e a ilha está a água e mediado pela navegação, a distância é curta e os vínculos se dão estabelecendo união entre este e aquele. O encontro com o distante, com o aparente intangível, com o conhecimento desconhecido, com o que constrói e dá sentido à vida se dá pela educação. E, o que é Educação? Entenda-se educação como apropriação de conceitos, de hábitos, de costumes que são vividos e revividos, se necessário transformados para que o homem possa viver e sobreviver aos desafios que a vida lhe apresenta. No processo educacional formas primitivas e ultramodernas sempre caminharam juntas para dar ao homem a apropriação do que busca.
Os diferentes recursos e instrumentos de inter-relação e mediação, sejam os naturais ou os engenhados pela inteligência humana para apropriação do que está fora do homem sempre caminharam juntos; assim falar da experiência humana no século XXI, bem como do processo de apropriação do conhecimento para resolução dos problemas humanos, sejam intra ou extra-humano, requer considerar a profunda e estreita relação entre a Educação e a Tecnologia. Nosso foco tecnológico é a Educação a Distância, como modo de apropriação e criação de relações entre os homens e destes com o conhecimento.
A escrita na história humana surge pela necessidade de estabelecer e perpetuar vínculos dando a sociedade oral a possibilidade de perpetuar sua experiência. Nesse contexto, ao apresentar a História da EaD, Maia & Mattar (2007, p.21), a comunicação é presencial pressupondo o emissor e o receptor juntos, no mesmo tempo e espaço, interagindo para efetivação da educação e comunicação. O surgimento da escrita garante não só o registro, mas o compartilhamento das experiências humanas sem necessariamente a presença do emissor e receptor no mesmo lugar. Daí o surgimento da Educação a Distância e a necessidade de ‘aprender’ os diferentes signos escritos, temos, portanto, a libertação da comunicação do tempo e do espaço.
Entre os gregos a escrita torna-se instrumento de comunicação estabelecendo vínculos na polis de forma que o homem vai se organizando moral e eticamente. (VERNANT, 1999, p. 174)
Significativa importância da escrita temos na experiência paulina, Paulo em suas cartas apostólicas descreve sua conversão ao cristianismo e esta força da escrita impera nos continentes tornando o Evangelho de Cristo conhecido e vividos por milhões de homens e mulheres. A distância entre a experiência de Paulo com seu Deus e seus interlocutores é extinta, pela escrita e, todos se apropriam desta verdade de fé e a vivem.
Na experiência grega e nas cartas de Paulo temos os exemplos iniciais e isolados da Educação a Distância. (MAIA & MATTAR, 2007, p.21)
Na Idade Média a invenção da Imprensa ultrapassa definitivamente a concepção presencial, estar no mesmo lugar, da comunicação e da educação. Se a escrita possibilitou que as pessoas separadas geograficamente se comunicassem e documentassem informações, obras e registros podemos dizer que a invenção de Gutenberg aprimorou e facilitou o processo de comunicação permitindo que as ideias fossem compartilhadas e transmitidas para um maior número de pessoas intensificando os debates, a produção e a reprodução do conhecimento teríamos então, um modelo de Educação a Distância.  
Tendo apontado os pressupostos básicos do surgimento da Educação a Distância passamos a descrever, de forma sintética a sua história.
A primeira geração de Educação a Distância é compreendida à luz dos cursos por correspondência, sendo o grande vilão o rádio, por ele as pessoas são informadas e formadas em seu local de vida. Ocupa expressivo espaço nesta geração a taquigrafia, que passa a ser grande veículo de divulgação e formação, vemos anúncios em jornais sobre cursos a distância desde a década de 1720. Efetivamente a Educação a Distância rompe o espaço e lugar atrelando-se aos meios de transporte, o trem e, ao surgimento do Correio, em meados do século XIX. Há um número considerável de ofertas de cursos por correspondência. Várias iniciativas de criação de cursos a distância se espalharam, com o surgimento de sociedades, institutos e escolas.
Os casos mais bem-sucedidos foram os cursos técnicos de extensão universitária.  Havia, entretanto, grande resistência com relação a cursos universitários a distância, por isso poucas foram as experiências duradouras, mesmo nos países mais desenvolvidos. (MAIA & MATTAR, 2007, p.22)
A segunda fase da educação a distância, como descreve Maia & Mattar, emerge com as novas mídias e as universidades abertas. Estas “influenciadas pelo modelo da Open University Britânica, fundada em 1969, que se utiliza intensamente das novas mídias, rádio, TV, vídeos, fitas cassetes e centros de estudo, onde se realizaram diversas experiência pedagógicas à distância”. (2007, p.22)
Outra fase no processo da Educação a Distância se dá via online. Com o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação fica posto uma diversidade de mídias integradas pelo computador via Internet. Vídeo texto, microcomputador, multimídia, hipertexto, redes de computadores vão dar à educação a distância novas características e exigir novas configurações dos criadores e geradores do conhecimento mediado pela tecnologia.
Com o desenvolvimento explosivo da Internet em 1995 temos uma ruptura na história da educação à distância. Surge um novo território para a Educação, o espaço virtual da aprendizagem digital baseado na rede de computadores. (MAIA & MATTAR, 2007, p.22)
O novo espaço virtual baseado em rede de computadores interligados pela Internet impõe um novo formato para o processo ensino aprendizagem à distância, um formato que tem no aluno o protagonismo da educação. Com essas novas perspectivas tecnológicas a educação torna-se interativa, participativa e flexível que acontece onde o aluno está, em casa, no trabalho e “na rua”.
Temos aí a necessidade de um novo modo de educação; o rompimento com a tradição de educação e educação a distância até então, exige o enfrentamento de novos desafios que venha a atender, hoje, os milhões de pessoas que tem acesso à educação a distância oferecidos pelas instituições educacionais através de cursos presenciais e a distância, há inclusive universidades virtuais. De 1970 a 1980 temos um crescimento da oferta de EaD pelas universidades abertas europeias, estas oferecem só cursos à distância, como também pela International Correspondence Schools (ICS) dos EUA. (MAIA & MATTAR, 2007, p. 23)
Nesse processo temos, pois, a destacar conforme nosso propósito neste artigo o papel do professor e reconhecê-lo como um ser tecnológico, sim, muita tecnologia, toda tecnologia possível... mas com um coração que faça brilhar na noite, ou seja o professor na Educação a Distância é como que luz cuja ação não é movida pela técnica ou maquinalmente, mas é uma ação do coração que chama, que desafia, que media, que compromete o estudante e o faz brilhar e realizar seus propósitos na busca e construção do conhecimento.

O professor na EaD

O século XXI mergulhou a educação num processo dinâmico e profundo com recursos de comunicação jamais vistos pela humanidade. O racionalismo clássico deu lugar ao totalitarismo midiático, tornando a sala de aula/escola obsoletos para uma geração que tem sua gênesis na indústria cultural que achata e torna sábio, não aquele que é capaz de refletir e tomar decisões, mas o que absorve e responde mumificado ao que é ditado pela mídia produzida pela classe dominante. Num contexto determinado pelo poder de convencimento para o consumo do que aparentemente satisfaz, o processo ensino aprendizagem necessita redescobrir-se e, neste está o professor e o aluno. Na atual sociedade o homem não é mais rural e agrário com produção artesanal de bens para sua sobrevivência, ele está interposto entre natureza, máquinas e tecnologia. Tal realidade faz emergir uma estrutura social determinada pela tecnologia, mais complexa do que a estrutura social tradicional. Assim também o papel do professor não está mais posto pelo que estudou, pelo que sabe e ensina, mas pela sua flexibilidade, criticidade e capacidade de interagir à distância na construção do conhecimento. (VALENTE, 1996, p. 5-6)
O homem explora a natureza, domina-a e utiliza-a para seus fins, sobretudo para lucrar e não mais como forma de subsistência. Essas e todas as mudanças ocorridas na sociedade pelo avanço da tecnologia em atendimento aos apelos do consumismo interferiram nos diferentes papeis sociais dos homens, e nesse aspecto está nossa preocupação, o novo papel do professor.
Dentro de um contexto tecnológico em que a educação passou a ser objeto de consumo para produção e atendimento às necessidades do mercado, o papel da escola, da sala de aula e de seus atores, professor e aluno, está associado ao progresso em contraposição à estática sociedade tradicional onde prevalece a verdade inerte de costumes e valores.
O papel do professor no processo ensino aprendizagem tem sido e será sempre tema recorrente no universo educacional, sobretudo na era tecnológica da educação. Transpor os limites de uma concepção de educação presencial para uma educação a distância exige um novo professor, uma nova maneira de educar mediante a busca de novas competências e novas práticas pedagógicas, o cartesianismo não tem espaço. Inserir o ser humano na sociedade que vive e ser ele, o protagonista das soluções para os problemas surgidos é a essência da educação hoje e papel do professor.
Muitos têm se dedicado a refletir sobre tão importante e nobre essência, o professor, o que nos obriga a construir uma reflexão sobre o ele, em tempos que parece ser dispensável e substituível pela máquina e tecnologias. Os recursos midiáticos não dispensam o professor, ele se faz presente pela voz e imagem reproduzidas por softwares que através da rede mundial de comunicação, a Internet, está presente em todos os cantos e recantos onde há o desejo de apropriação do conhecimento; está presente na elaboração do material didático mediacional, cujo texto é provocativo, investigador, desafiador para tornar o aluno crítico, reflexivo e autônomo na sua produção acadêmica.
O professor ocupa na EaD papel essencial na produção do conhecimento, não um conhecimento fruto do estático e definido por ele, mas construído entre ele, o estudante e o objeto a ser conhecido. Conhecer não está aqui entendido como capacidade de reter saberes, senão como habilidade de aprender para saber fazer, como concebem Giordan & Del Vecchi:
“ Conhecer não é apenas reter temporariamente uma multidão de noções anedóticas ou enciclopédicas para “regurgitá-las”, como pede o ensino atual. “Saber” significa, primeiro, ser capaz de utilizar o que se aprendeu, mobilizá-lo para resolver um problema ou aclarar e analisar uma situação. (...) Saber é poder construir modelos, combinar e integrar conceitos oriundos de disciplinas diferentes (...) Saber é ser ator de sua própria formação, poder colocar-se num processo de formação permanente que não se limita à escola (...)” (1996, p. 11-12)

Esse conceito do conhecimento desafia a concepção de ensino-aprendizagem a construir-se não mais tendo como referencial a escola, a sala de aula ocupadas por professor e aluno, mas a entender que o processo de apropriação do conhecimento se dá pela construção do mesmo pelo aluno, mediado pelo professor que não só ensina, mas aprende ao ensinar. Assim não há um “sabedor”, nem mesmo um conhecedor do objeto a ser conhecido, mas sim um mediador que ao mediar a aprendizagem torna-se aprendente, há uma troca e nessa experiência está inevitavelmente o novo perfil de professor nascido da EaD.
O conceito platônico de educação como arte corresponde perfeitamente à concepção de professor na EaD. Em A República (VII: 518-519) temos:
“A educação é a arte (téchne) que consiste em fazer a alma voltar-se de modo mais expedito a si mesma. Não se trata de lhe dar a faculdade de ver, que ela já possui (por natureza); somente seu órgão não está bem dirigido, não se volta para onde se deve voltar, e isto é o que cumpre corrigir. ”
Assim o professor não é o que faz acontecer, mas o que suscita no aluno o tornar-se o que é, não como expressão de definição científica, mas como e com particularidades próprias, dotados de potencialidades específicas, é como afirma Tardiff sobre o educador e o processo de formação:
“O educador não é um técnico nem um artista, no sentido moderno desses termos: sua ação não é baseada num saber rigoroso sobre fenômenos necessários que precisam ser organizados num sistema de causas e efeitos; também não é uma atividade criadora que impõe a uma matéria uma forma arbitrária saída de imaginação do artista. Ao contrário, o processo de formação visa aqui o “desenvolvimento” de uma forma humana de vida que tem em si mesma sua própria finalidade, noção que engloba, a um só tempo, os fins naturais, sociais e individuais do ser humano”. (2008, p. 159)
Pensar o professor é conceber a arte e o artista no processo de produção de sua obra, por ela sua alma torna-se concreta, real e histórica incidindo sobre a realidade que a cerca e transformando-a. Na EaD o professor tem papel mediador e está próximo, pedagogicamente, de seus alunos e dos diferentes mundos que envolvem os sujeitos do processo ensino aprendizagem. Uma metodologia dialógica, necessária em EaD, pressupõe que o processo aprendizagem decorra de uma comunhão mediatizada pelo professor no universo que cerca os envolvidos: o professor, o aluno e todo o contexto que os cerca.
O professor de EaD assume um novo papel no processo do “aprender do aluno”, ele não mais ensina senão, orienta atividades, motiva buscas e incentiva o desenvolvimento de seus alunos, atem-se em mostrar o progresso dos alunos bem como corrigi-los quando necessário. A mediação se dá pela interação via ferramentas virtuais entre professor e estudante, onde ocorrem os ajustes necessários nos deslizes conceituais, científicos, acadêmicos e à aplicabilidade dos mesmos em sua vida e prática profissional/acadêmica.
Não é mais o professor o que ensina, senão o que aprende e motiva os alunos para a aprendizagem. Nessa nova configuração Pedro Demo diz que o professor é o que aprende bem na medida que se torna autor e pela autoria ensina a buscar o saber:
“O importante é que o professor se insira no contexto da web 2.0 como autor visível e criativo, passando a fazer parte desse tipo de esfera pública. Autoria precisa tornar-se compromisso cotidiano, porque é o que funda o professor. Não aula. ” (2009, p. 111)
“Na prática, as novas tecnologias não destronaram o professor; ao invés, encontraram seu lugar mais adequado, realçando a nobreza da função maiêutica e autopoiética” [...] No fundo, as novas tecnologias rendem-se à maior tecnologia jamais inventada na espécie humana:  aprender bem” (2009, p. 110)
As novas tecnologias empregadas no processo ensino aprendizagem exigem do professor um perfil e papeis delineados pela autonomia centrada no indivíduo, o que faz olhar ambos, professor e aluno, sob o ponto de vista humanista. Assim o papel do professor no processo ensino aprendizagem pela EaD é exercitar e basear a aprendizagem em conteúdos significativos e na resolução de problemas como reflete Formiga (2009, p. 44):
“Aprender é praticar um processo contínuo de opção, que começa pelas fontes dos conteúdos. Nesse processo criativo e inovador do exercício docente, desaparece a hierarquia do saber e a pretensão de superioridade intelectual dos mestres. O aluno/aprendiz passa a dispor de acesso generalizado ao conhecimento, facilitado pelos meios de comunicação e tecnologias inteligentes, que se apresentam sob a forma de uma equalização de oportunidades, igualmente oferecidas e disponíveis aos professores”.
            Portanto, na interação professor-aluno/aprendiz mediados pela tecnologia se constrói a resolução de situações problemas, a resposta não está dada, posta, pronta e acabada, mas é fruto da busca e construção do saber. Não há uma superioridade intelectual do professor sobre o aprendiz, mas um movimento constante de aprender, pela criatividade e inovação, dos sujeitos nesse processo de Educação à Distância.

Considerações Finais

Considerando as diferentes etapas e concepções de educação à distância concluímos que cada época configurou uma identidade para o professor e o que percebemos de comum em seu papel é de que é sujeito neste caminho e, sua presença é indispensável no processo ensino aprendizagem. O professor passa de reprodutor de um conhecimento para mediador, de sabedor para pesquisador, de alguém “pronto” para construtor de sua autonomia e de seus alunos.
O professor na EaD agrega em sua identidade a identidade do estudante e como sabedor do que ensina torna-se com o estudante o grande apreendedor. Sem estas características seu papel e significado tornam-se irrisórios reproduzindo uma experiência inócua e vazia para ele próprio e para seus estudantes.
Sendo o professor o mediador de um processo em que o estudante se torna sujeito autônomo, assim também o professor deve assumir uma postura autônoma e protagonista, para que possa promover, interagir e estimular a construção do conhecimento e do sujeito que deseja conhecer.
Hannah Arendt, em seu livro Entre o passado e o futuro, publicado em 1954, faz uma afirmativa que corrobora a identidade do professor de EaD e ao mesmo tempo lança um desafio, diz ela: “a essência da educação é a natalidade, o fato de que seres humanos nascem para o mundo”, daí o professor de EaD não ser reprodutor, senão o ‘parturiente’ que dá ao mundo do estudante e faz do mundo, objeto de estudo e espaço para realização do ser humano, que é o estudante, que nasce pelo conhecimento.
Desafios brotam de uma concepção de professor como parte da construção do estudo pelo estudante, sobretudo ver e entender o professor não mais como o que ensina, mas como o que oportuniza caminhos para que se aprenda.
A identidade do professor, por longo séculos esteve engessada e engessou gerações, hoje as novas tecnologias e uma educação à distância por elas mediada oportunizam romper com a ideia de professor em sala de aula presencial mergulhando-o no universo sem fronteiras e sem limites inaugurado pela Internet. Nesse novo universo educacional, pela Internet, cabe ao professor garantir o exercício da palavra, não uma palavra qualquer esvaziada de qualquer ideia de formação, de abertura para o mundo e de cuidado da alma.
Ao professor de EaD é exigido uma postura que se oponha ao trivial e subjetivismo intelectual “[...] já não se trata de transformar os homens em sujeitos autônomos, mas de satisfazer seus desejos imediatos, de diverti-los ao menor preço possível” (FINKIELKRAUT, 1988 p. 128). Diríamos que o professor de EaD torna-se e torna seus estudantes críticos e reflexivos em oposição a uma cultura acadêmica massificada de um “livro só”.
Assim o professor de EaD é desafiado e contribui para novos horizontes quando tem consciência de seu papel político-pedagógico, como diria nosso grande educador Paulo Freire (1996, p. 126-127):
“Se a educação não é a chave das transformações sociais, não é também simplesmente reprodutora da ideologia dominante. O que quero dizer é [...] O educador e educadora críticos não podem pensar que, a partir do curso que coordenam ou do seminário que lideram, podem transformar o país. Mas podem demonstrar que é possível mudar. E isto reforça nele ou nela a importância de sua tarefa político-pedagógica”.

Portanto, com este artigo queremos provocar a todos na busca por uma identidade do professor de EaD. Ampliar horizontes e ver que o papel do professor de EaD prima por uma educação preocupada em aperfeiçoar e desenvolver as potencialidades de cada um, como um ser livre e crítico apropriando-se da sua vida humana por completo, assimilando a cultura em que vive para que, com os conceitos historicamente construídos e aceitos faça do espaço que vive um espaço de cidadania e vida.
Ao concluir este artigo fica a provocação para o presente e futuro, investir, refletir e contribuir para que a prática do professor em EaD seja um espaço de confiança, de diálogo, de respeito, de tolerância, de zelo, de liberdade, de compromisso e responsabilidade.

Referências
ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro (Between past and future - 1954) Tradução de Mauro W. Barbosa de Almeida. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000.
DEMO, Pedro. Educação hoje: “novas” tecnologias, pressões e oportunidades. São Paulo: Atlas, 2009.
ELIAS, Marisa Del Cioppo. CELESTIN FREINET – Uma pedagogia de atividade e cooperação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
FINKIELKRAUT, A. A derrota do pensamento. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1988.
FORMIGA, M. M. M. e Fredric Michael Litto (orgs.), Educação a distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GIORDAN, A. & VECCHI, G. As origens do saber: das concepções dos aprendentes aos conceitos científicos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
LIMA, Lauro de Oliveira. Estórias da Educação no Brasil: de Pombal a Passarinho. 3. Ed. Rio de Janeiro: Brasília.
MAIA, Carmem. João Mattar. ABC da EaD. 1. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.
MASETTO, Marcos Tarciso. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo: Summus, 2003.
MISUKAMI, Maria da Graça N., Alline M. M. R. Reali (org.) Formação de professores, práticas pedagógicas e escola. São Carlos: EdUSFCar, 2002.
PILLETTI, Nelson. História da educação no Brasil. 6. Ed. São Paulo: Ática, 1996.
RUMBLE, Greville. A gestão dos sistemas de ensino a distância. Tradução de Marília Fonseca. – Brasília: Editora Universidade de Brasília: Unesco, 2003.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 9.ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
VALENTE, J.A. (1996). O papel do professor no ambiente Logo. In: Valente, J.A. (Org.) O professor no ambiente Logo: formação e atuação. Campinas, Gráfica da UNICAMP. p. 01-34.

VERNANT, Jean-Pierre. Mito e sociedade na Grécia Antiga. Tradução Myriam Campello. 2. Ed. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1999.

domingo, 25 de outubro de 2015

"Ensinagem" na EaD.

Anastasiou e Alves (2006, p. 15) afirmam que, "na ensinagem, o processo de ensinar e aprender exige um clima de trabalho tal que se possa saborear o conhecimento em questão. O sabor é percebido pelos alunos quando o docente ensina determinada área que também saboreia, na lida cotidiana profissional e/ou na pesquisa, e a socializa com seus parceiros na sala de aula. Para isso, o saber inclui um saber o quê, um saber como, um saber por quê e um saber para quê". Considerando o conceito de ensinagem, desenvolvido por Anastasiou e Alves (2006), discuta com seus colegas e tutor, no Fórum, as seguintes questões:
1.     Como desenvolver a ensinagem na Educação a Distância?
Considerando que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação no Brasil propõe um conteúdo adequado à realidade do estudante podemos dizer que o conceito de ensinagem de Anastasiou e Alves atende à legislação, mas mais que isso, faz ver o processo do “estudar” de forma dinâmica crítica e reflexiva que provoca e produz prazer e satisfação. Dessa maneira se estuda querendo estudar e o que se estuda tem relação e sentido com a vida e a realidade que se vive, daí dizer do saborear o que se aprende.
No processo ensinagem à distância o mesmo deve ocorrer. Não dá para disponibilizar informações/conteúdos nos diferentes meios de comunicação, mas esse conteúdo mediacional deve ter relação e vínculo com a vida, sobretudo com a prática profissional que se deseja alcançar com os estudos. Não é um conteúdo qualquer, mas um conteúdo de contribua com a construção de um conhecimento crítico, reflexivo que pela autonomia do aprendente interfere em si próprio e na sua atuação profissional/social.
2.    Quais estratégias de ensinagem poderiam auxiliar os alunos na EaD a aprimorar as operações mentais e desenvolver a autonomia e o pensamento crítico-reflexivo?
Falar em estratégia seria o mesmo que falar em metodologia? Parece-me que são sinônimos de didática. Assim a EaD requer uma metodologia que seja antes de tudo uma ação testemunho vinculada ao professor, ao estudante e à vida. Compartilho aqui um testemunho que ouvi em julho passado quando estive em um trabalho missionário em S. João do Piauí, fomos visitar escolas e em uma delas conheci um grupo de professores e, em uma das reuniões missionárias gravei depoimentos e o de uma professora falando dos desafios que encontrava para educar no semiárido foi:

“A educação contextualizada voltada para as escolas do Semiárido brasileiro é aquela que tem um currículo que trabalha elementos do contexto em que as crianças e suas famílias vivem. Por exemplo, se numa comunidade as famílias não têm acesso à água, ou tem acesso a uma água contaminada, os professores vão buscar discutir em algumas disciplinas, esse contexto. Então a escola, ao invés de trabalhar os conteúdos de forma distante da realidade dos alunos, traz a realidade para dentro da sala de aula”

Dentro do contexto que isso foi dito fica claro que não há metodologia melhor para a ensinagem, senão aquela que parte da realidade em que se estuda. Na EaD, por exemplo no curso que fazemos, o material disponibilizado no CRC ou sites e bibliotecas virtuais usam esse caminho como forma de nos introduzir nesse universo on line e, isso se dá na medida que correspondemos e mergulhamos nos diferentes caminhos oferecidos e, o conteúdo ao mesmo tempo nos envolve e nos desperta para a qualificação profissional que buscamos construir. Esse caminho envolvente e correspondente ao que se busca favorece o prazer de estudar aprimorando as operações mentais e tornando-nos autônomos no processo da ensinagem. 

domingo, 18 de outubro de 2015

CULTURA

Tomando a leitura de Marlene Marchiori faço algumas provocações para a reflexão sobre a Cultura.

Turma Enfermagem 2º Semestre - Fasm 2015
A reflexão sobre a cultura exige um olhar sobre vários e diversos aspectos que caracterizam a vida humana hoje, no século XXI. Temas como identidade, questões de gênero, subjetividade, sexualidade, transformações sociais, impacto da tecnologia, conhecimento e inovação tornam a vida do homem um constante buscar de paradigmas que possam sustentá-lo na liquidificação de seu significante existir. Assim a Cultura é uma riqueza humana de busca constante de caminhos para tornar essas características compreensíveis e aceitáveis no dia a dia.
A capacidade intelectual é requisito para que a cultura possa ser aprendida e dar ao homem um padrão de conhecimento. O homem como ser histórico e social gera a cultura dentro de um processo histórico específico e nele a cultura se torna única, na dinâmica histórica de ser homem e cultura se constroem. Há que se considerar também, que a cultura é um fenômeno que tem vida própria, não necessariamente depende e interdepende da sociedade, porém é compartilhável.
A reflexão sobre a cultura exige olhar para o que se pensa e o que se faz, então o estudo da cultura recria situações a partir de uma realidade concreta, isto é, do conflito entre o indivíduo e a própria cultura, nascido dos hábitos, pensamentos e funções sociais do indivíduo.
Há que se considerar que desde a infância fomos sendo formados culturalmente, formando assim nossa personalidade e consequentemente a essência da sociedade. As respostas aos desafios surgidos ao longo de nossa vida são dadas pelo que somos e pelo que a sociedade é.  
Forte expressão do que seja a cultura é a linguagem. A linguagem como expressão verbal/gráfica e como ação é constituída e constituidora da cultura. Diferentes são as sociedades, nelas há diferentes tipos de linguagem e culturas distintas.
O fator econômico é gerador de constantes mudanças na vida social, sobretudo na vida do trabalho humano, o que altera significativa compreensão da cultura a partir da divisão do trabalho e por ela, o homem necessita adaptar-se às condições impostas. Assim, a cultura passa a ser algo necessário para a satisfação do homem. A cultura é resposta à estrutura social que torna o homem um ser útil ou inútil, que o faz ser um ser funcional ligado e interligado por uma rede complexa de relações sociais. Assim a cultura refletida com os olhos do século XXI é a análise dela própria nas relações humanas, onde as pessoas se engajam em práticas que não somente reproduzem os repertórios culturais, mas também são capazes de modifica-los e adaptá-los conforme passam pelos fatos ou eventos que constituem a vida humana. Cultura é pois, crise; é provocadora de análises do antes, do agora e do depois de existir humano social.



Cap. 3 p. 63- Marchiori, Marlene
 Cultura e comunicação organizacional: um olhar sobre a organização.
São Caetano, SP: Difusão Editora, 2008