domingo, 24 de maio de 2020

Na calada da noite as mataram!

Iniciamos o ano da Encíclica Papal Laudato Si (2015) e trago como pano de fundo a fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que defendeu em reunião ministerial no final de abril (22/04/2020) que o governo federal aproveite a crise sanitária do novo coronavírus para aprovar reformas infralegais, incluindo alterações ambientais.

Nesse cenário de desmonte, por este Governo aí posto, das conquistas e acordos internacionais em defesa da Vida Humana e da Casa Comum a Igreja convoca homens e mulheres de boa vontade e exorta: é necessária uma “revolução cultural corajosa” que mantenha em primeiro plano o valor e a proteção de toda vida humana, porque a defesa da natureza “é incompatível com a justificativa do aborto” e “o abuso de qualquer criatura é contrário à dignidade humana”.


O Papa também reitera a necessidade de tutelar o trabalho, parte do significado da vida nesta terra, e pede o diálogo entre política e economia, em nome do bem comum. No âmbito internacional, o Pontífice não poupa um julgamento severo sobre as cúpulas mundiais relativas ao ambiente que decepcionaram as expectativas por falta de decisão política. No âmbito nacional, no entanto, Francisco exorta a política a sair da lógica do lucro imediato e da corrupção, em nome de processos de tomada de decisão honestos e transparentes. Em essência, o que é necessário é uma nova economia, mais atenta à ética.


A nova Cultura pedida pela Laudato Si se faz de dentro de cada um, para o bem próprio, para o bem do outro e da casa comum. Esta nova Cultura requer mudanças de dentro para fora, do micro para o macro, do eu para o nós, do lucro para o bem de todos. 

Compartilho fotos de algo doloroso na Selva de Pedras, capital paulista. No mês de novembro de 2019 tentaram matá-las com instrumentos discretos, como pede o Ministro, não conseguindo, na calada da noite, maio de 2020 as mataram. Se assim se faz com árvores, o que não serão capazes de fazer com os humanos!














José A. Galiani
24 maio 2020

sábado, 25 de abril de 2020

Feliz e abençoado aniversário minha mãe.

Hoje a mulher cuja beleza não tem igual, faz 82 anos de vida; minha mãe Clélia T. Ciambroni Galiani. Que coração de mãe, que personalidade de mulher! Garra, fibra, força, coragem e tudo o que existe de positivo em uma mulher ela possuí. Chega aos 82 anos com as dores, que o tempo lhe proporcionou. Vive em sua casa enorme, só, como sempre diz: eu e Deus. Casa limpa, cheirosa, cada peça, cada objeto um valor imensurável, até mesmo o potinho de plástico guardado; se assim faz com as pequenas coisas imagine como guarda em seu coração cada um dos seus.
Gerou uma filha mulher e três filhos homens, estes lhe deram mais cinco filhos: um genro e quatro noras. A família cresceu vieram 8 netos que casando deram a ela mais cinco netos e desses nasceram 8 bisnetos que alegram a família! Gratidão ao Deus da vida tamanha bênção.


Minha mãe sabe e sabemos que sua vida para nos educar e criar não foi fácil. Costureira, plantava hortaliças e as vendia para não nos faltar nada. Sua dedicação aos filhos e netos não conheceu barreiras, quantas alegrias proporcionou para todos. Lembro-me de muitas coisas de nossa história, mas duas se faz necessário destacar: a Fé e a responsabilidade com o trabalho. Muito obrigado mãe por nos ensinar a amar a Igreja e o Evangelho de Jesus Cristo, a você somos gratos porque desde pequeninos nos colocou para trabalhar, hoje somos e chegamos onde chegamos, porque como Maria, ao pé da cruz, você esteve ao nosso lado. OBRIGADO mãe por tudo que deixastes de fazer e ser, para que pudéssemos ser e fazer.


Hoje, como sempre, há 47 anos, estou longe sem poder te abraçar, te olhar e te dizer: obrigado por me amar tanto. Posso dizer que não sou forte o suficiente para te amar como me ama, mas você é minha mãe e não há amor maior que esse. Feliz e abençoado aniversário mãe!




quarta-feira, 8 de abril de 2020



Confiante Esperança!

Quem diria que seríamos pegos de surpresa por aquilo que não vemos? Que nossas próprias mãos introduziriam, o não visível a olho nu, em nosso aparelho respiratório a ponto de causar nosso óbito. Quem com bola de cristal teria visto uma China, pelo COVID-19 parar sua produção e ter o céu limpo, aberto para as nuvens e as estrelas? Quem com um microscópio teria visto o COVID-19 e se calado? Há respostas verdadeiras sobre a Pandemia? Como explicar a dor dos milhões mortos pelo coronavírus? Dizer o que console os que perderam e não puderam cuidar e velar pelos seus mortos? Você que é contra o isolamento poderia apresentar uma solução para a não proliferação do vírus? Como contribuir para que o mundo capitalista não entre em colapso e não haja perdas ainda maiores? Alguém poderia elucidar o mistério do que não vemos destruindo o que enxergamos? Vamos criar soluções para que empregadores não ficarem no prejuízo, por conta o isolamento social, e empregados possam ganhar seus salários? Você poderia alimentar os que dependem da venda ambulante para sobreviver? Filhos e netos poderiam cuidar dos idosos que já vivem sozinhos e agora em isolamento social? Onde estão os gurus e líderes religiosos com a sabedoria suprema para responder a todas as perguntas nascidas pelo CODIV-19?
       A resposta evidentemente é simples: você! Simples e mais evidente ainda, é a droga controladora da transmissão: você! Simplesmente isso, você é o único e absoluto responsável para que o estado pandêmico passe e, rapidamente possamos voltar ao frenético mundo do produzir.
       Produzir para gerar emprego, produzir para que a vida volte ao normal, produzir para que acabe esta histeria midiática, produzir para que o trabalho informal não mate de fome os ambulantes, produzir para que os que vivem de esmola tenham como pagar sua comida nos refeitórios populares, produzir para que homens e mulheres em situação de rua possam receber as sobras de alimentos dos restaurantes e bares, produzir para que a cadeia do lucro a qualquer custo não quebre, produzir porque preciso viajar, produzir porque não dá para ficar 24h com meu filho e família em casa, produzir porque o trabalho home office é bom, mas já não aguento mais trabalhar, cuidar da casa e ver televisão o dia todo, produzir para que os templos religiosos possam continuar sua missão e manter as doações que insuflam suas aplicações financeiras, produzir para que possamos comprar o que é necessário, produzir para que haja EPI para os profissionais da saúde, produzir para que não tenhamos desemprego, produzir para que a economia não pare!
      Sim se faz necessário produzir, sem a produção nossa espécie está ameaçada, subjugada ao flagelo. Necessitamos voltar ao normal. A mídia não pode continuar a intoxicar a sociedade. Os templos necessitam voltar a atender espiritualmente seus fiéis, que precisam ser curados e continuarem a fazer suas doações e ofertas. As famílias necessitam mandar seus filhos para a Escola, lá são educados. Precisamos ir ao Shopping, aos hipermercados para comprar nosso alimento. Necessitamos voltar à empresa e cumprir as 40h semanais de trabalho, garantindo assim nosso salário e emprego. Governantes necessitam da pandemia para serem vistos, uns para fazerem comício, outros para mostrarem sua incompetência governamental. Sim vamos voltar a produzir, mas o que realmente a espécie humana precisa para ser útil e continuar produzindo e comprando?

      O humano perdeu sua essência. Deletou de seu repertório de produção os “húmus” que é! Tudo está relativizado. Nada mais tem sustentação em si mesmo. Ele se basta. A verdade se restringiu ao que cada um pensa. O relacionamento perdeu afeto e ganhou aplicativos. A distância social antes saudável, geradora de saudades, hoje corrompida pela aproximação nas redes sociais. A fé expressão da relação humana com Deus, hoje fonte de lucro. Educar, papel da família transferida para as instituições de ensino. Panelas cozendo substituídas pelo Delivery iFood, a refeição ao redor da mesa pela televisão como ponto de encontro. O brincar das crianças pelo Smartfhone e jogos virtuais. Substituímos tudo, o caminhar pelo controle remoto, o vertical pelo horizontal, porque estamos exaustos. Que essência tem a nossa? Viver para produzir. Viver, produzir e ganhar. Viver, produzir, ganhar e comprar. Quer coisa melhor que poder comprar? Comprar para ter, ter para ser. Pronto aí está a solução tanto essencial para os “húmus” que o humano é, ter para ser!

      Não, porém, entretanto, talvez, provavelmente, tampouco, nunca, jamais, de maneira alguma, apenas, salvo, só, somente uma necessidade sermos: SER HUMANO.
Que o momento histórico que vivemos, provocado pela Pandemia COVID-19, nos proporcione a confiante esperança de recuperarmos nossa essência humana de ser.



Que não nos falte a confiança em nós, que sejamos seguros,
firmes e despreocupados no palco da vida.
Sejamos crédulos e nada nos abalará!
Que pela esperança e com fé realizemos aquilo que desejamos!
Que ancorados em nós mesmos sejamos resilientes e não nos falte a
CONFIANTE ESPERANÇA!

domingo, 8 de setembro de 2019

Sistema de Ensino no Brasil, uma base conceitual a partir das LDBs 61, 71 e 96.


Os conceitos de qualidade/quantidade, centralização e descentralização e público/privado perpassam as LDBs de 61; 71 e 96..


De acordo com Libâneo, Oliveira e Toschi (2007), a história da estrutura e da organização do sistema de ensino no Brasil pode ser analisada com base em pares conceituais, que expressam as tensões econômicas, políticas, e sociais e educacionais de cada período como qualidade / quantidade, centralização/descentralização e público/privado. Considerando essa afirmação, analisei as Leis nº 4024/61, 5692/71 e 9394/96 e, apresento um quadro síntese, explicitando como os conceitos de qualidade/quantidade, centralização e descentralização e público/privado perpassam essas leis.


Lei 4024/61
Lei 5692/71
Lei 9394/96
Qualidade/quantidade
- Em relação ao processo anterior a 1961, a LDB representou um grande avanço, era vertical e conservador.
- Regulamentar formação mínima exigida para os professores.
- Educação de excepcionais.
- Instituiu-se a flexibilidade curricular e a liberdade de métodos e de procedimentos de avaliação
- Possibilitou processo de recuperação e dependência, para os que “não aprendiam”.
- Educação de portadores de deficiência.
- Currículo comum para 1º e 2º e diversificado em função das diferenças regionais. 2º grau torna-se Técnico.

- Valorização dos professores.
- Educandos portadores de necessidades especiais (necessidades educacionais especiais).
- 2007 criação do Plano de Desenvolvimento da Educação.
- BNCC
Centralização/descentralização
- Regulamentar o Sistema de Ensino/ Conselhos Estaduais de Educação.
- Até 1960 Sistema Ensino centralizado no MEC, com a LDB os estados e munícios tem mais autonomia.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 5.692 de 1971, construída sob o domínio dos governos militares, nasce com intenções bem-definidas para a época, em conformidade com as metas que pretendiam atender à demanda gerada pelo progressismo brasileiro5
- Democratização, participação popular, da família e comunidade educativa.
Público/privado
- Teve, em sua égide, a luta política entre a educação pública e a privada, resultando como produto uma lei de caráter conciliador e agregador.

- Obrigatoriedade de educação dos 7 aos 14 anos.
- A garantia de uma educação pública para todos, prevista em lei, tem se mostrado uma tarefa complexa.
A lei não proporcionou grandes conquistas referentes à questão dos recursos públicos = falta de verba para a Educação – criação do FUNDEF, depois FUNDEB.

A leitura da Lei de Diretrizes e Base de 61, 71, e 96 mostra que em cada tempo a educação foi legislada conforme as necessidades econômicas/políticas. A obrigatoriedade, por exemplo da educação física, se dá pela necessidade de desenvolver as capacidades físicas do trabalhador que tem uma intenção pedagógica que é promover o esporte, estando por traz a política neoliberal. 
Na Lei de Diretrizes e Bases 9.394 de 1996, as propostas de descentralização, tais como a definição de responsabilidades às quais Estados e municípios conseguem autonomia relativa nas questões de planejamento e avaliação das ações, deixando de ser simplesmente executores das propostas da união, as escolas adquirem autonomia para projetar suas ações pedagógicas.
os ajustes neoliberais efetivados no entendimento da lei poderão promover desenhos curriculares em conformidade com as leis de mercado, segundo as quais as disciplinas que possuem maior valor são aquelas de utilidade imediata e instrumental no contexto da sociedade neoliberal. Na análise das leis, entendemos que a centralização das LBDs 4.024 de 1961 e a 5.692 de 1971, foram claramente direcionadas com fins bem-definidos, portanto atendiam à lógica da produção fabril. ”
http://www.gpef.fe.usp.br/teses/eto_neira.pdf - acesso em 15 novembro 2018.

LIBÂNEO. J. C.; OLIVEIRA, J. F. de; TOSCHI, M. S. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2007.

domingo, 21 de abril de 2019

Feliz Páscoa!


Uma Feliz e Santa Páscoa para você!

Na celebração da Vigília Pascal, na noite do dia 20 de abril, todo o ato litúrgico foi muito rico de símbolos, de mistérios e de manifestações. O Feliz Páscoa com votos de saúde, de paz e até de dinheiro no bolso recebi de fiéis na Igreja. O que realmente é a Páscoa? Em primeiro lugar é dizer que o Cristo inaugura um novo tempo, uma nova experiência, não uma nova vida, mas a VIDA em sua plenitude; é dizer que não morreremos, mas que a morte é o salto para a vida, não uma outra, mas a vida que Deus nos reservou, aqui já e, a que há de vir. Feliz Páscoa é bradar em todos os cantos que a morte não ter poder, que a morte morreu, que a morte foi derrotada por Jesus.
Quero compartilhar um dos momentos ricos que muito me tocou na Celebração da Vigília Pascal, isto porque vejo pessoas buscando caminhos para viver; pessoas em busca do verdadeiro sentido de suas escolhas; pessoas às portas de decisões em busca do que lhe é verdadeiramente desejo da alma. A busca pelo caminho, pela porta, pela solução, pelo desejo de amar, pelo fazer o bem, pela justiça, pelo não fazer o outro sofrer passa pela Páscoa.
Na busca por aquilo que realmente faz alguém feliz, me tocou profundamente o texto bíblico do Gênesis 22, 1-18, a belíssima narrativa do sacrifício de Isaac. Que desafio para Abraão! Sacrificar seu próprio filho, colocar lenha nas costas do cordeiro, Isaac, para que levasse o que lhe destruiria. Que escolha difícil, que decisão crucial para um Pai. Quantos de nós não vivemos estes momentos? Escolher não é fácil, não é simplesmente eliminar o que não se quer e ficar com o que se quer. A escolha pressupõe caminhar, refletir para poder decidir. Uma caminhada árdua, desafiadora, cheia de percalços e tropeços; a reflexão ultrapassa o pensar e mescla-se com o sentir, provocando o decidir com dor e até lágrimas! É a própria PAIXÃO E MORTE de Jesus.
A lenha sobre o altar, o filho amarrado, Abraão empunha a faca para matar seu próprio filho. Que força desse homem. Ouvir a Deus e cumprir o que lhe é pedido. Que dor para este homem ver seu único filho, sendo por ele mesmo sacrificado. Que fé Abraão testemunha. Que vazio lhe causou a indagação de Isaac “temos o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o holocausto? ”. Quantas e quantas vezes nós caminhamos juntos com a vítima, com aquilo que nos é pedido em sacrifício. Quantas e quantas vezes nos fechamos ao pedido de Deus e não sabemos como Abraão responder “ Deus providenciará”.
Aqui está o verdadeiro sentido da Páscoa, na hora de sacrificar o filho, Deus intervém “Abraão! Abraão! ” E, este lhe responde “Aqui estou”! O que você precisa sacrificar? Que holocausto está sendo exigido de você? Que decisões precisa tomar? Seja o que for, faça na confiança em Deus, faça aos olhos de Deus, faça com os ouvidos bem atentos para que ouças o que Deus tem para lhe dizer. Não tenhas medo, precisa caminhar para o sacrifício, precisa levar contigo a vítima do holocausto, senão não haverá Páscoa, não haverá decisão, não haverá benção!
A Páscoa é exatamente a experiência de Deus em nossa vida “uma vez que não me recusaste teu filho único, eu te abençoarei”!

Feliz e Santa Páscoa!!!


terça-feira, 5 de março de 2019

Avaliação Classificatória e Formativa.


Leia o texto:

A Escola Sabiá tem duas classes de 3º ano de Ensino Médio, que tem como professores de Biologia: o Sr. Carlos e a Sra. Soraia. Ao trabalhar o assunto Ecologia, esses professores decidiram estudar a realidade local e usar o texto "A caminho do mar", que extraíram do site "Alô Escola". Ambos os professores estavam preocupados em discutir o tema Ecologia e principalmente a destruição dos manguezais (agora respeitado!!) de sua cidade (Maragogipe, a 200 quilômetros de Salvador). Boa parte da população dessa cidade vive dos caranguejos, peixes e mariscos que tira desse manguezal que circunda a cidade. Esse manguezal era tratado com desdém pela população (servia de depósito de lixo, suas árvores cortadas e a profissão do pescador, tratada como uma atividade sem importância), até que os professores Carlos e Soraia resolveram mobilizar os alunos e professores da cidade de Maragogipe: estudaram o manguezal e passaram a frequentá-lo com seus alunos. Juntos, todos limparam a área, semearam árvores e passaram a controlar seu crescimento e o dos animais que voltaram a viver na lama. As aulas, começaram a ser dadas diretamente no local e hoje todos se empenham em preservar sua paisagem natural. Terminaram o trabalho (em sala de aula), com a discussão do texto "A caminho do mar".

Situação 1: Apesar de a professora Soraia e do professor Carlos terem desenvolvido o mesmo trabalho com seus alunos, cada um encaminhou de maneira diferente o processo de avaliação. A professora Soraia, após a discussão do texto "A caminho do mar", solicitou uma prova escrita a partir do mesmo, cobrando conceitos do texto. Após a correção, a professora Soraia separou as provas pelas notas A, B, C, D, E, e entregou-as para a sala, enfatizando somente os erros de seus alunos.

Situação 2: O professor Carlos, antes da ida para o mangue, solicitou que os alunos falassem a respeito da destruição do local e o que poderiam fazer para recuperá-lo. A cada ida para o manguezal, pedia que seus alunos relatassem suas experiências e o que já estavam fazendo para a melhoria do grande espaço. Aproveitava esses relatos como parte da avaliação da aprendizagem de seus alunos, (como, por exemplo, o depoimento da aluna Thaís, "hoje eu sei que o manguezal não é lixo, mas um lugar de onde tiramos nosso alimento"). Com esses relatos, o professor Carlos podia avaliar os alunos que tinham mais ou menos facilidade no entendimento do conteúdo Ecologia. Quanto voltaram para a sala, fizeram como a professora Soraia e discutiram oralmente o texto "A caminho do mar". A partir das discussões, o professor Carlos pode anotar as impressões, ideias e atitudes dos alunos quanto à Ecologia e o Manguezal (este foi mais um instrumento de avaliação utilizado). Terminado todo o trabalho, o professor ainda pediu que os alunos escrevessem em um papel as dúvidas que tinham a respeito do assunto tratado. Muitos teceram elogios às aulas do professor e outros alunos, além dos elogios, colocaram as dúvidas que restaram. O professor Carlos combinou com a turma que estava apresentando dúvidas, um momento de recuperação (iria propor uma pesquisa em livros e revistas sobre o assunto aos alunos), no horário contrário às aulas.

Com base na situação educativa apresentadas, segue uma análise das situações avaliativas apresentadas. 
A base provocativa da atividade está no conceito de avaliação, tema relevante no processo de aprendizagem e objeto de estudo na disciplina em curso. Estamos diante de duas concepções de avaliação, ambas se identificam como um registro de resultados acerca do desempenho do aluno em um determinado período, entretanto diferentes na essência e método.
A reflexão é sobre o conceito de avaliação classificatória e formativa. No primeiro caso temos a avaliação classificatória, esta por sua vez é caracterizada pela visão de mundo, de escola e até de professora que a adota.
Consideremos a avaliação como um ato político e, fica bem claro a intencionalidade da professora, em uma avaliação classificatória está reproduzida uma estrutura social dividida em classes; ao classificar os alunos em A, B, ... determina os que serão dirigentes e os que serão dirigidos, o que causa exclusão. Com uma visão classista e classificatória, duas outras características estão em evidência nesta concepção de avaliação. Ela é uma ação individual e competitiva, com o objetivo de provar, de mostrar o que “aprendeu”; na avaliação classificatória não está em primeiro lugar a aprendizagem e o saber, mas na seleção dos melhores para domesticá-los para o sistema. Por último, poderíamos nesta forma classificatória de avaliar destacar a força da avaliação em decretar uma sentença: aprovado ou reprovado. A atribuição de uma nota ao que o estudante aprendeu ou não, é no mínimo desrespeitoso à potencialidade humana de aprender. Diríamos, que analisando, conforme proposto, que a escola da professora Soraia, e ela própria, não assume o compromisso com uma aprendizagem efetiva. A classificação se põe como uma necessidade dentro da estrutura perversa em que a escola está fundamentada. O ser humano não é para ser aprovado ou reprovado, ele tem o direito fundamental à existência, à cultura, ao conhecimento, ao desenvolvimento.
Em contrapartida a atividade proposta traz um segundo caso, o do professor Carlos. Aqui a avaliação é formativa, ela é um instrumento de mediação e fornece informações para melhorar o desempenho do aluno durante o seu processo de aprendizagem. Neste tipo de avaliação o próprio estudante é construtor da avaliação, pois é sujeito na trajetória de sua execução, ou seja seus interesses, aspirações, experiências e reais necessidades são acolhidos.
Professor e estudante, na avaliação formativa, interagem por meio de análises e feedbacks, o que faz identificar, sendo a avaliação um raio x da concepção e identidade da instituição de ensino e sua concepção de educação e de professor, um enfrentamento do paradigma educacional centrado no ensino, em que o ato de ensinar é linear e uniforme, sendo responsabilidade do aluno estudar e aprender.
A avaliação formativa é ao mesmo tempo prognóstica, formadora, mediadora e reguladora. Prognóstica porque busca fundamentar uma orientação e ao fazer o diagnóstico da realidade, objeto de estudo apropria-se da realidade e por isso formadora de opinião e do saber. A dimensão de mediação fica em evidência quando pelo diálogo a reflexão e ação tornam-se base para a mobilização, para a experiência educativa e para a expressão do conhecimento.
Portanto, a avaliação formativa reguladora traz em sua essência a função sociopedagógica e tem como pressupostos pedagógicos o Projeto Político Pedagógico, é democrática, como: elemento articulador; um currículo flexível e contextualizado; uma pedagogia diferenciada, tendo a pesquisa como princípio; a escola é lócus de aprendizagem e uma aprendizagem significativa.
Assim, a avaliação formativa não é excludente tornando-se espaço de significar, de dar sentido, de produzir conhecimentos, valores e competências fundamentais para a formação humana dos que ensinam e dos que aprendem.

Referência:
TEIXEIRA, L. P. C., et al., Avaliação: aspectos institucionais e da aprendizagem. Batatais, SP: Claretiano, 2016.

domingo, 1 de abril de 2018


“Não está aqui! ”

Celebrar a Páscoa é não procurar respostas, onde elas não estão. Assim, “não está aqui”, anuncia o Evangelho de Marcos, no capitulo 16,6, quando o “morto” é procurado.

Onde está? O que fizeram com o cadáver? Onde levaram Jesus de Nazaré?

A Liturgia da Palavra na Vigília Pascal nos mergulha no triunfo sobre a morte e vida de Jesus. A Páscoa é mais que “feliz páscoa”, é mergulhar na realidade de um Deus que ultrapassa o limite do “nada”, da “morte”, do “sofrimento”, do “vazio”, da “escuridão”, da “dor” e da “tristeza”. 

Na riqueza da Palavra proclamada na noite Pascal somos mergulhados no verdadeiro sentido do “não está aqui”. A Páscoa do Senhor está no ato da criação, Gênesis 1, 1-2,2, narrativa profunda do ato criador como “bom” e, nos olhos de
Deus o poder transformador e criador de tudo e de todos. Feliz Páscoa é dizer e acolher Deus, Pai, criador do qual somos dependentes e para quem devemos ser e viver. Como nos dá o exemplo, Abraão, Gênesis 22,1-18, que pela fé se põe a sacrificar seu único filho e, na obediência à Deus é abençoado. Feliz Páscoa é viver na certeza de que todo e qualquer sacrifício, na obediência a Deus é benção e n’Ele nosso refúgio.

“Não está aqui”. Não, não está na Escravidão de seu Povo que conduzido por Moisés, Êxodo 14, 15 – 15,1., sai da tutela do Faraó. Feliz Páscoa é viver a experiência de deixar-se conduzir pela força e poder de Deus para a vida em liberdade. Viver em liberdade, como diz Isaías 54, 5-14 é possuir a paz e ter a justiça como fundamento. Feliz Páscoa é viver a Paz fruto da Justiça. O que é a Justiça? O próprio Isaías, 55, 1-11, diz: “estais com sede, vinde às águas [...] com fome . . . vinde e comei [...]” Isto é Páscoa: justiça!

“Não está aqui” afirma que buscamos em lugar errado o ressuscitado. Onde encontrá-lo? O profeta Baruc, 3,9-15.32-4,1-4, nos diz que o encontramos na Sabedoria, na Lei de Deus. Desejar Feliz Páscoa é viver na Lei de Deus e ter como prêmio: a vida. Desejar Feliz Páscoa é aceitar que Deus “tire de nós o coração de pedra e nos dê um coração de carne”, Ezequiel 36, 16-17a.18-28. Com o coração novo, a Páscoa Feliz é a que crê que estamos vivos para Deus, que em Jesus morremos e n’Ele estamos vivos, como lemos na carta aos Romanos, 6, 3-11.

Desejar FELIZ PÁSCOA é acolher sem medo a novidade das novidades: “Vós procurais Jesus de Nazaré que foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui”, Marcos 16,1-7. Feliz Páscoa não é desejar mais saúde, mais paz, mais harmonia, mais justiça, mais amor, mais e mais sentimentos bons e positivos como que se a morte e ressurreição de Jesus fosse um floral, um vidro de perfume, um jardim em flor, um céu azul. 

No Feliz Páscoa do Cristão está implícito seu desejo de superação da corrupção, superação da violência. Desejar Feliz Páscoa é se comprometer a gerar uma cultura de vida para todos.
Feliz e Santa Páscoa! Não se esqueça, “não está aqui”, onde está? Ele irá “à vossa frente”!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A MORTE

A MORTE
Falar sobre esta experiência parece tão impossível quanto falar da experiência Vida. O que é a morte? O que é a vida? Sinônimo e antônimo andam de mãos dadas, uma não existe sem a outra, as duas são condições indispensáveis para todo ser vivo.
Só há uma certeza, só se sabe que está morto aquele que está vivo. Todo Vivo sabe que morrerá? Todo morto tem consciência que não está mais vivo? A consciência da condição de que se está vivo ou morto é exclusivo do ser pensante? O ser pensante é só a espécie humana? Uma semente, antes de ser semente foi uma árvore, uma flor, um fruto e no seu ciclo uma semente, que morre, nasce, se torna árvore, com flores, frutos e outras sementes que nascem que.... teria a semente consciência de seu clico?
O conceito morte no dicionário Houaiss aparece como um substantivo feminino e significa fim da vida, interrupção definitiva da vida humana, animal ou vegetal. Sendo isso, a consciência, própria da espécie humana, não seria a determinante para se conhecer e dizer da experiência da morte, nem mesmo da vida.
Viver e morrer são condições inexplicáveis do existir. Perguntas inumeráveis nascem na tentativa de conceituar as infinitas possibilidades de vida e de morte que há para o homem, para o animal e para o vegetal. Na cadeia da vida e da sobrevivência matar e morrer no reino animal é condição para se ter a vida.
Mas o que dizer da experiência e da dor da morte que humanos vivem? O que dizer das buscas intermináveis de superação da dor e da morte, da busca do rejuvenescimento, de vida saudável e morte bem morrida?
A negação da morte nos dias de hoje seria o ponto de justificativa para tantos humanos sem ética, sem escrúpulos, sem coração à dor e sofrimento do outro? Entre nossos primatas a experiência da morte, lhes deu a experiência da vida e, consequentemente a necessidade do cuidado do outro, principio fundante da ética. É na morte que se descobre a importância da vida, assim sendo, não seriam as religiões as detentoras do saber e explicações sobre o viver e o morrer? Afinal, são elas, na sua maioria, que se ocupam com as respostas acerca da vida e da morte. Indagações sobre o começo, o nascimento, a origem e o fim. O homem sem religião teria uma resposta sobre o fim da vida? O que para ele seria morrer? O final do viver?
As intermináveis dúvidas nascem de outras dúvidas que intermináveis questionamentos trazem sobre a experiência do morrer e viver e, a MORTE o que é?
Olhando para o reino animal e vegetal é ciclo do existir, para o reino animal racional é mais que ciclo, que ir e vir, que morrer e viver. A morte no humano é a experiência profunda de dor, de desligamento, de desaparecimento e de total e definitiva eliminação de seu semelhante como parceiro, como caminhante e companheiro de jornada na vida. Talvez aqui more a resposta às dores que brotam quando alguém próximo morre. A notícia de que alguém que conhecemos morreu faz-nos impactados com um sentimento de vazio e de tristeza. Se este alguém tem vínculos afetivos mais profundos nasce em nós a lágrima, a dor, a saudades, a tristeza, o desespero.
A morte é, pois, uma experiência última de ruptura entre um ser e outro, que faz nascer um outro referencial que sustente o que está vivo, até que esteja também morto. Respostas são encontradas nas mais diversas teorias filosóficas e religiosas para a superação da perda pela morte.
Afinal, sendo a morte, o fim da vida, só nos resta a própria vida para ser vivida intensamente enquanto a morte não a interrompa. Seria este o princípio mais egoísta do ser humano? Talvez, afinal no afã do existir, viver sempre foi e sempre será busca incansável dos humanos, mesmo que para isto tenham, como que os animais irracionais, tirar a vida do outro. Assim a vida e a morte mergulham o homem no abismo de seu ser egoísta, egocêntrico, excêntrico e o torna o tudo e o nada, o pleno e cheio de sentido e significado, o vazio, o sem sentido, o mísero de todos os míseros. É esta a consciência que tem consciência da valor e importância da Vida e da Morte, que na dor da morte encontra o sentido da mesma e por isso vive consciente que sua condição não é morrer, mas viver e, viver bem para morrer com dignidade, seja pelo motivo que for.
Se a morte nos coloca diante do mais profundo sentido da vida seria ela também o mais nobre momento a ser desejado pela vida. Assim o que vive, morre e, o que morre faz viver o que em vida fica.
Vida e morte - começo e fim, nascimento e falecimento - são pontos de partida e de chegada, uma sem a outra não significam, não fazem sentido, não tem finalidade, não tem porque existir. Se são condições para a existência, cabe-nos coexistir e fazer com que elas tenham significado e sentido, caso contrário antes mesmo de viver já estamos mortos e mortos não vivemos.

Que o dia de finados, celebração dos fiéis defuntos, dia dos mortos seja vivido de forma consciente de que uma única verdade e certeza temos: só morre o que veio a vida e, que vive bem a vida quem reconhece e aceita que morre!

domingo, 29 de outubro de 2017

RETIRO PASTORAL: Maria na vida de Jesus IFSJ



MARIA NA VIDA DE JESUS,

Com esse tema a Irmã Elaine Cristina de Souza, Filha de São José do Caburlotto, assessorou o Retiro Pastoral promovido pelo Serviço de Ação Pastoral, no dia 28 de outubro, realizado na Casa São José – Santo André – SP.




O dia foi marcado com o silêncio absoluto e na oração os participantes viveram momentos de profunda meditação e relação com a Trindade Santa. A Irmã Elaine fez duas provocações para oferecer subsídios para a oração e meditação. A primeira foi um recorte do que de melhor temos sobre a mãe de Jesus, primeiro dentro dos Evangelhos de Marcos, Mateus, João e Lucas; fez uma busca no magistério e apresentou dentro dos documentos eclesiais as referências à Maria e considerações que nos fizeram ver na figura dessa mãe, mulher, negra de Aparecida o caminho para nossa vida em Jesus. A segunda provocação, tomou como referência o versículo 51, do capítulo 2 do evangelho de Lucas: “Sua mãe guardava todas essas coisas no seu coração” sob a inspiração do Monsenhor Martino Zagonel, dos Exercícios Espirituais de fevereiro de 2017 IFSJ – Itália.

A metodologia do retiro foi a Inaciana: Agradecimento; invocação do Espírito Santo; à luz do Evangelho (memória-escolha-análise); pedido de perdão; meu compromisso com a vontade de Deus. Para a oração seguimos os 5 passos: DISPOR-SE; PREPARAR-SE; SITUAR-SE; MEDITAR e REVISAR.

Na riqueza do retiro, provocações, meditação e orações, trago e compartilho minha oração para com ela abrir possibilidades de novos horizontes para quem estiver lendo esse pequeno registro e, ou ao menos despertar-se para a necessidade de ter um oásis na correria da vida.

A Irmã Elaine, entre tudo o que pregou disse num determinado momento: “no Magnificat de Maria temos o LOUVOR, a CONSCIÊNCIA e a CIDADANIA”. Referiu-se à querida Imagem de Nossa Senhora Aparecida, que sua aparição como todas as manifestações de Maria, foram para que seu Filho Jesus fosse conhecido-amado-servido e, ocorreram para os pobres, pequenos e marginalizados da sociedade. Foi aqui que lancei minha âncora para a oração!

O primeiro movimento interno, de minha oração foi olhar para dentro do meu eu, para o mais íntimo e subjetivo do existir, para aquilo que sou, para o que significa ser “imagem e semelhança do Criador” e encontrar respostas e a vontade de Deus para a minha vida.

Do primeiro momento de minha oração nasceu a gratidão à Deus por tantas obras realizadas a meu favor; olhando para o próprio Deus nasceu o reconhecimento de seu poder, de sua grandeza e força contra os que matam a vida e surgiu o desejo de fazer de minha vida um serviço às vidas que me cercam.

Um segundo olhar sob esta perspectiva do Magnificat de Maria, como educador-diretor, Deus me chamou ao louvor de sua ação no carisma das Filhas de São José do Caburlotto, é um Deus que vem ao encontro, que se faz presente e atua no meio da realidade humana. Esta consciência, da ação efetiva de Deus na vida humana, me despertou a olhar a Educação acadêmica como possibilidade de interferir nos processos sociais e, pela formação dos estudantes “derrubar os poderosos dos seus tronos” saciando com “pão os que tem fome”. Aqui o exercício da cidadania ganha proporções de solidariedade, de justiça, de paz, de harmonia nas diferenças e diferentes. Minha oração desafiou a pensar em uma escola voltada para a mudança das pessoas, para que se reconheçam como criaturas de Deus e coloquem-se à serviço da Vida de todos e de tudo que nos envolve neste universo.

Da segunda provocação feita pela Irmã Elaine, Lucas 2,51, Deus me fez dois desafios e nasceram os propósitos:

1.       Eu como Maria, irei “guardar” no silêncio e na oração as alegrias, as satisfações, os prazeres, como também a tristeza, as decepções, os medos, as angústias. Deixar-se conduzir pelo “fiat voluntas tua” – seja feita a tua vontade é o compromisso assumido.

2.       Deus me concedeu, como Diretor de uma Escola de aproximadamente 1400 educandos e educadores, o acesso à mistérios de vidas escondidos em cada um que a mim se dirige e abre o seu coração. A oração e meditação sobre a mulher que “guardava tudo em seu coração” e no silêncio vivia intensamente as transformações realizadas por Deus na vida das pessoas me despertou e me compromete a ser o porto seguro, o ombro, o ouvido, o coração, o esteio, a âncora e até a solução para tantas dúvidas, angustias e sofrimentos.

O retiro, meditação e oração, trouxeram um consolo diante de minha pequenez humana e profissional. No coração e na razão uma única resposta à Deus: “eis me aqui”!

Momento fundante foi a Eucaristia, no alimento eucarístico, corpo e sangue do Senhor a certeza de que não estamos só e de que por Ele muito somos, podemos e fazemos. A eucaristia concretizou-se quando no final do retiro ouvimos a Irmã Conceição, 93 anos de vida e uma vida consagrada a Deus no Instituto das Filhas de São José do Caburlotto. Saindo da infância ela ingressou na vida religiosa, são mais de 70 anos dedicados ao serviço de Deus e da humanidade. Quantas vidas promoveu, quantas crianças, famílias salvou! Depois de seu depoimento, num espaço de perguntas, eu lhe pedi: “irmã Conceição, como diretor da Escola São José de Vila Matilde, sinto-me pequeno, incapaz, mas grato por terem me confiado a direção da escola. O que a senhora diria para esse diretor e para seus educadores, o que é imprescindível na direção e condução de nossa escola? ” Sua resposta reverberou o Amém dito na recepção da eucaristia. Ela nos disse: “vivam na presença de Deus, leiam-estudem a vida do Beato Padre Luís e confiem na graça de Deus, isso basta! ”. Nada mais é preciso descrever, eu e você estamos convidados a fazer, como educadores que somos, uma caminhada de vida em Deus, de conhecimento acadêmico/pedagógico com o olhar do Beato Padre Luís e, sobretudo, deixar-se guiar pela graça divina.   


O retiro terminou na confraternização de um café da tarde compartilhando lembranças e estabelecendo vínculos fraternos em uma família que tem na EDUCAÇÃO a AÇÃO do CORAÇÃO!




sábado, 14 de outubro de 2017

Dia dos Professores. Parabéns educadores!

DIA DE DIZER AOS PROFESSORES PARABÉNS!


O ano de 2017 se desenvolve como todos os anos anteriores e como aqueles que ainda virão. Diferenças, novidades, mesmice, rotina, inovações? Sim tudo igual e diferente! Junto e misturado. Novo e velho. Fácil e difícil. Simples e complicado. Bom e mal. Lindo e feio.
Mais uma vez ganharemos Feliz dia dos Professores de nossos alunos, que com carinho e reconhecimento de nossa importância e valor na vida deles nos agradecem e reconhecem que o que são é porque contribuímos com eles na construção da vida e história.
Nosso papel é de extrema importância na vida de nossos estudantes, exceto no momento que os transformamos em alunos, em seres que estão para nos atender e fazer o que e como queremos.
Estou vivendo um momento diferente no papel de um professor, estou na direção de uma escola, o que me faz um professor diferente. Curioso quando diante das mais variadas necessidades e situações nascidas no interior da escola ensino e aprendo, mais aprendo que ensino.
Na gestão, ser professor é constantemente movimentar-se em direção ao conjunto da escola, não só uma ação voltada para a mediação de apropriação de um conteúdo estudado, mas sobretudo na mediação da relação entre os educadores e os estudantes, na reflexão da ação e prática pedagógica de professores e coordenadores, de educadores administrativos e pais educadores.
No atual contexto o que move minha ação de professor gestor é uma máxima que todos os dias diante da Relíquia do Beato Padre Luís Caburlotto, resgato São Vicente Pallotti e a Bem Aventurada Mary Ward e, peço ao Beato que eu “saiba educar como eles educaram!”
Tal pedido parece ser todos os dias atendido. A dinâmica do dia do professor gestor é tão ligeira que horário não tem mais ponteiros e parâmetro de números do relógio. Que refeições e repouso deixaram de ser rotina e passaram a ser desejados para recuperar as energias. Tempo e espaço ultrapassaram a ideia de lugar e distância.
Ser professor gestor hoje tem me ensinado a ser o que dizem que sou: capaz de ouvir, respeitar opiniões, reconhecer erros cometidos e construir o acerto em conjunto. A busca constante da construção da escola a partir do que ela é e, com os diferentes olhares da comunidade envolvida vislumbrar caminhos que possam promover mudanças sem necessariamente rupturas bruscas, que não respeitam a história e seus construtores.
Como gestor, este professor, tem aprendido a olhar a escola e seus agentes com um olhar polido pelo coração, conforme o Beato Padre Luís e a espiritualidade das Filhas de São José do Caburlotto. Não é um olhar qualquer de qualquer gestor, movido por teorias de gestão e administração, mas uma visão nascida do conjunto de ações decorrentes do ouvir da coletividade para o bem da escola, sobretudo de seus agentes: educadores e educandos.
Como o Beato Padre Luís Caburlotto construo um percurso que tem na criança/jovens os sujeitos e protagonistas de uma mudança de vida e enfrentamento da realidade que aí está.
Na relação com os educadores, sejam professores ou administrativos, o aprendizado tem sido rico. Aprendo a olhar com os olhos desses educadores, o que torna o dia a dia suave para estes e o trabalho se concretiza de forma tranquila e eficiente. A eficácia desse trabalho é percebida em relações harmoniosas e maneiras transparentes de refletir e encontrar saídas para os nascentes desencontros.
Ser professor gestor tem sido sem sombra de dúvidas uma experiência única com a qual tenho aprendido a reconhecer que dirigir uma escola é perceber o sentimento das pessoas envolvidas e no emocional que cada uma tem dentro de si fruto da relação com o outro superar vulnerabilidade. A fragilidade do emocional de cada um aparece com evidência nos conflitos nascidos no dia a dia e na alegria do ouvir para melhor decidir a fragilidade se torna força emocional e os ditos e não ditos depois de refletidos são superados.
Construir um perfil de professor gestor é mais simples que ser propriamente um professor. Ser diretor, o próprio nome diz, é dirigir! Quando se tem o ‘norte’ a ser seguido, dirigir acaba sendo secundário e a ação de dirigir imperceptível, isto porque a condução é compartilhada e a solução construída pelo coletivo. Dirigir uma escola dentro desta perspectiva torna-se o desafio maior e por isso a satisfação em dirigir. A dificuldade não está no dirigir, mas em construir uma concepção de direção coletiva e participativa.
A caminhada até aqui, de professor diretor de uma escola, tem sido rica e de um aprendizado imenso que me sinaliza que todo professor deveria ser diretor, antes mesmo de ser professor. Os olhares são múltiplos e por isso mesmo ricos e desbravadores de novas concepções educativas e educacionais que desinstalam paradigmas historicamente ditos, definidos e fixos.
Ser diretor professor é reconhecer a grandiosidade da ação educativa dentro e fora da escola, isto porque ultrapassa o cumprimento de Leis Educacionais, normas e deliberações da Federação, vai além de Plano e Projetos Pedagógicos das Instituições e mergulha na vida dos envolvidos, na sua história de vida e sonhos para o futuro.
Ser professor diretor é deixar-se conduzir, não só pelas normas educacionais e parâmetros burocráticos que representam a sociedade, mas pela Vida dos que estão no processo de escolarização.
Quero aqui deixar meu abraço a todos os meus professores, vocês me ensinaram a viver e fazer da minha vida um instrumento de promoção da vida. Como professor me esforcei para fazer meus alunos amantes da vida e promotores da mesma. Hoje como professor diretor abraço a todos os educadores, administrativos e professores, manifesto meu agradecimento pela dedicação, pelo empenho e responsabilidade que demonstram para comigo e com toda nossa querida Escola São José de Vila Matilde.
A todos os educadores, PROFESSORES e ADMINISTRATIVOS, de todos os cantos desse nosso País uma gratidão enorme pelo que são, pelo que representam e constroem na vida de crianças, jovens e adultos.
Que a exemplo de Maria, na imagem negra de Aparecida, nos seus 300 anos, saibamos enfrentar o poder opressor da máquina política que corrupta depõem contra o que os ensinamos, que saibamos como os pescadores lançar as redes para saciar a fome de cultura e vida de nossos estudantes, que tragados pela cultura do “nada” estão mergulhados em um “mar sem fundo”. Que a Senhora da Conceição Aparecida ilumine nossa prática de educadores e contribuamos para que a VIDA seja respeitada em todas as condições.

Meus irmãos educadores, PROFESSORES e ADMINISTRATIVOS, parabéns e um abreijo enorme!