sábado, 22 de fevereiro de 2025

Tributo ao PADRE FRANCISCO COSTETTI NETO, SAC

        Um sacerdote é sempre a presença de Deus para as pessoas. Não se trata de divinizar o padre, mas de reconhecer que ele foi chamado por Deus para servir à Igreja, especialmente entre aqueles que mais necessitam.



        Padre Francisco exerceu seu ministério em diversas comunidades, mas foi na Paróquia Santo Antônio de Lisboa, da Arquidiocese de São Paulo – então Setor Carrão-Formosa, hoje Decanato São Lucas, da Região Episcopal Belém – que tive o privilégio de me tornar "um necessitado" e por ele ser acolhido. Enquanto alguns confrades me fecharam as portas – e eu respeitei suas razões – ele me recebeu, apoiou-me e, inclusive, ajudou-me financeiramente. Em momentos de descontração, na padaria Suil, compartilhávamos experiências de vida entre uma conversa e uma cerveja. Sempre misericordioso e com a cabeça erguida, dentro de seus próprios limites e fragilidades, orientava-me, sugeria soluções e apontava caminhos para a reconstrução da minha história. Era mais que um padre; era um homem humano, consciente da nobre missão que assumira na Igreja, mas liberto de chavões e rótulos preconceituosos que, tantas vezes, causam divisões e afastamentos.

        Suas celebrações eram dinâmicas e promoviam a participação ativa dos leigos em sua paróquia. Em um período de transição entre uma liturgia ortodoxa e novas possibilidades rituais que aproximavam a assembleia de Deus, sua homilia cativava e evangelizava. Ele proporcionava uma verdadeira catequese, tornando cada missa um momento de aprendizado e encontro com a fé.

        Naquele tempo, em que eu reiniciava minha trajetória social, religiosa e profissional, foi ele, entre tantos padres amigos, quem me acolheu. O simples fato de me dizer: "Fiquei feliz que você escolheu participar da Santo Antônio" soou como o abraço do Pai ao filho pródigo. Quanta humanidade!

        Na Paróquia Santo Antônio, tive a oportunidade de palestrar para pais e padrinhos, em encontros de casais e de jovens do Grupo Fé. Quando era a vez do padre falar sobre os Sacramentos no curso de noivos, ele me convidava a substituí-lo. Era um privilégio, pois, tradicionalmente, alguns temas eram exclusivos do sacerdote. Contudo, com espírito conciliar, ele promovia uma comunidade mais participativa, afastando a ideia de que tudo deveria ser centralizado no padre.

        Sempre modesto no vestir, seus paramentos litúrgicos dispensavam pompa. Muitas pessoas pobres e em situação de vulnerabilidade encontraram nele apoio, refúgio, conforto e consolo. Confessar-se com ele era uma verdadeira graça: um reencontro com Deus e com a comunidade. Sua capacidade de se anular para que o pecador renascesse era impressionante. Obrigado, meu irmão, por tantas vezes ter ouvido meus pecados e me oportunizado o perdão divino. Foram tempos difíceis, mas, como sempre dizia, "a graça de Deus é superabundante".

        Quando soube do meu relacionamento com aquela que hoje é minha esposa, nos abraçou e desejou a bênção de Deus. Alguns confrades insinuavam que Ana estava grávida. Ele, com sua sabedoria isenta de julgamentos – característica marcante de sua personalidade – a procurou para esclarecer os rumores. Assim recorda Ana: "Lembro dele me chamando para conversar. 'Aninha, você está grávida?' 'Não!', respondi. 'Eu acredito em você! Seja vitoriosa!'." Mais do que desejar nossa vitória, ele nos ajudou a construí-la.

        Nem todos os confrades o conheciam, o que é inadmissível, pois, em uma família, todos se reconhecem. No entanto, na vida religiosa, assim como na história bíblica de Caim e Abel, também há incompreensão e críticas. Mesmo assim, Padre Francisco mantinha sua espiritualidade e visão pastoral sempre alinhadas à de Jesus: "Vem para o meio" (Mc 3, 3-4).

        Padre Francisco sempre veio ao nosso encontro. Certa vez, passando rapidamente por Martinópolis, a caminho de São Paulo, ele celebrava missa no hospital. Da porta da sacristia, acenamos e lhe enviamos um beijo. Ele, que já estava sentado para a Liturgia da Palavra, levantou-se e veio ao nosso encontro. Foi um dos abraços mais significativos que recebemos, um verdadeiro alimento para a alma, que nos fortaleceu para seguirmos nossa jornada.

        Padre Francisco, nós te amamos e sempre amaremos. Prepara um lugar para nós junto de Deus, e, enquanto aqui estivermos, queremos ser e agir conforme nos ensinaste. Gratidão, meu irmão!

                                                                    Pres. Prudente, SP - 22/02/2025

                                                                                                                    José A. Galiani

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

O FINGIMENTO

 O fingimento da bondade é a mais perigosa das maldades.

        Recentemente, li a frase que dá título a esta pequena crônica. Por escolha, sou um bom ouvinte de situações das mais diversas, muitas que envolvem mãe e filha, as quais, muitas vezes, carregam décadas de desencontros. Por isso, ouso, com este texto, contribuir para a reflexão e a superação da competição que, não raramente, ocorre entre mães e filhas.        

        Desde pequena, Clara percebia que sua relação com a mãe era diferente da dos seus amigos. Enquanto outras mães elogiavam e incentivavam, a dela parecia sempre medir forças. Quando alguém dizia: “Que menina linda!”, a mãe logo completava: “Puxou a mim, claro.” Se Clara aparecia com um vestido novo, a mãe vestia um mais chamativo. Se arrumava o cabelo de um jeito diferente, a mãe corria para o espelho e fazia igual – ou melhor.

        O problema era que Clara não queria competir. Queria carinho, queria apoio, queria que sua mãe se orgulhasse dela sem precisar se sentir ameaçada. Mas bastava que ela recebesse um olhar a mais, um elogio sincero, para ver os olhos da mãe se tornarem duros e frios. “Você se acha especial demais, não é?”, dizia, sempre com um sorriso enviesado, carregado de algo que Clara não sabia nomear na infância, mas que, depois, entendeu ser inveja.

        Namorar? Nem pensar. A mãe encontrava defeitos em qualquer rapaz que se aproximasse. “Ele não está à sua altura”, dizia, mas o tom não era de proteção, e sim de desdém. E, se por acaso alguém lhe dirigia um olhar de interesse, a mãe rapidamente se colocava entre os dois, como se quisesse absorver toda a atenção para si.

        As conquistas de Clara também eram recebidas com desdém. “Conseguiu aquele emprego? Espero que não ache que isso significa alguma coisa, porque no meu tempo era muito mais difícil.” Tudo que ela fazia era diminuído, rebaixado, como se o sucesso da filha representasse uma ameaça pessoal.

        Levaram anos para Clara entender que sua mãe não a via como filha, mas como rival. Que por trás dos conselhos severos e das críticas constantes, havia um medo silencioso. MÃE precisa SER MÃE, NÃO TEM A NECESSIDADE DE FINGIR QUE AMA A FILHA!!!

        Uma relação de competição entre mãe e filha pode gerar ressentimentos e desgastes emocionais, mas há maneiras de transformar essa dinâmica em algo mais saudável. Aqui estão alguns argumentos e estratégias para ajudá-las a superar esse conflito:

1. Reconhecimento da Individualidade

          Cada uma tem sua própria trajetória, talentos e desafios. Comparações são injustas porque cada pessoa tem um conjunto único de experiências e habilidades. Em vez de competir, é essencial reconhecer e valorizar as conquistas individuais.

2. Mudança de Perspectiva: De Rivais para Aliadas

        Mãe e filha não precisam competir; podem se apoiar mutuamente. Quando uma cresce e se desenvolve, isso pode ser motivo de orgulho e não de ameaça. Apoiar-se significa crescer juntas, não em oposição.

3. Fortalecimento da Comunicação

        Muitas rivalidades surgem por falta de diálogo aberto e honesto. Expressar sentimentos sem medo de julgamento pode evitar mal-entendidos e aliviar tensões. Usar frases como “eu sinto que...” ajuda a evitar tom acusatório.

4. Reconhecimento e Cura de Feridas do Passado

        Conflitos antigos podem alimentar a competição. Trabalhar o perdão e compreender que ambas erram e acertam pode ajudar a construir uma relação mais equilibrada. Terapia familiar pode ser um bom caminho se as mágoas forem profundas.

5. Celebrar Conquistas em Conjunto

        Ao invés de enxergar o sucesso da outra como uma derrota pessoal, aprender a comemorar as vitórias mútuas fortalece o vínculo. Pequenos gestos de reconhecimento podem mudar a dinâmica da relação.

6. Estabelecer Limites Saudáveis

        Cada uma deve ter espaço para viver sua vida sem interferências excessivas. Respeitar as escolhas da outra é fundamental para evitar comparações desnecessárias e ressentimentos.

7. Trabalhar a Autoestima e a Segurança Emocional

        Muitas competições vêm de inseguranças individuais. Trabalhar a autoconfiança pode reduzir a necessidade de validação externa e evitar rivalidades desnecessárias.

        Se mãe e filha conseguirem substituir a competição pela parceria, podem transformar a relação em algo muito mais forte e significativo.


José A. Galiani (Pedagogo, Teólogo, Filósofo)

Das 12 horas diárias de acompanhante de enfermo na Santa Casa de Pindamonhangaba - janeiro de 2025.

Lágrimas de Crocodilo

 O amor para ser real, precisa ser vivido antes que se torne lágrimas de Crocodilo!

    O início de 2025 tem sido um tempo de grandes aprendizado, mas também de despedidas que deixam marcas profundas. Diante da única certeza que temos: a morte nasceram reflexões inevitáveis sobre o tempo que se teve e o que foi feito com ele, para viver o AMOR!

    Vivemos na era dos holofotes digitais, onde a ausência de ontem se transforma, repentinamente, em homenagens públicas. Durante anos, a presença foi dispensável, os convites ignorados, a convivência limitada ao "cada um com sua vida". Mas, após o sepultamento, multiplicam-se declarações emocionadas, fotos antigas acompanhadas de palavras que nunca foram ditas enquanto ainda havia ouvidos para escutá-las. Quando ditas, muitas vezes vieram sem atitude, como se a simples existência fosse suficiente para justificar o afastamento.

    As lágrimas tardias ou lágrimas de crocodilo, derramadas entre um post e outro, ecoam mais como uma tentativa de preencher o vazio do que como um reflexo genuíno da falta. O luto verdadeiro, no entanto, não se mede pelo alcance nas redes sociais, mas pelo espaço que a presença ocupava em vida. Ele se revela na constância dos gestos, na partilha dos momentos simples, na disposição de estar presente sem que a ausência precise lembrar disso.

    O tempo que se tem é agora. Quando alguém parte, tenta-se, num último ato, dar a ele um lugar que poderia ter sido seu em vida. Mas há coisas que não podem ser compensadas depois. O amor, para ser real, precisa ser vivido antes que se torne memória regado com lágrimas de Crocodilo.

José A. Galiani (Pedagogo, Teólogo e Filósofo)

Fevereiro/25, São Paulo.

O Peso do Egoísmo

 A Falta de Compromisso e o Peso do Egoísmo

    Viver em sociedade, seja dentro de casa ou em qualquer outro espaço compartilhado, exige mais do que presença física. Exige responsabilidade, respeito e gratidão. No entanto, há aqueles que, por descaso ou egoísmo, não percebem (ou fingem não perceber) o impacto de suas ações – ou da ausência delas.

    Pequenos gestos de hospitalidade, como limpar a casa, lavar a louça, guardar as sobras do almoço, parecem tarefas simples, mas carregam um significado profundo. São expressões de cuidado, de pertencimento, de reconhecimento pelo esforço daqueles que também dividem o mesmo espaço.   Quando alguém se nega a realizar esses atos básicos, não apenas demonstra falta de comprometimento consigo mesmo, mas impõe um fardo injusto sobre os outros.

    Mais grave ainda é quando essa postura de indiferença se estende às relações familiares. Há quem receba ajuda e apoio em momentos difíceis, mas, em vez de demonstrar gratidão, reage com desdém, rejeita qualquer auxílio e age como se o mundo lhe devesse algo. São pessoas que exigem compreensão, mas não retribuem, que cobram empatia, mas não a praticam.

    O problema do egoísmo não está apenas na falta de ação, mas na postura de desrespeito. Aquele que ignora os esforços alheios, que se recusa a enxergar o sacrifício dos outros, desvaloriza não apenas o que lhe é oferecido, mas também quem lhe estende a mão. A ingratidão dói. O desinteresse fere.

    E no fim, o que sobra? Um espaço desorganizado, relações desgastadas e um isolamento que, muitas vezes, é consequência da própria incapacidade de se comprometer. Ninguém pode carregar sozinho a responsabilidade de manter um lar harmonioso. A convivência é um compromisso, e a reciprocidade é o mínimo que se espera de quem compartilha a mesma casa e a mesma vida.

José A. Galiani (Pedagogo, Teólogo e Filósofo)

Pindonhangaba, fevereiro de 2025.

MISSA DE SÉTIMO DIA

     A Missa de Sétimo Dia, como expressão de sufrágio pelos falecidos, está profundamente fundamentada nos ensinamentos e documentos da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Ela é uma manifestação do princípio da comunhão dos santos e da caridade cristã, por meio da oração e da Eucaristia oferecida em favor das almas que partiram. Abaixo, trazemos um aprofundamento com base em documentos oficiais da Igreja.

 O Valor da Oração pelos Falecidos

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) afirma que “desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, sobretudo o Sacrifício Eucarístico” (CIC, 1032). Este ensinamento remete à prática de celebrar Missas em intenção das almas, especialmente no período inicial após o falecimento, como sinal de amor e esperança de que elas sejam purificadas e acolhidas no seio de Deus.

Além disso, o Concílio de Trento, em sua Doutrina sobre o Sacrifício da Missa, declarou que “o sacrifício da Missa é oferecido não apenas pelos vivos, mas também pelos mortos, que ainda não estão plenamente purificados” (Sessão XXII, Capítulo 2). Assim, a Missa de Sétimo Dia é uma aplicação concreta deste princípio, reforçando a eficácia da Eucaristia como ato de intercessão.

 A Missa como Sinal de Comunhão e Esperança

Na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, o Papa São João Paulo II destaca que a Eucaristia tem um profundo vínculo com a vida eterna: “A Missa oferecida pelos defuntos, para que, purificados, cheguem à visão beatífica de Deus, expressa o profundo sentido da comunhão espiritual que une a Igreja da terra à do céu” (EE, 19). A Missa de Sétimo Dia é, assim, um momento de consolação e de comunhão entre os fiéis vivos e as almas que aguardam a plenitude de sua redenção.

Além disso, a Sacrosanctum Concilium, constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II, ensina que a Eucaristia é o ápice da oração comunitária, em que os fiéis, unidos no Corpo de Cristo, intercedem pelos vivos e pelos falecidos (SC, 47). Assim, a Missa de Sétimo Dia é também um momento de consolo para os familiares e amigos, que se reúnem para celebrar a fé na ressurreição e na comunhão dos santos.

 A Comunhão dos Santos e os Sufrágios

A Lumen Gentium, constituição dogmática do Concílio Vaticano II, afirma que "a Igreja peregrina reconhece plenamente sua união com a Igreja celeste na comunhão de todos os santos" (LG, 50). Nesse contexto, a Missa de Sétimo Dia é uma expressão da unidade da Igreja militante, padecente e triunfante, reforçando que, em Cristo, todos estamos ligados. Por isso, os sufrágios são um sinal da caridade que não se encerra com a morte.

O Papel da Eucaristia na Purificação das Almas

A Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, de Bento XVI, recorda: “Na celebração da Eucaristia, oferecemos também a redenção em favor dos mortos, confiando que o sacrifício de Cristo alcance todos os tempos e todas as almas” (SC, 32). Assim, a Missa de Sétimo Dia reafirma a esperança cristã de que a intercessão da Igreja é eficaz para as almas que se encontram no purgatório.

 Conclusão

A Missa de Sétimo Dia é, portanto, um ato litúrgico de grande valor espiritual, baseado em uma sólida tradição e sustentado pelos ensinamentos da Igreja. Ela celebra a fé na ressurreição, promove a comunhão entre os vivos e os mortos e manifesta a caridade cristã. Como recorda o Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti: “O amor não morre nunca; ele se transforma em oração” (FT, 254). Por meio desta celebração, os fiéis depositam sua confiança na misericórdia divina, certos de que Deus acolhe com amor aqueles que deixaram esta vida.

Por fim, a prática de celebrar essa missa reflete a esperança cristã de que, pela morte e ressurreição de Jesus Cristo, todos os fiéis possam participar da vida eterna. Este gesto é, portanto, um ato de amor e solidariedade com aqueles que já partiram, reafirmando a confiança na promessa de Cristo: "Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11,25).

José A. Galiani (Pedagogo, Teólogo e Filósofo)

26/01/25 - Pindamonhangaba- SP

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Tributo a Alexandre Galvão Gomes.

Alexandre Galvão Gomes era um cara que sabia viver. Instrutor de voo para motor e paraglider pela escola Gama Galvão, em São José do Rio Preto –SP. Ele fez da sua vida uma mistura de céu aberto, ventos favoráveis e uma boa dose de irreverência. Para ele, voar não era só um trabalho — era um convite para viver com intensidade, uma maneira de dizer para o mundo: "Vem cá, experimenta a liberdade comigo".

Mas Alexandre não era só sobre as alturas. Ele era aquele que sabia curtir o chão firme também. Nada como uma cerveja gelada, o pandeiro no ritmo certo e uma roda de amigos para ele se sentir em casa. Alexandre tinha uma alegria que não dava para ignorar, um jeito de levar a vida que misturava leveza e intensidade na medida certa.

Desde cedo, ele gostava de desafiar todo mundo — inclusive o pai. "O senhor tem que ser e ter uma vida saudável", dizia, com aquele tom meio sério, meio brincalhão que era só dele. E não era só papo: ele vivia o que falava, sempre buscando uma conexão genuína com todos.


Desprendido e descolado, Alexandre era a personificação do "curta a vida, mas nunca esqueça de quem você ama". Ele, apesar de distante, mantinha todos por perto, com áudios e vídeos rápidos ou uma mensagem cheia de alegria. Ele era o tipo de pessoa que sabia ser presente mesmo à distância.



Hoje, enquanto ele encontra novos céus para explorar, fica aqui o rastro da sua risada, do seu pandeiro, do seu jeito de ver a vida sem complicação. Alexandre não era um herói nem queria ser. Ele era alguém que viveu bem, que amou com sinceridade e que soube transformar cada dia em algo especial.

Voa, Alexandre, voa alto. Aqui em baixo, a gente guarda sua memória e tenta aprender com seu jeito descomplicado de ser.

Gratidão por todo aprendizado que me proporcionou.

José Antonio Galiani

20/01/25.

sábado, 9 de novembro de 2024

TRIBUTO A NATAL PAGLIARO: Homem de fé, de família e de comunidade.


Sua vida é um testemunho do amor incondicional que um cristão católico pode oferecer ao mundo. Natal era mais do que um esposo, viveu o diálogo inter-religioso dentro de sua própria casa e pai exemplar, educando seus filhos na Comunidade Religiosa; ele foi um verdadeiro amigo de todos em sua Paróquia, sempre presente e atuante, contribuindo para o crescimento espiritual de todos à sua volta.

Como ministro do Batismo e ministro extraordinário da Eucaristia, Natal ajudou a trazer a graça dos sacramentos aos corações dos fiéis. Foi um catequista dedicado, cujas palavras inspiradoras e sábias tocaram muitos, guiando-os na fé católica com firmeza e compaixão. Ele enxergava em cada encontro uma oportunidade de semear a Palavra, de ser um canal do amor de Deus e de promover a justiça, onde quer que estivesse.

Comprometido com a dignidade humana e a justiça social, Natal nunca se omitiu diante das necessidades das pessoas, sobretudo dos pobres. Conhecedor da Doutrina Social da Igreja e em sintonia com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nunca recuou diante de párocos que não dialogavam com uma visão Libertadora de Evangelizar e construir o Reino de Deus, aqui e agora. Fiel à sua Igreja, foi uma referência para muitos que compreendem o Evangelho e Jesus Cristo, como aquele que veio para dar Vida ao Mundo e a construção da vida no céu passa pelo testemunho em vida na terra.

Soube assimilar o Evangelho, “tive fome e me destes de comer...” com o Carisma Palotino que, ao longo de sua vida paroquial, absorveu de São Vicente Pallotti “ser alimento para os famintos, bebida para os sedentos, saúde para os doentes”. Uma presença amiga, discreta e sobretudo um sorriso que emanava acolhimento, empatia e sobretudo proteção. Um homem que atraía a todos, amigos e não amigos, familiares e não familiares.

Gratidão, meu irmão e amigo por ter me acolhido como sou e não pelos rótulos/títulos que assumi na vida.

Termino esta homenagem trazendo um excerto do seu texto na Antologia UM HOMEM E UM SANTO, quando escreveste suas memórias afetivas de nosso amigo e irmão Padre Pio Dantas, SAC. Você disse dele e hoje faço de suas palavras minha palavra para você: “No meu parecer, o Natal [...] foi simples, humilde, zeloso e acolhedor”.

Aí do céu, olhe por nós!

 

Praia Grande, 04 de novembro de 2024 – SP.

Deus em tudo e sempre!

J. A. Galiani

 


 

sexta-feira, 30 de junho de 2023

OS REMÉDIOS PARA A PERTURBAÇÃO DO NOSSO CORAÇÃO

 OS REMÉDIOS PARA A PERTURBAÇÃO DO NOSSO CORAÇÃO

            O título acima é cópia do texto impresso no “POVO DE DEUS EM SÃO PAULO” e o texto em sua íntegra pode ser lido no site https://arquisp.org.br/liturgia/folheto-povo-de-deus e, ou https://www.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2020/documents/papa-francesco_regina-coeli_20200510.html onde aliás, podemos nos deparar com belíssimas e profundas reflexões que nos inspiram a melhor viver nossa Fé.

            Antes de mais nada é de extrema importância que você leia o trecho do Evangelho de João 14, 1-12, sugiro o site, mas pode ser na Bíblia de sua preferência:  https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-joao/14/ .

            A partir de agora passo a reescrever a mensagem do Papa Francisco, ousadia, afinal como atrever-se a “desatar as correias” de suas sandálias. Mas, ouso, em vista do que tenho visto depois do período sombrio que vivemos em nosso país. Digo vivemos, porque creio, será passageiro!

            Iniciemos com o que diz o psiquiatra e professor da Unicamp Paulo Dalgalarrondo:

há uma substituição do pensamento crítico por um raciocínio falso, reforçado com mais vigor, na atualidade, pela circulação de informações inverídicas”.

(https://www.unicamp.br/unicamp/tv/direto-na-fonte/2023/01/13/bolsonaristas-radicais-negam-realidade-diz-psiquiatra )

            É tão grave esta força da mentira que tenho visto pessoas em depressão, sendo tratadas com tarja preta e hospitalizadas na tentativa de “se reencontrarem” com elas próprias; situação que afeta a todos seus entes queridos e denuncia a “politicagem” mais desastrosa que vivemos, não maior que o período da Ditadura Militar, mas uma “laranja podre” dentro de nossas famílias, Igrejas, comunidades religiosas e guetos políticos em defesa de ideias desumanas, antidemocráticas, armamentistas, preconceituosas que fizeram e fazem pobres acharem que os pobres, assim são, por serem vagabundos. Um movimento tão forte que, dentro de meu contexto de vivência religiosa, vi e ouvi sacerdotes, imaturos e mal formados, atacarem a Doutrina Social da Igreja, inclusive o Papa.

            Todos ficamos vulneráveis às mentiras mostradas como verdades, sim mentiras verdadeiras! Antagonismo? Não realidade! Criaram tantas mentiras que eles próprios já não sabiam mais o que era verdadeiro e pessoas leigas na política, jovens e até idosos, pessoas boas, mas que nunca foram defensoras de “políticos” e ou de suas macabras ideias, passaram a ser protagonistas de um Brasil imaginário, assim como um machado cujo cabo nem imagina que um dia ele foi a árvore que hoje está cortando. Passaram a defender a abertura de Escolas Militares, passaram a defender que “menino veste azul e menina veste rosa”, passaram a defender a Pátria, mesmo que os patriotas estivessem aos milhões entregues à fome, a defenderem a Família, num discurso hipócrita e mascarado de cristão; a defenderem Deus, um “deus acima de tudo e acima de todos” contrariando e contradizendo o que a Fé Católica e Evangélica, os Cristãos aprendem no berço, Deus é o Emanuel, é o Deus conosco, é o Deus que “ouve o clamor” de seu povo e vem à Moisés, faz morada no meio do povo para libertá-lo.

            Vivemos tempos sombrios, em que a mentira tomou posse de mentes vazias e as tornaram escravas delas mesmas, jogando-as nos manicômios, na tarja preta, na depressão, na desestabilização de lares e relacionamentos, tornando a Família Humana Brasileira doente.

            Diante deste contexto, o Papa Francisco apresenta os dois remédios, trazidos por Jesus no evangelho de João no capitulo 14, versículos 1-12.

            Por que os corações brasileiros estão (na tarja preta) perturbados? Jesus diz “não se perturbe o vosso coração” (v.1). Por que políticos quiseram transformar o povo em um “gado”, subtraindo-lhe a capacidade de reflexão substituindo o pensamento crítico por um raciocínio falso e o pior, defender aberrações sem respaldo científico deixando um rastro enorme de corações em sofrimentos e desilusão. Estas pessoas ficaram sem referências, sem noção da verdade, brigaram com seus próprios pares e amigos, rompendo anos de história.

            Ainda no versículo 1, do capítulo 14 do Evangelho de João temos o primeiro remédio: “Crede também em mim”. Sim, Jesus é o remédio, é o verdadeiro POLÍTICO, foi e é o único capaz de dar a vida por “suas ovelhas”. O momento político que levou e leva “á tarja preta” defendeu uma teocracia absurda, uma ideia de Deus que é favorável à riqueza e ao poder, ignorando Jesus como afirma o Salmista (Sl 113), vosso “deus, acima de tudo”:

Têm boca, mas não falam, olhos e não podem ver,

têm ouvidos, mas não ouvem; nariz e não podem cheirar.

Têm mãos, mas não apalpam; pés e não podem andar, sua garganta não emite

som algum.”

            Crer em Jesus, na reflexão do Papa Francisco, é tê-lo como modelo, Jesus nos pede para “termos fé n’Ele”. A Fé em Jesus nos cura dos “males do coração”. Precisamos da ajuda de Jesus para não cairmos nas ciladas dos falsos pastores e políticos idólatras que falam em deus e o defendem, mas não estão nem aí com o povo.

            Nossa força está em Jesus e não em nós mesmos e nos políticos verdadeiros lobos, vestidos de cordeiros. A libertação dos males do coração passa pela confiança em Jesus, em Jesus recuperamos a capacidade do ato criador de Deus Pai, quando nos colocou na Casa Comum, não para destruí-la e “abrir as porteiras”, mas para levá-la à plenitude: a ressurreição. Assim afirma o Papa Francisco:

“E esta é a libertação da perturbação. E Jesus ressuscitou e vive precisamente para estar sempre ao nosso lado. Então podemos dizer-lhe: JESUS, EU CREIO QUE RESSUSCITASTE E QUE ESTÁS AO MEU LADO. PENSO QUE ME OUVES. APRESENTO-TE O QUE ME PERTURBA, OS MEUS PROBLEMAS: TENHO FÉ EM TI E ENTREGO-ME A TI”.

            O texto do Santo Padre, no Regina Caeli do dia 10/05/2020, como acima referido é lindo, profundo e dá respostas às mais diversas angustias do coração humano. O Santo Padre, o Papa Francisco, falou e fala a todos, mas sobretudo aos que estão, eu digo, na “tarja preta” aos que entraram em depressão por conta de um político e suas inconsequentes ideias em vista do poder, do ter e do prazer. Estes políticos estão a serviço de forças econômicas neoliberais, que não estão nem aí com o povo brasileiro. Seu objetivo e exclusiva administração pública está a serviço deles próprios e da classe econômica dominante em nosso país.

            O segundo remédio apresentado pelo Papa, a partir do trecho do Evangelho de João, está a seguir integralmente escrito. Leia, ore, reflita e recupere sua capacidade critica e criadora vacinando-se contra mentiras tornadas verdades:

“Depois há um segundo remédio para a perturbação, que Jesus expressa com estas palavras: «Na casa do meu Pai há muitas moradas. [...] Vou preparar-vos um lugar» (v. 2). Foi isto que Jesus fez por nós: reservou-nos um lugar no Céu. Ele tomou sobre Si a nossa humanidade para a levar além da morte, para um novo lugar, o Céu, a fim de que, onde Ele estiver, estejamos nós também. É a certeza que nos consola: há um lugar reservado para cada um. Também há um lugar para mim. Cada um de nós pode dizer: há um lugar para mim. Não vivemos sem meta nem destino. Somos esperados, somos preciosos. Deus está apaixonado por nós, nós somos seus filhos. E para nós preparou o lugar mais digno e belo: o Paraíso. Não esqueçamos: a morada que nos espera é o Paraíso. Aqui estamos de passagem. Somos feitos para o céu, para a vida eterna, para viver para sempre. Para sempre: é algo que agora nem sequer podemos imaginar. Mas é ainda mais belo pensar que tudo isto será para sempre em alegria, em plena comunhão com Deus e com os outros, sem mais lágrimas, sem rancores, sem divisões nem perturbação.

Mas como chegar ao Paraíso? Qual é o caminho? Esta é a frase decisiva de Jesus. Hoje ele diz: «Eu sou o caminho» (v. 6). Para subir ao Céu o caminho é Jesus: é ter uma relação viva com Ele, imitá-lo no amor, seguir os seus passos. E eu, cristão, tu, cristão, cada um de nós cristãos, podemos perguntar a nós mesmos: “Que caminho sigo?”. Há caminhos que não levam ao Céu: os caminhos da mundanidade, os caminhos da auto-afirmação, os caminhos do poder egoísta. E há o caminho de Jesus, o caminho do amor humilde, da oração, da mansidão, da confiança, do serviço aos outros. Não é o caminho do meu protagonismo, é o caminho de Jesus, protagonista da minha vida. É ir em frente todos os dias perguntando-lhe: “Jesus, o que achas desta minha escolha? O que farias nesta situação, com estas pessoas?”. Far-nos-á bem perguntar a Jesus, que é o caminho, as indicações para o Céu. Que Nossa Senhora, Rainha do Céu, nos ajude a seguir Jesus, que abriu o Paraíso para nós.”

            E, então?

            “Não se perturbe o vosso coração”!

            Jesus é o caminho, caminhe no amor, na oração, na humildade, na mansidão, com confiança e no serviço aos outros.

            E, muita atenção!

            Isto tudo, já nesta vida. Na Construção de uma Sociedade Justa, Fraterna, Solidária, para como Maria, cantarmos (Lucas 1, 50-55):

“Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.

Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.

Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.

Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.

Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre”.

 

José Antonio Galiani

“Discere et Docere”

 

Links no texto, foram acessados em 30/06/2023.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Luan Augusto e Karoline Verri Alves!


Luan e Karoline, mais uma tragédia!

            Jovens assassinados no espaço de aprendizagem Escolar. Mais uma? Sim, mais uma, afinal temos ouvido e visto tantas tragédias dentro das Escolas Brasileiras que nos deixam estarrecidos.

            Violência, violência! Como entender, como explicar?

            Na manhãzinha de hoje, dia 19 de junho, muito frio, enquanto passeava com o Leleko, subitamente uma moto parou na frente de um carro, o motoqueiro desceu e se dirigiu à porta do automóvel. Observei que ele gesticulava e falava grosseiramente até que, em pé próximo da porta do automóvel aberta, bateu com o capacete na porta e empurrando o motorista retirou a chave do carro. Recolheu o capacete do chão, funcionou a moto, estacionando-a.

            Retornou ao automóvel pelo lado do motorista gesticulava e falava descontroladamente, quando então desceu uma mulher. Ele entrou, deu partida no automóvel e saiu em velocidade. Ela de cabeça baixa, olhou para os lados e cabisbaixa tomou rumo contrário ao do carro que dirigia, e caminhou. O que acontecera? Violência, violência!

            Qual a diferença entre a violência narrada no episódio acima e a tragédia em Cambé PR? Qual a diferença entre as mais terríveis tragédias, vividas pelo ser humano, das ásperas palavras violentas, agressivas e desmedidas que proferimos em nossas relações diárias? Qual a diferença entre uma capsula desaparecida (submarina) em direção ao Titanic e às dezenas de vidas perdidas em naufrágios em nossos Rios amazônicos? Seria a VIDA farinha do mesmo saco?

            Por que a violência incomoda quando é com a gente e, ou com pessoas próximas ao nosso círculo de amizade? Não deveríamos nos incomodar e repudiar a VIOLÊNCIA por si só quando atingi o ser humano? O que dizer da violência que destrói a CASA COMUM? O que dizer da violência politiqueira que destrói a Democracia? Violência, sempre será violência! Uma não é mais, nem menos que a outra!

            Não é para menos estarmos chocados com a morte de dois jovens dentro da Escola no município de Cambé - PR. As informações sobre os jovens nos indicam que eram e seriam dois bons cidadãos. Como entender tão grande perda? Como aceitar tamanha brutalidade? Quem é responsável por isso? Quem é o monstro, o ser que praticou tal atrocidade? Tão chocante sua atitude, como chocou a informação de ele ter sido encontrado morto na Casa de Custódia de Londrina na noite do ato praticado dentro da Escola.

            Nosso país tem que se redimir da mentira de que "arma protege", nosso país tem que se redimir pela falta de Políticas Públicas, nosso País tem que se redimir da omissão de autoridades que deveriam defender e proteger os brasileiros!

            Quem de nós já precisou de serviços da Polícia, do SAMU entre outros e não ficou horas e horas esperando o socorro solicitado?

            Estamos entregues ao NADA, estamos vivendo tempos em que um clik nos aproxima de tudo e de todos, mas ao mesmo tempo nos tira a vida.

            Nascem os brados pela justiça, os gritos de uma sociedade sufocada pelas armas que ela própria financia. Floresce a fome e sede de justiça, mas uma justiça com teor de vingança e uma fome como opção de vagabundos.

            É preciso que o sangue destes jovens fecunde a alma dos jovens que ainda restam, para que eles sonhem, acreditem e façam de suas vidas um instrumento de Paz.

            Assim como o sangue dos mártires fecunda a UTOPIA de milhares de homens e mulheres na luta pela Terra, Teto e Trabalho, o sangue dos jovens mortos devem frutificar na Luta por uma Educação Pública de qualidade, por uma Escola Educadora e Libertadora de tudo que gera violência, discriminação, desigualdade e pessoas escravas delas próprias!

            O momento é de SOLIDARIEDADE é de COMPAIXÃO com todos os que sofrem pela morte dos dois Jovens Cambeenses! É momento de gerar uma consciência solidária, diária, com os familiares de mais de 100 brasileiros que são mortos todos os dias por arma de fogo.

            Unamo-nos em oração a todos os que sofrem pela morte de uma das tragédias que comove o País. E como São Francisco de Assis oremos:

“Senhor,
Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.

Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!

Ó Mestre,

fazei que eu procure mais:

consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois é dando, que se recebe.

Perdoando, que se é perdoado e

é morrendo, que se vive para a vida eterna!

Amém”

José Antonio Galiani

Educador


 

quarta-feira, 31 de maio de 2023

RENÊ ROLDAN: homem de 24 quilates!

 

RENÊ ROLDAN: homem de 24 quilates

“Homem de quilate sem medida cuja presença na terra só engrandeceu o ser humano”, com esta frase, dita pelo amigo Rene Roldan, no texto que escreveu sobre Padre Pio, no livro UM HOMEM E UM SANTO, p. 163, inicio meu tributo.

Não há dúvidas que és um homem de 24 quilates, quem o conheceu que o diga! Conheci Renê Roldan quando cheguei em São Paulo, nos idos anos de 1991, na Paróquia São João Batista onde ele era grande líder.

Quando vi Renê pelas ruas com um carro falante recolhendo alimentos, roupas e doações inspirado e movido pelo Herbert de Souza, o Betinho, na Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida me encantei!

Na Paróquia São João Batista foi catequista e Coordenador de Catequese da Primeira Comunhão, que retidão de Fé, de compromisso e educação na Fé de muitas crianças. Não uma Fé que vê anjos por cima do altar e por todos os lados, mas uma Fé encarnada, assim como o Verbo Divino que se faz homem e habitou entre nós.

Um Ministro Extraordinário da Eucaristia, não conheço um ministro que tenha a dimensão de serviço que ele teve. Não tinha no seu ministério a pretensão de reduzir o Padre e muito menos ser o Padre, como muitos o fazem. Homem apaixonado pela Eucaristia, devoto do Corpo e Sangue de Cristo no homem e na mulher sofredores pelas mazelas governamentais.

Um líder cristão católico que compreendeu seu papel Leigo na Igreja e no Mundo, mas que não foi compreendido, ou foi e por isso na Comunidade paroquial seu espaço ficou pequeno.

Atuante em vários movimentos e pastorais em nossa Região Episcopal Belém da Arquidiocese de São Paulo.

Um homem de 24 quilates, com uma capacidade leitora exemplar; suas inquietações eram sempre com os mais necessitados, com o Planeta e com sua Igreja, entregue ao pentecostalismo e desencarnada da realidade do Povo de Deus.

Seus sonhos eram da cor do seu sangue, como eram suas escolhas políticas. Inconformado, uma de suas características, não se conformava diante das adversidades e muito menos se submetia facilmente ao que se impunha como verdade, porém, desrespeitando o Leigo, o Líder e o Povo de Deus e todos os cidadãos. Um revolucionário de si mesmo, buscando se reinventar a cada tempo, mas sempre no tempo das necessidades sociais, políticas e econômicas que assolam o povo.

Renê Roldan, um homem de 24 quilates, na sua amizade eu me inspirava, no seu acolhimento eu me sentia filho, irmão, pai, amigo e sonhador! Vivemos juntos a UTOPIA do Reino de Deus, hoje você já saboreia dessa alegria e o que é muito bom, junto com Pedro Casaldáliga, Ir. Dorothy Stang, Chico Mendes, Pe. Josimo, Padre Ezequiel Ramin, Dom Luciano, Flávio Castro, Padre Pio, Irmã Nadir e tantos e tantas que sonhamos juntos um mundo centrado no homem e não no lucro, centrado na pessoa e não no consumo, centrado na Terra e não em sua exploração.

Já está fazendo falta e sempre fará, mas na Fé da Comunhão dos Santos alimentamos nossa certeza de que do Céu olha por nós. Meu amigo e irmão, meu mestre, já que fostes primeiro que eu, sua tarefa é árdua, prepare por aí meu lugar e, eu aqui ainda, preparo minha ida para juntos vivermos a alegria de nossa Fé no Ressuscitado. Até breve!


José Antonio Galiani

08/08/2022